Talvez, a esta altura do campeonato, com a rapidez que tudo corre ultimamente, essa trend do momento já tenha ficado ultrapassada (bom, até a própria expressão cringe já se tornou cringe). A internet tem dessas: quando a gente finalmente entende a brincadeira, ela já foi substituída por outra. Mas há coisas que não acompanham a velocidade dos algoritmos.
Das coisas que eu acho chique: dar bom dia olhando nos olhos. Devolver o carrinho do supermercado ao lugar. Fazer uma gentileza e não transformar o gesto em publicação nas redes sociais. Perguntar “como você está?” e ter paciência para ouvir a resposta verdadeira, aquela que demora mais do que um simples “tudo bem”.
Acho chique quem entende que nem toda discussão precisa de vencedor. Que às vezes, preservar a paz vale mais do que provar que você está certo. Que ter razão não dá direito de humilhar ninguém.
Acho chique quem trata bem quem não pode oferecer nada em troca. Existe elegância em quem não muda de comportamento conforme o tamanho da conta bancária, o cargo ou o sobrenome do outro. Acho chique quem guarda um doce porque se lembrou de alguém. Quem faz silêncio para não acordar quem está dormindo.
Acho chique quem tem conhecimento, mas não humilha quem ainda está aprendendo. Quem venceu e não transforma a vitória em ostentação. Quem cresceu sem precisar diminuir ninguém para parecer maior.
Chique é envelhecer sem se tornar amargo. É sentir saudade sem ter vergonha por isso. É admitir suas vulnerabilidades. É perguntar quando não entende. É mudar de opinião quando percebe que estava errado. É rir de si mesmo.
No fim das contas, talvez a verdadeira elegância continue morando nas coisas que não aparecem na vitrine. Não está na roupa de grife, no restaurante sofisticado, no relógio caro ou no carro importado. Tudo isso pode encher os olhos e dar um certo conforto. Mas nada disso consegue substituir aquilo que realmente revela a nossa classe: a maneira como tratamos os outros.
A moda muda e a trend desaparece. Mas continuo achando chique gente que sabe agradecer. Gente que sabe escutar. Gente que olha para o lado. Gente que não esquece de onde veio. Gente que ajuda sem exigir retribuição. Gente que respeita sem discriminação. Gente que carrega delicadeza mesmo quando ninguém está olhando.
Talvez seja isso que eu acho mais chique de tudo: não precisar parecer. Porque elegância de verdade não faz barulho. Ela simplesmente chega de mansinho, cumprimenta e deixa o ambiente melhor do que encontrou. Elegância a gente não veste, a gente carrega. Chique mesmo é ser simples e elegante de alma. Isso nunca sai de moda.