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IA deixa de ser projeto de tecnologia e passa a pautar estratégia das empresas no Amcham SX 2026

Evento reuniu mais de 600 lideranças em Flores da Cunha para discutir aplicações práticas da inteligência artificial, produtividade e transformação dos negócios
Evento teve programação voltada a casos práticos, gestão e transformação dos negócios (Foto: Klisman Oliveira)

A inteligência artificial deixou de ocupar apenas o espaço dos projetos de tecnologia e passou a integrar as estratégias de crescimento das empresas. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas durante o Amcham SX 2026, realizado nesta quinta-feira (13), na Vinícola Luiz Argenta. O evento reuniu cerca de 600 lideranças empresariais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul para discutir os impactos da tecnologia nos negócios.

Ao longo da tarde, especialistas de empresas como Google Cloud, Genesys, Oracle, Falconi e Whirlpool apresentaram tendências, desafios e casos práticos de utilização da IA. Entre os temas estiveram a evolução dos agentes de inteligência artificial, a relação entre tecnologia e pessoas, a qualidade dos dados e a necessidade de medir os resultados dos investimentos.

“A IA deixou de ser um simples projeto de tecnologia”

Na abertura das discussões, Daniel Prudencio, do Google Cloud, destacou a velocidade com que a tecnologia vem avançando e a necessidade de as empresas incorporarem o tema à estratégia.

Segundo ele, a velocidade de evolução da tecnologia exige que as empresas repensem a forma como encaram a inteligência artificial e o espaço que ela ocupa nas decisões de negócio.

— A IA deixou de ser um simples projeto de tecnologia para estar na agenda de crescimento de todo CEO — afirmou.

Prudencio explicou que a evolução da tecnologia pode ser observada desde os primeiros chatbots, que respondiam de forma reativa às solicitações, até os chamados agentes de IA, capazes de atuar dentro de processos e executar tarefas com maior autonomia.

Entre as aplicações, ele destacou a IA preditiva, utilizada para analisar dados e realizar previsões, como as de demanda; a IA generativa, voltada à criação de conteúdos e à aceleração de processos; e a chamada IA agentiva, que utiliza diferentes capacidades para tomar decisões e executar ações em benefício do usuário.

Para ele, os agentes podem ser utilizados em diferentes frentes das organizações: individualmente, para potencializar o trabalho dos funcionários; dentro de fluxos e processos; no relacionamento com clientes; e também na área de segurança.

— Não adianta escalar somente em tecnologia. Nós temos que escalar na capacitação e no letramento — destacou.

“A pessoa não quer falar com IA às vezes”

A relação entre IA e atendimento ao cliente foi o foco da apresentação de Ygor Voltolini, da Genesys. O executivo chamou atenção para um ponto considerado fundamental na adoção da tecnologia: a manutenção da participação humana em decisões críticas.

Pesquisas apresentadas durante o painel mostram que a maioria das empresas entende que decisões finais e de maior impacto devem continuar sob responsabilidade de pessoas.

A preocupação também passa pelo viés dos sistemas de IA. De acordo com os dados apresentados pelo executivo, um percentual relevante dos empresários considera a redução de vieses um fator fundamental para ampliar a adoção da tecnologia.

Outro desafio está na velocidade da evolução tecnológica. Uma solução considerada estratégica hoje pode perder espaço poucos meses depois diante do surgimento de uma ferramenta com maior capacidade ou melhor retorno sobre o investimento.

— Hoje eu invisto numa tecnologia e, daqui a dois, três, cinco ou seis meses, ela está obsoleta. Porque já tem uma tecnologia que vai trazer mais retorno de investimento — exemplificou.

IA e a nova relação com o cliente

A discussão também avançou para a transformação do mercado de trabalho. Para Voltolini, a tendência não deve ser simplesmente de substituição de pessoas por máquinas, mas de cooperação entre trabalhadores e inteligência artificial.

— Quem vai se sobressair no mercado de trabalho é quem sabe cooperar com a IA trabalhar com as ferramentas que a IA proporciona — afirmou.

Na relação com o consumidor, a tecnologia aparece como uma ferramenta para tornar a jornada mais simples e eficiente. O objetivo, segundo ele, não é eliminar o contato humano, mas conectar o atendimento automatizado ao atendimento realizado por pessoas.

— A pessoa não quer falar com IA às vezes — resumiu.

Ele apresentou ainda um case de atendimento em que a utilização de IA elevou a resolução das demandas no primeiro contato de cerca de 30% para 84%. O caso também registrou aumento de 11 pontos no índice de satisfação do cliente e ganho de produtividade superior a 400%, acompanhado de redução aproximada de 28% no tempo médio de atendimento.

“Trabalho cultural de trabalhar as pessoas”

A discussão sobre os desafios internos da transformação digital foi conduzida por Breno Barros, sócio e vice-presidente de Tecnologia da Falconi.

Para Barros, uma das primeiras decisões de uma empresa que pretende utilizar IA deve ser justamente definir onde a tecnologia faz sentido. A adoção acelerada, sem análise do processo e dos possíveis resultados, pode comprometer o retorno do investimento.

— Eu não posso ser afobado, eu tenho que fazer boas escolhas. Tenho que fazer um bom business case para ver se aquilo vale a pena. E esse trabalho cultural de trabalhar pessoas é superimportante. Não é só a tecnologia — destacou.

Barros também chamou atenção para o que classificou como uma espécie de competição interna entre áreas, quando departamentos adotam soluções isoladas sem uma estratégia comum para toda a organização.

A programação ainda contou com Danni Mnitentag, vice-presidente de Alianças e Canais para a América Latina da Oracle, e Taiane Silva, Head of Growth Analytics & AI na Whirlpool.

Realizado desde 2017, o Amcham SX é promovido pela Câmara Americana de Comércio no Rio Grande do Sul (Amcham RS) e conta com apoio da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias). A edição de 2026 ocorreu das 13h às 18h, em Flores da Cunha.

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