Home Destaque “Sociedade civil não pode ser chapa-branca”, declara presidente da Federasul em Flores da Cunha

“Sociedade civil não pode ser chapa-branca”, declara presidente da Federasul em Flores da Cunha

Rodrigo Sousa Costa defendeu participação mais ativa do empresariado na política e criticou a proximidade excessiva entre entidades e governos

O empresariado não pode se limitar a cuidar dos próprios negócios. Esta foi a principal mensagem de Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), durante palestra no Centro Empresarial de Flores da Cunha na noite desta quarta-feira (7). Ao longo de 40 minutos, Costa salientou que as entidades precisam participar do debate público, cobrar governos e, quando necessário, fazer oposição a decisões que prejudiquem o ambiente de negócios.

— Muitos dos nossos representantes na sociedade civil organizada se postaram como chapa-branca — afirmou.

A palestra passou por temas como tributação, pedágios, infraestrutura, mineração e segurança jurídica. Mais do que defender interesses empresariais, o presidente da Federasul sustentou que o associativismo tem um papel na construção do futuro das cidades e do estado.

Para Costa, a prosperidade de uma região depende de duas características: associativismo e empreendedorismo. O problema começa, segundo Costa, quando lideranças empresariais passam a buscar proximidade com o poder público para obter vantagens individuais, em vez de trabalhar por um ambiente de negócios melhor para todos.

— Quando uma região entra em decadência, os espaços de liderança públicos e privados estão ocupados por pessoas que querem envolver o coletivo, mas para ter um acesso privilegiado ao prefeito, ao secretário de Estado, para bloquear o mercado dos seus concorrentes — afirmou, avaliando que esse comportamento prejudica a livre concorrência e, no longo prazo, a própria região.

Economia precisa de confiança

Costa resumiu sua visão sobre o desenvolvimento econômico em uma palavra: confiança.

— A economia se move por confiança. Se a gente confia no futuro, a gente investe. Se a gente confia no outro, a gente faz negócio. Se a gente perde a confiança, a gente para de investir e a roda gira ao contrário.

Nesse cenário, o presidente da Federasul defendeu menos carga tributária, maior liberdade econômica e segurança jurídica. Mas também ampliou a responsabilidade do empresariado para além das empresas.

Entre os três eixos que apresentou para o associativismo estão a melhoria do ambiente de negócios, a adaptação a um mundo em transformação e uma “liderança cidadã”, preocupada também com saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Para Costa, não basta uma empresa prosperar se a comunidade onde ela está inserida não oferece condições para que as próximas gerações permaneçam e tenham oportunidades.

Pressão sobre governos

Boa parte da palestra foi dedicada a exemplos em que a Federasul decidiu confrontar governos e outras instituições. Costa citou a mobilização contra aumentos de impostos no Rio Grande do Sul e afirmou que a entidade conseguiu reunir setores empresariais e políticos de diferentes posições ideológicas em torno da mesma pauta.

A estratégia foi mobilizar a opinião pública e pressionar deputados individualmente.

— A política se move pela opinião pública — resumiu.

Costa reconheceu que esse posicionamento pode gerar desgaste e até perda de patrocínios. Ainda assim, afirmou que a Federasul não deve deixar de defender suas posições por receio das consequências. Ele defendeu que o enfrentamento deve ocorrer no campo das ideias, sem transformar divergências políticas em ataques pessoais.

O futuro do Rio Grande do Sul

No trecho final da palestra, Costa levou a discussão para o cenário político nacional e estadual. Segundo ele, o Rio Grande do Sul terá de enfrentar nos próximos anos questões como a dívida com a União, a recuperação da malha ferroviária, infraestrutura e os impactos da reforma tributária.

Ao falar da eleição presidencial, Costa disse que não manifesta apoio a candidato em nome da Federasul. Defendeu, porém, que o eleitor avalie de forma pragmática qual dos cenários poderá oferecer melhores condições para o Estado.

— O desafio é que a gente não pode mais se subestimar com a força do associativismo, do empreendedorismo. Já pagamos um preço alto demais pela nossa opção por esse negócio de compadrio — concluiu.

Fotos: Airton Nery, divulgação

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