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Parla Talian: Um Templo que guarda a História de um povo

El raconto mostra la maraveia de un imigrante davanti a la beleça artistica e religiosa dela Giesa Matriz, fruto del lavoro e dela fede dei pionieri taliani a Nova Trento
(Foto: Divulgação)
Um mês depois de Salvatore ter chegado em Nova Trento em 1912,  por ter fama de ser um pedreiro exímio, num sábado de manhã,  foi convidado pelo então pároco, o francês Frei Domingos d’Entremont para auxiliar nos últimos retoques na construção da Igreja Matriz que em breve seria solenemente inaugurada.
Atendendo ao convite do Frei, ao adentrar no templo, Salvatore ficou boquiaberto ao deparar com o batistério, uma verdadeira obra de arte.
– Ma, padre, me par fin de esser in Itàlia!
– Ah, gavemo bio impegno de far de acordo cola cultura italiana.
– Ma gavio scominsià quando?
– Chi che ga fato el lansamento dela pietra fondamental l’è stà el Frei Roberto d’Aprieu, nel giorno 04 de disembre de 1904.
– Ma, e la architetura?
– El progeto l’è stà fato de un competente architeto de Cambery, Victor Démarié.
– Come cossita?
– El ga fato un belíssimo disegno gótico, lo ga invià a noantri e de là dela Frància el mandava le istrussion de come esecutar el progeto.
– Che maraveia!
– Dopo, magari, el Frei Roberto el ga fato araquante adatassion. Ma ndemo vanti.
A cada pormenor, Salvatore se detinha com sempre maior admiração. Ficava absorto com cada detalhe. “A bacia para a água benta, assim como o pedestal de sustentação eram feitos com o melhor mármore italiano.”
– Padre, me sento come se fusse nte na ciesa dela Itàlia.
“A parte superior onde eram guardados os óleos, o sal e outras coisas sagradas, era feita de madeira, imitando uma capelinha com formato hexagonal, superposta à bacia. O conjunto era constituído como uma preciosa e autêntica obra de arte sacra, entalhada e elaborada pelo grande artista italiano aqui radicado, o senhor Alexandre Micheletto.
Além do batistério, o mesmo mestre e artesão – entalhador em madeira – executou, com idêntica maestria, esmero e arte, o púlpito artístico com o Divino Espírito Santo entalhado em madeira dourada. A figura foi entalhada na parte interna do teto. Micheletto executou também o trabalho importantíssimo dos altares laterais do templo. Ninguém sabia entalhar a madeira com tanta perícia quanto ele. Suas obras eram igualadas somente pelas dos irmãos Victório e Caetano Coin, italianos de Veneza, também aqui radicados.” (Boscatto -1994)
Salvatore, a cada novo olhar, emitia um parecer
– I imigranti no i ga mia perso la arte de laorar cola madera. Ma, i matoni, zeli vegnesti de onde.?
– Chi che ga istalà la olaria e ga firmà el contrato l’è stà Giuseppe Paviani, ma chi che fato i matoni el ze stà el so fiol pi vècio, Primo Francesco Paviani e la so dona Josefina Lovatel Paviani,  col’aiuto de araquanti seminaristi del Convento dei Frati.
– Ma zèrela distante sta olaria?
Frei Domingos, apontando com o indicador para o lado oeste, continuou:
–  Nò, nò, la zera là via darente un bagnado, distante de qua, gnanca setessento metri.
O que também chamou a atenção de Salvatore, foram as decorações e pinturas murais feitas pelo célebre pintor Antônio Cremonese.
Embora a Igreja Matriz tivesse tido a primeira inauguração em 1912, os trabalhos para a conclusão da mesma continuaram até 1914, quando  Frei Geraldo de Gruffi assumiu como pároco, sendo a mesma reinaugurada oficialmente e entregue à população.
(Obs.Texto retirado do romance A ÚLTIMA MELODIA de Ivo Gasparin – págs 13/14/15/16)

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