Da Redação

editor@jornaloflorense.com.br

Home Destaque Chuva histórica levanta questionamentos sobre sistema de alertas em Flores da Cunha

Chuva histórica levanta questionamentos sobre sistema de alertas em Flores da Cunha

Moradores relatam demora e ausência de notificações da Defesa Civil durante a chuva que provocou alagamentos na segunda-feira (21)

Flores da Cunha uma chuva histórica no amanhecer de segunda-feira (21), principalmente pelo alto volume em tão poucas horas, um fenômeno que talvez seja difícil precisar. Uma situação de emergência que o sistema de prevenção não aparentou acompanhar. Apesar dos alertas emitidos, os relatos levantam questionamentos sobre a eficiência e o tempo de resposta dos alertas.

Moradores relatam ter recebido em horários diferentes os alertas da Defesa Civil durante a forte instabilidade — e alguns até nem receberam as mensagens. Já, o principal aviso, o chamado Defesa Civil Alerta, enviado por meio da tecnologia Cell Broadcast, só veio por volta das 11h20min — quando Flores da Cunha e as comunidades atingidas já estavam inundadas.

Primeiro, é preciso pontuar que na noite anterior, quando os florenses e paduenses foram dormir, não havia alerta para Serra. Os avisos sobre risco de temporal eram para outras regiões gaúchas.

O primeiro aviso veio às 5h10min, por meio de SMS enviado pela Defesa Civil Estadual, um alerta laranja com “previsão de tempestades, ventos fortes e queda de granizo, além de risco alto de destelhamentos e alagamentos”. Este aviso era válido até as 8h.

Às 8h25min, um novo SMS de alerta laranja, desta vez indicando “chuva intensa e volumosa, com risco alto de alagamentos” e validade até as 10h.

Só que estes dois avisos pelo sistema de SMS da Defesa Civil são enviados por um serviço gratuito destinado aos moradores que cadastram o seu CEP para receber as notificações pelo número 40199. Quem não é cadastrado, não recebe o alerta — e por isso a maioria da população seguia desavisada.

Ainda pela manhã, às 8h, a Prefeitura de Flores da Cunha publicou um alerta em suas redes sociais orientando a população a acompanhar as informações dos órgãos oficiais e ficar atenta à evolução do tempo.

Foi apenas depois das 11h, quando imagens de carros sendo levados pela correnteza das chuvas já circulavam pelas redes sociais, que a Defesa Civil elevou a situação para alerta vermelho e acionou o Cell Broadcast. Esta tecnologia envia uma mensagem de urgência que aparece diretamente na tela dos celulares localizados na área definida para o aviso, acompanhada de vibração e sinal sonoro, sem necessidade de cadastro.

Por seu caráter intrusivo — a mensagem ocupa a tela, emite som e vibra —, o Cell Broadcast é justamente o mecanismo pensado para situações de maior urgência e que deveria ser capaz de mobilizar a população. Em Flores, porém, moradores relatam que a notificação chegou quando a situação já era crítica.

Para os florenses e paduenses que receberam somente essa última notificação, o horário causou estranhamento. Foi atrasado diante das notícias que todos já haviam recebidos por jornais, rádios e compartilhamentos em redes sociais. Ficou evidente que o aviso não protegeu ninguém, e isso precisa ser discutido e reavaliado.

O que foi avisado antes da chuva

No balanço divulgado na terça-feira (22), a Defesa Civil informou ter emitido 75 alertas entre o fim de semana e a segunda-feira no Rio Grande do Sul: 65 por SMS e 10 por Cell Broadcast.

É verdade que a Defesa Civil já havia previsto, antes da chegada da instabilidade, o risco de tempestades, granizo e rajadas de vento superiores a 100 km/h, além de chuva intensa e volumosa. Contudo, pelo menos para a Serra, falhou em direcionar quais os locais seriam atingidos — ou os alertas chegaram atrasados.

O Inmet também mantinha um aviso de tempestade classificado como de grande perigo, com previsão de chuva superior a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros ao dia.

Contudo, com tantos alertas amarelos e laranjas sendo emitidos semanalmente, a população não sente a urgência da situação. E, quando vira um alerta vermelho, parece tarde demais. É preciso aprimorar nosso sistema de proteção.

“Já estava abaixo d’água”

O vereador Diego Tonet (PP) fez uma reflexão semelhante na tribuna do Legislativo. O seu relato, como de tantos outros, é que o aviso foi tardio.

— Acompanho alguns metereologistas, há algum tempo, até porque temos o El Nino, precisamos ter mais informações. Ontem (segunda-feira), às 11h veio aviso da Defesa Civil (Cell Broadcast). Flores da Cunha já estava abaixo d’água. Podemos não saber o quanto vai chover, e que alguns destes momentos acontecem muito rápido, mas se tiver um alerta podemos orientar algum morador, alguma comunidade… Estes avisar tem vir mais rápido — declarou.

Com estes fenômenos extremos acontecendo cada vez mais frequente, em menos de um ano tivemos também o tornado de Alfredo Chaves e o temporal em Mato Perso, a Serra Gaúcha precisa de uma estratégia melhor de proteção.

Trânsito

Nesta sexta-feira (24), duas estradas seguem bloqueadas em Flores da Cunha. A última atualização divulgada pela Prefeitura ainda informa outras três interrupções parciais.

Bloqueios totais
Estrada do SER Flamengo (Travessão Rondelli)
Estrada Velha (lado de Caxias do Sul)

Bloqueios parciais
Estrada das Oliveiras (ligação entre Linha 80 e Capoeirão)
Estrada de acesso a Otávio Rocha (desvio por São Gotardo)
Estrada Velha (lado de Flores da Cunha)

Compartilhe:

Outras notícias:

plugins premium WordPress
Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?

Entrar na sua conta