Há quase três anos, o agricultor Luciano Guaresi, 25, adquiriu uma estação meteorológica para sua propriedade, localizada no Travessão Sete de Setembro, interior de Flores da Cunha.
O produtor conta que foi apresentado à novidade durante uma feira da Tecnovitis, em Bento Gonçalves, e, desde então, despertou a curiosidade. Ele lembra que, na época, não havia visto necessidade de colocar a estação, uma vez que possuía um parreiral antigo no sistema latado.
— Mas depois, quando surgiu a oportunidade de fazermos um hectare novo, a gente teve essa vontade de colocar a uva vinífera (em espaldeira) e de se diferenciar. Mas a gente também viu que essa variedade é mais sensível e que precisávamos ter cuidados maiores com a questão de levar a cultivar até o final da safra.
Atualmente, Guaresi possui 17 mil plantas de morango e seis hectares entre uvas comuns, Bordô e Isabel; e viníferas, Tannat e Cabernet Franc. Por meio dos sensores da estação meteorológica (que podem ser personalizados de acordo com a cultura e o manejo) ele consegue ter conhecimento sobre o índice de chuva, a velocidade do vento, a umidade e a temperatura do ar, a pressão atmosférica, a direção do vento, a umidade e a temperatura de solo, o molhamento e a temperatura foliar.
— A gente pode ver se a terra está muito seca e precisa irrigar ou não, e como a gente tem água limitada, para nós é fantástico já por essa questão. Ela também consegue avisar com antecedência se haverá formação de geada.
— Acompanhamos a questão dos graus/dia, que abaixo de 7,2 oC ela já começa a marcar como horas de frio, e para esse tipo de variedade de uva a gente precisa de pelo menos 400 horas de frio.
A um toque
O jovem monitora tudo pelo celular, por meio do aplicativo da estação e, mesmo que a novidade tenha sido adquirida com apoio financeiro da Sicredi e pensando no parreiral novo, ela acaba gerando diversos outros benefícios em seu dia a dia e contribuindo tanto para a uva quanto para o morango.
— Ela não te traz retornos financeiros de imediato, ela não vai te colocar grana no bolso, mas, em contrapartida, ela vai te orientar a deixar de fazer muitas coisas. Ela veio para informar que deve deixar de fazer um ou dois tratamentos no ano.
Guaresi avalia a implantação de mais oito estações como “um benefício muito grande para o município”, afinal os dados podem ajudar a comprovar situações determinantes para a cidade entrar em estado de calamidade pública, por exemplo.
— Questão de doença e de umidade de solo é muito particular, então o maior beneficiado seria a pessoa que tivesse com a estação na propriedade, mas isso não anula todos os outros benefícios que a gente poderia ver.

