Em muitas propriedades rurais, a sucessão representa o momento em que uma geração entrega o comando para a outra. Na família Fortunati, esse processo ocorreu de forma diferente. Aos 74 anos, Aparício Fortunati continua acordando cedo, dirige trator, corta lenha para o fogão, cuida da horta, poda as videiras e participa das principais decisões da propriedade.
Ao lado dos filhos Marcos, 43 anos, e Mateus, 41, viu um pequeno aviário de 100 metros, construído em 2007, dar lugar a uma estrutura que hoje reúne cinco galpões com 12 mil metros quadrados destinados à criação de frangos.
Embora pai e filhos sejam sócios, uma tradição permanece.
— A última palavra é sempre a minha, ainda que eu e meus filhos sejamos sócios. Quando vamos fazer um negócio, sempre vamos juntos. Se der certo, está ótimo, se der errado, somos os três que erramos — resume Aparício.
Assim que concluíram o Ensino Médio, Marcos e Mateus fizeram uma escolha que mudou o futuro da propriedade.
— Na época, a nossa propriedade era voltada aos parreirais, mas tínhamos o desejo de investir na avicultura. Foi então que uma empresa integradora nos procurou para iniciarmos a produção de frangos em parceria — detalha Marcos.
A propriedade da família tem nove hectares. Com pouco espaço para expandir as culturas tradicionais, a avicultura surgiu como uma alternativa para aumentar a renda e aproveitar melhor a área disponível.
— Começamos com um “galpãozinho” de 100 metros, em 2007, e deu certo. Em 2009 resolvemos ampliar. De 100 metros foi para 200, que na época já era um dos maiores da nossa região. Depois foi só evoluindo — relembra o filho mais velho.

O crescimento da propriedade caminhou lado a lado com a modernização da atividade. Em 2012, a família construiu o primeiro aviário climatizado da região, uma tecnologia que até então só era comum em Santa Catarina e no Paraná.
— A Penasul começou a expandir bastante o número de exportações e pediu para fazermos mais galpões. Foi quando resolvemos fazer o primeiro aviário climatizado. A Penasul fechou, mas migramos para um frigorífico de Garibaldi, que hoje foi comprado pela JBS.
Conhecidos como “dark house”, estes galpões permitem controlar a luminosidade e a temperatura do ambiente.
— Por serem escuros, conseguimos manter melhor o ambiente. É possível alterar a intensidade da luz e o frango fica mais calmo — explica.
“Nunca passou pela cabeça sair da agricultura”
Mesmo com a tecnologia transformando a rotina da granja, o trabalho continua essencialmente familiar. Marcos e Mateus se revezam diariamente nos cuidados com os aviários. As esposas também ajudam na propriedade. O pai Aparício permanece ativo, auxiliando em diferentes tarefas, enquanto um funcionário completa a equipe.
A chegada da avicultura mudou a rotina da propriedade, mas não afastou a família da viticultura. Os parreirais permanecem cultivados e ajudam a contar a história de quem escolheu continuar vivendo do campo.
— Tanto eu quanto meu irmão sempre gostamos de lidar com as uvas. Hoje não é nosso carro-chefe, mas ainda temos. Nunca passou pela nossa cabeça sair da agricultura — conta Mateus.
Os desafios também mudaram ao longo dos anos. Hoje, o clima é uma das principais preocupações, principalmente no inverno.
— O frango precisa sempre estar aquecido. Nós iniciamos o ciclo com 32 graus e vamos diminuindo meio grau por dia. A umidade e o frio nos atrapalham bastante.
As dificuldades são compensadas pelo significado do trabalho realizado todos os dias.
— Ser colono, é um serviço muito gratificante porque estamos produzindo alimento para o mundo inteiro. A JBS exporta para diversos países e isso faz com que a gente se dedique. Vemos o frango desde o primeiro dia até o abate. É gratificante saber que alimentamos pessoas do Brasil e do mundo. Fazemos tudo com amor e cuidado — conta Marcos, orgulhoso.

