João José Pereira Parobé foi uma das figuras mais notáveis da história do Rio Grande do Sul no final do século XIX e início do século XX. Engenheiro, educador, militar e homem público, exerceu papel decisivo na modernização da infraestrutura e da educação técnica do Estado. Como homem público, ocupou por longos anos o cargo de secretário de Obras Públicas do Rio Grande do Sul, liderando importantes projetos de estradas, pontes, ferrovias e edifícios públicos.
O historiador Claudino A. Boscato, no Livro “Memórias de um Neto de Imigrantes Italianos” nos conta que a rua principal da então Nova Trento teria sido nomeada pelo próprio intendente Joaquim Mascarello. Como ele tomou posse em 1924, cremos, que o nome da rua que normalmente se chamava “Rua Grande”, como em outras cidades, não se tem a denominação anterior.
O intendente, Joaquim Mascarello, levou em consideração ao notável engenheiro e amigo dos imigrantes italianos, em reconhecimento aos inúmeros serviços e favores prestados à nossa zona colonial.
Na verdade o nome de Avenida 25 de Julho, é a data da chegada dos imigrantes alemães ao vale do Rio dos Sinos. Junto a esta data, juntou-se com o tempo, à celebração do “Dia do Colono e Motorista”.
Dr. João José Pereira Parobé foi um dos grandes construtores do Rio Grande do Sul moderno. Sua visão aliava desenvolvimento econômico, obras públicas e educação técnica, formando gerações de profissionais e deixando um legado que permanece vivo nas instituições que ajudou a criar. É lembrado como um dos mais destacados engenheiros, educadores e administradores da história gaúcha.
Carta ao pai
Pai,
Hoje vos escrevo com o coração aberto, atravessando o tempo, a saudade e o silêncio que a sua partida deixou.
Você partiu para a eternidade quando eu tinha apenas 3 anos e 3 meses. Eu era muito pequeno para compreender a vida, a despedida, a morte, ou mesmo a dimensão da ausência que você deixaria. Praticamente não tenho consciência da sua presença, a não ser daquele dia em que você se foi. E, ainda assim, de algum modo profundo, sua falta sempre esteve comigo.
É estranho sentir saudade de alguém de quem quase não se tem lembranças. Mas talvez a saudade não precise nascer só da memória; às vezes ela nasce do vínculo, do amor, daquilo que permanece na alma mesmo quando o tempo levou as imagens. Um dia, na hora do almoço, uma prima que nos visitava, perguntou: mas quem é o pai aqui?
Ao longo da vida, muitas vezes imaginei como teria sido crescer com você por perto. Pensei nos colos, nas conversas que não tivemos, nos conselhos que não ouvi, nos abraços que não mais recebi. Senti falta da sua presença em dias importantes, em fases difíceis, em conquistas e dores. Senti falta até daquilo que nunca cheguei a conhecer. Por isto, pai, cresceu valente, a mãe que nos encaminhou e encaminhou a família, com os seus nove filhos. Sua ausência também falou, também formou, também ensinou. De algum modo, você continuou presente no espaço vazio que ficou — e esse vazio também me ensinou sobre amor, sobre perda e sobre a força de seguir vivendo.
Hoje, se eu pudesse falar diretamente com você, talvez dissesse apenas o essencial: senti sua falta. Senti sua falta na infância, na juventude, na vida. Senti falta do pai que eu mal pude conhecer, mas que meu coração, de alguma forma, nunca deixou de procurar.
Também queria lhe dizer que, apesar da dor da sua partida, eu segui. Cresci, vivi, aprendi, caí e me levantei. Carreguei perguntas sem resposta, mas também construí caminhos. E, onde quer que você esteja, espero que possa me ver com carinho, com amor e com orgulho.
Se existe algo eterno entre pai e filho, então eu creio que esse laço nunca se perdeu. O tempo levou sua presença física, mas não conseguiu apagar o lugar que você ocupa dentro de mim.
Hoje, escrevo não apenas para lamentar sua ausência, mas para honrar sua existência. Você faz parte da minha história. Faz parte de quem eu sou. E sempre fará.
Com amor, saudade e silêncio.
Do seu filho “nenê” ou “Furiano”.
