Com três palestras distintas, mas unidas pela discussão sobre como tomar boas decisões e prosperar no ambiente de negócios, o primeiro Painel de Palestras do Projeto Mão Amiga reuniu dezenas de pessoas na noite de quarta-feira (22), no Centro Empresarial de Flores da Cunha. Joarez José Piccinini, Clovis Lumertz e Joel Goulart Junior abordaram diferentes aspectos que influenciam as empresas, passando pelo cenário econômico e pelas escolhas de gestão até chegar à comunicação e à construção de marcas.
O painel integrou as ações do Projeto Mão Amiga, que atua há mais de 10 anos para ampliar o acesso à educação infantil de crianças em situação de vulnerabilidade social em Flores da Cunha. Os ingressos tiveram valor de R$ 100, destinado integralmente à iniciativa. Até a última atualização desta matéria, a entidade não havia contabilizado a arrecadação do evento.
Brasil, escolhas e oportunidades
Na abertura do painel, o economista e empresário Joarez José Piccinini fez uma leitura do cenário econômico brasileiro a partir das transformações da economia mundial e da disputa de influência entre Estados Unidos e China. Ao longo da apresentação, abordou temas como carga tributária, gastos públicos, juros, produtividade e ambiente para investimentos.
Piccinini comparou o desempenho do Brasil com o de países como China, Índia, Coreia do Sul e Singapura para defender que decisões de gestão e políticas econômicas têm papel determinante no desenvolvimento. Para ele, o país possui recursos e condições para crescer, mas precisa avançar em reformas e melhorar a eficiência do gasto público.
— O que determina a riqueza de um país não são as riquezas naturais, é a qualidade da gestão e a qualidade da sociedade em cobrar os gestores.
Ao falar sobre oportunidades, destacou ainda o desempenho do agronegócio brasileiro e o potencial do país em áreas como energia, mineração e tecnologia. Para Piccinini, mudanças em questões como carga tributária, gastos públicos, juros e produtividade poderiam criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.
Execução para enfrentar a crise
O segundo palestrante, Clovis Lumertz, consultor e empresário com cerca de 40 anos de atuação, direcionou a apresentação para os desafios da gestão e da execução dos negócios em um cenário de maior competição. A partir da experiência com milhares de empresas, defendeu que momentos de crise também podem abrir espaço para quem consegue identificar oportunidades e se diferenciar dos concorrentes.
Segundo Lumertz, muitas empresas deixam de capturar parte do potencial de mercado por falta de cobertura comercial, redução de investimentos e ausência de estratégias claras para o futuro. Ele também destacou a necessidade de preparar equipes, modernizar operações e estabelecer uma cultura de execução.
— Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino.
Para Lumertz, a execução comercial deve estar no centro da estratégia, com atenção ao cliente, expansão de mercados e acompanhamento constante dos resultados. A provocação final foi para que os empresários concentrem esforços no que está sob seu controle, em vez de esperar que mudanças externas resolvam os problemas dos negócios.
Comunicação, o último ingrediente
Por fim, o diretor regional do Grupo RBS na Serra, Joel Goulart Junior, falou sobre comunicação, marketing e construção de marcas. Com mais de 25 anos de atuação na área, defendeu que, muitas vezes, as empresas já têm o produto e os atributos necessários, só precisando ser melhor comunicados.
A ideia foi apresentada a partir da metáfora de uma receita de grostoli, em menção ao case de sucesso do Festival do Grostoli em Garibaldi. O produto e o potencial seriam os ingredientes, enquanto estratégia, comunicação e frequência seriam responsáveis por transformar esses elementos em resultado.
— Talvez os ingredientes já estejam dentro da empresa. O que falta é saber combiná-los e colocar a receita no forno.
Joel destacou a importância de fazer com que uma marca seja encontrada e lembrada pelo consumidor. Ele abordou a comunicação como ferramenta para atrair trabalhadores, fortalecer marcas e valorizar a Serra Gaúcha como um território com identidade própria.

