Home Destaque “Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”, destacou presidente da OIV em visita ao Rio Grande do Sul

“Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”, destacou presidente da OIV em visita ao Rio Grande do Sul

Sul-africana Yvette van der Merwe conheceu características da produção nacional, degustou produtos gaúchos e afirmou que o Brasil tem muito a ensinar ao setor internacional
A presidente da OIV, Yvette van der Merwe, degustou sucos de uva elaborados com diferentes cultivares BRS desenvolvidas pelo programa de melhoramento “Uvas do Brasil”, da Embrapa (Foto: Diego Adami/ Sublinha! Comunicação/Divulgação)

Aproximadamente metade da produção de uvas do Rio Grande do Sul é destinada à elaboração de sucos, que se consolidaram como um dos principais produtos da vitivinicultura gaúcha. Prova disso é que Flores da Cunha, município maior produtor de vinhos do Brasil, também se destaca quando o assunto é suco de uva.

O último levantamento divulgado pelo Observatório Vitivinícola do Consevitis-RS (Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul) mostrou que, no cenário estadual, a Terra do Galo produziu 32,09 milhões de litros da bebida em 2024. Com esse volume, o município ficou atrás apenas de Bento Gonçalves, que liderou a produção gaúcha com 69,94 milhões de litros.

O que tem chamado atenção, no entanto, não é apenas a quantidade produzida, mas também a qualidade dos produtos da Serra. A presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a sul-africana Yvette van der Merwe, visitou a sede do Consevitis-RS, em Bento Gonçalves, na última sexta-feira (28) e destacou a qualidade dos sucos de uva brasileiros e o potencial do país para contribuir com o desenvolvimento da vitivinicultura mundial.

Qualidade que impressiona

Na oportunidade, a dirigente conheceu as características da produção brasileira, os avanços da pesquisa e os desafios enfrentados pelo setor, especialmente diante das mudanças climáticas. Ela demonstrou surpresa com a capacidade de sustentabilidade econômica de um grande número de pequenas propriedades familiares da região, muitas delas vinculadas a cooperativas.

– Na OIV, a sustentabilidade econômica é um assunto a se explorar melhor, com um olhar mais cuidadoso. É preciso que toda novidade na área seja acompanhada pelo aspecto econômico. Não é um desafio só para os produtores brasileiros, mas de outros países também. Por isso, os países devem trabalhar juntos – destacou Yvette.

A presidente também degustou sucos de uva produzidos com diferentes cultivares de uvas BRS desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento “uvas do Brasil” da Embrapa. A experiência despertou entusiasmo na dirigente.

– Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros – enalteceu.

Sobre as oportunidades de cooperação internacional, Yvette ressaltou que o Brasil também pode contribuir com conhecimentos e tecnologias desenvolvidos no país, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

– Podemos aprender muito com vocês e vocês conosco. Na questão climática, podem colaborar com as novas tecnologias utilizadas no país. Hoje, a Europa busca referências no Brasil. Sem dúvida, o Brasil tem muito a ensinar e a contribuir em diversas áreas, e a OIV está aberta e atenta a isso. Continuem fazendo o que estão fazendo. É incrível!

Yvette van der Merwe esteve na Serra Gaúcha para participar do 2º EnoMeeting by ConceptWine, Congresso Internacional de Enologia e Viticultura, realizado de 27 a 29 de agosto, em Bento Gonçalves.

Encontro no Consevitis-RS

Na abertura do encontro de sexta-feira (28) o diretor executivo do Consevitis-RS, Eduardo Piaia, apresentou um panorama da vitivinicultura brasileira, destacando as características dos três principais sistemas produtivos do país: a viticultura tradicional da Região Sul, a produção de uvas em ciclo de inverno no Sudeste e a viticultura tropical no Nordeste.

Os pesquisadores Marcos Botton e Henrique Pessoa dos Santos, da Embrapa Uva e Vinho, apresentaram estudos recentes desenvolvidos pela instituição, incluindo estratégias para enfrentar os desafios climáticos, com novas formas de uso do solo e aplicação de tecnologias. Eles também ressaltaram a importância de aproximar a pesquisa do mercado e de ampliar a troca de conhecimentos e experiências brasileiras com outros países, especialmente em áreas como a genética de cultivares.

Também participaram do encontro o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, representantes de entidades e empresas do setor vitivinícola e integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Vinho, Uvas e Derivados, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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