Home Destaque Perícia confirma que incêndio iniciou na parte superior da Igreja Matriz de Flores da Cunha

Perícia confirma que incêndio iniciou na parte superior da Igreja Matriz de Flores da Cunha

A causa do fogo, contudo, ainda não foi esclarecida. Trabalhadores que faziam a reforma do telhado serão ouvidos na investigação

A análise do Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o incêndio que destruiu a Igreja Matriz de Flores da Cunha iniciou na parte superior, “próximo ao forro e ao telhado”. Apesar de não ser possível apontar o local exato, os indícios apontam para a região onde ocorria a reforma do telhado. O lado positivo é que os peritos apontam que a estrutura de alvenaria ficou preservada, reduzindo riscos de colapso.

O foco dos peritos, contudo, não era nesta parte de engenharia. O laudo busca apontar as causas do incêndio e repassar as informações para a investigação da Polícia Civil. A estimativa é que o estudo minucioso seja concluído em 30 dias. Neste momento, não é possível determinar a causa do incêndio.

A perícia foi realizada por quatro peritos na manhã desta terça-feira (26), com apoio do Corpo de Bombeiros. O local segue interditado em razão do risco de desabamento de parte do mezanino e do telhado. A Guarda Civil Municipal (GCM) permanece em vigília para evitar a aproximação de curiosos e são esperados tapumes para cercar o perímetro da  Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes.

Após a perícia, o coordenador regional do IGP na Serra, Airton Kraemer, e o perito engenheiro civil Cainã Amaral detalharam os trabalhos iniciais e as hipóteses investigadas. Confira a entrevista na íntegra:

O Florense: Como foi o trabalho da perícia no local?
Airton Kraemer: Fizemos um levantamento preliminar dos vestígios dessa ocorrência. Já conseguimos realizar o levantamento dos danos, registros fotográficos e também utilizamos drone, o que vai nos ajudar a entender tanto como o incêndio iniciou quanto a forma como ele se propagou até chegar aos danos que vemos hoje.

A perícia conseguiu identificar onde o fogo começou?
Airton Kraemer: Em um exame preliminar, os danos sugerem que o fogo tenha iniciado na parte superior da edificação, próximo ao forro e ao telhado. A partir dali, ele se alastrou para a parte inferior. Neste momento, essa é a principal hipótese sobre o foco inicial do incêndio.

O fato de o telhado estar em reforma é considerado?
Airton Kraemer: Certamente. Estamos em contato com a Polícia Civil, que conduz a investigação, para realizar a oitiva dos trabalhadores que atuavam na obra no dia anterior ao incêndio. Também buscamos acesso a imagens internas que possam fornecer mais informações e auxiliar na investigação.

Existe a possibilidade de curto-circuito ter causado as chamas?
Airton Kraemer: Fizemos o levantamento da parte de entrada da energização elétrica e, a princípio, a rede aparenta estar em condições normais. Não encontramos vestígios que apontem de forma inequívoca para um curto-circuito, pelo menos na entrada da energia. Neste momento, não podemos afirmar essa hipótese, mas também não podemos descartá-la.

Não há uma causa definida?
Airton Kraemer: Ainda não conseguimos determinar a causa. Já temos indicativos sobre o foco inicial e a dinâmica do incêndio, mas a causa ainda depende de uma investigação mais aprofundada.

Houve danos estruturais relevantes na igreja?
Cainã Amaral: As paredes externas e toda a estrutura principal da igreja são feitas em alvenaria de tijolo maciço. Embora a análise estrutural não seja o foco principal da perícia neste momento, a avaliação preliminar indica que a estrutura de alvenaria está bem preservada e não apresenta risco estrutural relevante. O dano maior ocorreu nas partes de madeira, como o mezanino e a cobertura do telhado.

A madeira antiga pode ter contribuído para a propagação do fogo?
Cainã Amaral: Sim. Todo material combustível, especialmente madeira seca, é altamente inflamável. Pela nossa experiência, edificações com estrutura, revestimentos ou cobertura em madeira permitem uma propagação muito rápida do fogo. Como o fogo se alastra muito rapidamente, muitas vezes o Corpo de Bombeiros não consegue chegar a tempo de salvar integralmente a edificação.

Como ficou a área do altar e da sacristia?
Cainã Amaral: O altar realmente permaneceu preservado devido às características da construção. Por ser construído em alvenaria com revestimento, por isso ficou bem preservado. Se fosse de madeira, provavelmente teria sido totalmente consumido pelas chamas. Já o revestimento interno, a cobertura e a rede elétrica foram bastante afetados. Apesar disso, a parte estrutural da igreja aparenta estar preservada.

Qual a próxima etapa da investigação?
Airton Kraemer: Esse é o ponto inicial da investigação. A Polícia Civil conduz o inquérito e nós atuamos em cooperação técnica. Com as imagens coletadas, as oitivas e os demais elementos, vamos analisar e testar hipóteses relacionadas à causa do incêndio. Agora começa um trabalho conjunto entre a perícia e a Polícia Civil.

Há prazo para a conclusão do laudo?
Airton Kraemer: A estimativa é de cerca de 30 dias para reunir todos os elementos, realizar as análises e concluir um estudo minucioso sobre o caso.

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