Por trás de cada lavoura, há uma história. Quase sempre, uma trajetória de trabalho duro, persistência e raízes. Em muitos casos, também é uma história de amor. No caso de Silvia Mezomo Koch, 55 anos, a vida no campo carrega todos esses significados.
Nascida e criada na colônia, Silvia nunca viveu longe da terra. Na infância, acompanhava o avô e o pai no trabalho diário.
— Desde que me conheço por gente é esse o meu mundo. Eu herdei a terra e segui. A gente cresce ajudando, até que quando vê já sabe fazer tudo — relata.
Sua história de amor também floresceu no campo. Natural do Paraná, seu marido Wilson Koch chegou à Terra do Galo em busca de melhores oportunidades, após dificuldades com o cultivo de fumo.
— Nos conhecemos em um baile, como era costume, e começamos a conversar. Depois disso, fomos nos aproximando, até que começamos a vida juntos. Ele já era acostumado com a roça , a gente começou junto nas parreiras, aprendendo e se ajudando — lembra.

Mas a história foi interrompida cedo demais. Após oito anos juntos, Silvia perdeu o companheiro, há 25 anos.
— Era um companheirismo muito grande, porque na agricultura não tem como ser diferente. Ou os dois caminham juntos, ou não funciona. E com a gente funcionava muito bem, era uma parceria de verdade — lamenta.
Ajuda entre vizinhos
Diante da perda, Silvia encontrou no trabalho do campo uma forma de seguir em frente e, ao mesmo tempo, preservar a memória do marido.
— Continuar na agricultura é uma forma de manter ele vivo. Teve momentos em que pensei em parar… porque não é fácil. Mas, ao mesmo tempo, eu não tinha estudo para buscar outra coisa, e também sempre gostei disso aqui. Então fui ficando e fui seguindo — conta a agricultora.
A rotina na propriedade da Linha 80 exige disciplina e esforço físico. Durante o período de poda, os dias começam cedo. Às seis da manhã, Silvia já está no parreiral. Divide o tempo entre o trabalho na lavoura e as tarefas domésticas.
— A gente se ajuda muito entre vizinhos. Eu vou ajudar eles em alguns dias, depois eles vêm me ajudar. Como eu tenho mais uva, eles acabam vindo mais vezes aqui. É assim que a gente consegue dar conta, porque sozinho fica muito difícil — revela.
A produção é destinada à venda para vinícolas, mas o resultado final nunca depende apenas do esforço humano. O clima se tornou o principal fator de risco para quem precisa colher.
— O maior desafio é o clima, sem dúvida. Às vezes, em poucos minutos, vem uma geada ou uma chuva de pedra e acaba com tudo que você levou meses para cuidar. É uma coisa que não depende da gente, então dá uma insegurança muito grande — explica.

