Home Destaque “Queria muito ter tido essa oportunidade na minha época escolar”, ressalta professora sobre a Mostra Científico-Cultural

“Queria muito ter tido essa oportunidade na minha época escolar”, ressalta professora sobre a Mostra Científico-Cultural

Trabalho de três alunos do 6º ano da Escola Tancredo Neves revela como a participação na iniciativa desenvolve autonomia, comunicação, trabalho em equipe e até mais confiança para falar em público
Ao se preparar para a Mostra Científico-Cultural 2026, alunos da Escola Tancredo decidiram por investigar os próprios impactos da Mostra na aprendizagem (Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

O que a participação em uma mostra científica desperta nos estudantes? A pergunta foi feita por três alunos do 6º ano da Escola Municipal Cívico-Militar de Ensino Fundamental Tancredo de Almeida Neves e acabou se transformando em uma pesquisa sobre a própria Mostra Científico-Cultural de Flores da Cunha. Ao investigar o que os colegas aprendem durante o processo, Davi Bezerra Velloso, 11 anos, Sofia Guerra de Godoi, 12, e Murilo Buffon, 11, também encontraram respostas para explicar o propósito da iniciativa.

No trabalho “Fórmula da Descoberta: O que a mostra científica desperta na gente?”, os estudantes perceberam que a experiência vai muito além de pesquisar um tema e apresentar um trabalho. É preciso identificar uma questão, formular perguntas, buscar informações, organizar dados, testar possibilidades e, ao final, compartilhar as descobertas. Nesse percurso, eles também desenvolveram habilidades como escrita, organização, comunicação e trabalho em equipe.

A pesquisa dos três alunos é uma das 154 selecionadas para a sexta edição da Mostra Científico-Cultural, que reúne trabalhos desenvolvidos por estudantes da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Neste sábado (15), a partir das 13h15min, os projetos serão apresentados à comunidade durante a etapa municipal, no Parque da Vindima Eloy Kunz.

No total, mais de 4,5 mil estudantes participaram da iniciativa nas escolas, com o envolvimento de aproximadamente 500 professores. Embora os temas sejam variados e contemplem diferentes áreas do conhecimento, observa-se uma maior concentração de trabalhos relacionados à natureza, saúde, psicologia e tecnologia.

A secretária municipal de Educação, Neide Sonda de Godoy, destaca que é justamente essa pluralidade de interesses e olhares que torna a proposta da Mostra Científico-Cultural tão rica.

— A pesquisa coloca o estudante em uma posição ativa: ele identifica uma situação ou problema, formula perguntas, levanta hipóteses, busca informações e desenvolve etapas para chegar a possíveis respostas ou soluções — explica Neide.

A secretária também destaca que o processo fortalece a cultura científica dentro das escolas, principalmente ao ensinar os estudantes a diferenciar informações confiáveis daquelas que circulam sem fundamentação.

— Os estudantes são incentivados a buscar fontes confiáveis e a conhecer documentos e textos científicos, compreendendo que uma pesquisa precisa estar fundamentada e que nem toda informação disponível na internet é confiável — afirma.

Uma descoberta sobre si mesmos

A ideia para o trabalho de Davi, Sofia e Murilo surgiu depois que os estudantes perceberam que muitos colegas consideravam a Mostra apenas mais uma tarefa escolar. Eles, então, quiseram descobrir o que realmente aprendem durante esse processo.

Orientados pelas professoras Janete Gobbi, de história, e Viviane Policeno, de matemática, os três passaram a investigar os efeitos da participação na Mostra e perceberam que os aprendizados vão muito além do tema escolhido. Pesquisar, escrever, organizar ideias e apresentar o resultado para outras pessoas também fazem parte da experiência.

— O ano passado a gente estava no Ensino Fundamental 1. As professoras faziam praticamente tudo por sermos “os pequenos”. Esse ano a gente tem que criar tudo e fazer tudo da nossa forma — conta Sofia.

No caso de Murilo, a experiência teve ainda um efeito pessoal. A participação na Mostra ajudou o estudante a enfrentar a timidez e ganhar confiança para falar em público.

— Antes eu nem olhava no olho das pessoas. A mostra contribuiu muito para eu perder a vergonha e conseguir conversar e apresentar o que a gente pesquisou. Sou um menino muito mais confiante e seguro agora — afirma Murilo.

Davi destaca que o desenvolvimento do projeto não aconteceu sem dificuldades. O grupo precisou lidar com limitações para preparar a apresentação, mas encontrou maneiras de seguir em frente.

— A gente teve pouco tempo em sala e teve um dia em que só tinha um computador funcionando e eram sete projetos precisando. Os tablets também não carregavam. Então a gente teve que se virar e continuar em casa. Só que nem todo mundo tem esse privilégio de conseguir fazer em casa, porque muitos alunos da nossa escola não têm essas condições. Então a gente sabe que se dedicou bastante para chegar até aqui — relata Davi.

A professora Janete Gobbi explica que esse é um dos grandes ganhos da iniciativa. Para ela, a Mostra permite que os estudantes assumam o protagonismo do processo de aprendizagem, desde a escolha do tema até a apresentação dos resultados.

— É o momento em que eles podem escolher o conteúdo e que eles são os protagonistas. Qualquer profissão que eles forem seguir, vão precisar ter essa relação. Queria muito ter tido essa oportunidade na minha época escolar — observa.

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