A produção de vinhos suaves, elaborados com açúcar adicionado após a fermentação, precisa ser debatida. A Organização Mundial da Saúde está pressionando a produção de bebidas alcoólicas — e o vinho está presente nesta discussão — recomendando aos governos políticas de controle e combate ao consumo de álcool.
Uma das estratégias sugeridas pela OMS é o aumento de impostos. O próximo passo poderá ser a proibição da propaganda e da comunicação, como foi com o tabaco.
E o açúcar, onde entra nesta discussão? Cresce o debate sobre saudabilidade, alimentos ultraprocessados versus naturais, buscando estimular o consumo de produtos que vêm direto da horta e não possuem aditivos nem conservantes. Por isso, é importante o setor buscar alternativas à adição de açúcar na produção de vinho suave antes que surjam novas regras.
Assim como busca combater o álcool, a OMS defende o aumento do preço de refrigerantes e outras bebidas açucaradas para reduzir seu consumo. Considera os impostos sobre bebidas com açúcar uma das políticas mais eficazes para reduzir fatores de risco de doenças crônicas. Países como México, África do Sul e Reino Unido já adotaram esse tipo de tributação.
Nos vinhos, é preciso diferenciar os produtos com açúcar adicionado para ajustar o sabor após a fermentação daqueles que possuem açúcar residual natural, proveniente de uvas mais doces ou da interrupção da fermentação antes de completar seu ciclo natural.
O certo é que cresce o número de consumidores atentos aos ingredientes e processos produtivos antes da compra. No setor vinícola mundial, aumenta o interesse por vinhos de mínima intervenção, ditos naturais, que utilizam menos aditivos e conservantes. Da mesma forma, avançam os debates sobre alternativas para produzir vinhos NoLO (com baixo ou nenhum teor alcoólico).
Se queremos aumentar o consumo usando o discurso de que o vinho é uma bebida natural, proveniente da uva e parte da dieta alimentar, reduzir o teor de açúcar nos vinhos suaves, que representam grande volume de comercialização, é um dos temas que o setor deve debater.

