Quem entrar no Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi nesta sexta-feira (21) encontrará muito mais do que um prédio restaurado. Depois de um processo que envolveu a recuperação de elementos originais da construção, a reorganização do acervo e a criação de uma nova proposta expositiva, o espaço passa a contar a história da Terra do Galo de uma maneira diferente.
O jornal O Florense teve acesso antecipado ao museu e percorreu, acompanhado pelas profissionais responsáveis pelo projeto, os ambientes que serão apresentados ao público. A primeira impressão é de que o visitante não será convidado apenas a observar objetos atrás de vitrines. Em diferentes pontos do percurso, será possível abrir portas, ouvir sons, observar projeções, tocar materiais e até participar fisicamente de algumas experiências.
— Nós nos preocupamos muito mais do que ter tecnologia avançada, que às vezes é difícil a manutenção a longo prazo. A preocupação foi que a experiência de quem visita o museu seja diferenciada. Toda a concepção dessa nova expografia foi baseada na experiência de quem vai estar aqui dentro — explicou a gestora cultural, Cristina Schneider.
Flores pelas suas festas
A tecnologia, portanto, não é o único recurso. Boa parte das experiências foi construída de maneira artesanal, utilizando objetos, cenários, iluminação e sons para criar ambientes capazes de transportar o visitante para diferentes momentos da história.
Entre os ambientes do novo museu, uma das salas reúne manifestações que fazem parte da identidade cultural florense. O espaço apresenta referências às festas realizadas no município, com cartazes de diferentes edições de eventos como Corpus Christi e Fenavindima. A proposta é que o ambiente tenha sons que remetam às festas e à presença das pessoas nesses momentos.
— Esse espaço vai falar sobre as festas da nossa comunidade, a parte da religiosidade também estará presente e toda a parte mais cultural — explicou a museóloga Thais Creolezio.
Entre os destaques está a representação dos tradicionais tapetes de Corpus Christi. A intenção, contudo, não é transformar a peça em algo estático. A equipe já pensa em uma forma de renovar essa experiência e, ao mesmo tempo, envolver a comunidade.
— A proposta é que o tapete seja refeito por outro grupo, outra entidade, a cada tempo. Pensamos até em um edital de chamamento público para convidar a comunidade, os grupos e as associações a fazerem esses tapetes.
A ideia é fazer com que o museu seja um espaço de participação.
— O objetivo não é apenas que venham visitar, mas que se sintam presentes, trazendo e colocando um saber em prática, que é a festividade de Corpus Christi. Flores da Cunha tem uma das festas mais bonitas do País. O daqui tem um diferencial por ser um tapete extremamente artístico, com volume, cores e temática — acrescentou.
A ideia é que a experiência se renove ao longo do tempo.
— Trazermos sempre novos grupos e novos tapetes é um convite para que as pessoas coloquem esse cartão-postal como algo sempre para ser visitado novamente.
Entre os objetos que ganharam espaço está um vestido usado por uma princesa da Fenavindima de 1966. A peça foi identificada a partir de fotografias da época e passou por um processo de higienização.
Umidade sob controle
A preocupação com a preservação aparece também nos detalhes. No subsolo, uma canaleta foi criada para permitir a ventilação e auxiliar na drenagem da água. O ambiente, que já chegou a apresentar umidade de 78%, passou por testes com desumidificadores e apresentou índices entre 43% e 45%.
— Antes, havia terra molhada encostada diretamente nas paredes de pedra. Foi aberta uma canaleta ao redor do prédio para afastar a umidade, ajudar na drenagem da água da chuva e permitir a ventilação do subsolo, contribuindo também para a conservação das paredes — contou a arquiteta Sayonara Guaresi.
A conservação também exigiu atenção aos materiais utilizados no passado. Segundo Sayonara, uma das causas da deterioração das paredes foi a aplicação de tinta acrílica, que cria uma película impermeável e mantém a umidade.
O prédio também conta histórias
Enquanto o visitante percorre as salas, a própria construção se transforma em parte da narrativa. Os pisos de madeira, por exemplo, são originais. Antes da intervenção, estavam cobertos por camadas de cera vermelha. O trabalho envolveu o lixamento e a aplicação de produtos para a conservação.
A recuperação também respeitou a configuração que o prédio tinha quando abrigava a Prefeitura, preservando a divisão dos ambientes e os elementos que ainda permaneciam da construção original.
— É um restauro de intervenção mínima. A gente mexeu o mínimo na estrutura e adequou questões somente para garantir a acessibilidade, como o elevador. Conservamos inclusive a compartimentação interna, como originalmente era na Prefeitura — detalhou a arquiteta Sayonara Guaresi, responsável pelo projeto de restauro.
A reinauguração ocorre em um ano simbólico para o prédio. Construído em 1946 para abrigar a Prefeitura, o imóvel completa 80 anos em 2026. Há quatro décadas, também é a casa do Museu Pedro Rossi.
Reinauguração do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi
A comunidade poderá conhecer o novo museu a partir da cerimônia de reinauguração, nesta sexta-feira. Depois do ato oficial, as portas serão abertas para que o público percorra os ambientes restaurados e descubra a nova forma de contar a história de Flores da Cunha.
- Quando: sexta-feira (21), às 18h
- Onde: Avenida 25 de Julho, Flores da Cunha
- Atrações: recepção com Som Brasil e apresentação do Derico 5teto, grupo liderado pelo saxofonista Derico, conhecido pela trajetória no programa do Jô Soares
- Programação: durante a cerimônia, haverá o ato simbólico de abertura das portas do museu. Após a solenidade, o público poderá conhecer os ambientes restaurados e a nova exposição.
- Visitação: a partir de sábado (22), de segunda a sexta-feira, das 8h30 min às 17h, sem fechar ao meio-dia; aos sábados e domingos, das 9h às 17h.

