A comercialização de produtos vitivinícolas cresceu, em média, 20% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2025. Os números obtidos junto ao Sisdevin, da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul e catalogados pela Central das Cooperativas da Serra Gaúcha, apontam que o suco de uva integral foi o item que mais cresceu: 53,8%.
Na sequência, aparece o suco de uva concentrado que cresceu 18,5% no período comparado com igual trimestre do ano anterior. Os vinhos de mesa cresceram 12,6% e os vinhos finos e espumantes, cerca de 9%.
Franco Perini, presidente do Conselho de Administração da Vinícola Casa Perini, de Farroupilha, aponta que analisar apenas um trimestre não é suficiente para fazer projeções para o ano. Para ele, há fatores que podem interferir na comercialização e nas estratégias das vinícolas, como as questões climáticas e a Copa do Mundo, que tanto pode ser uma oportunidade como um desafio.
Sobre os números, ele aponta que sua vinícola tem tido crescimento ainda maior nos espumantes e estabilidade com o setor nos vinhos, seja de mesa ou fino.
Sobre a safra colhida no início do ano, a maior que se tem notícia, Perini aponta como fator diferencial deste ano:
— O aspecto positivo nas safras grandes é a possiblidade de escolher, de comprar matéria prima de boa qualidade e ter produtos em estoque de alto padrão. Isto pode impulsionar positivamente as vendas.
André Donatti, gerente Geral e enólogo-Chefe da Vinícola Campestre, de Vacaria, concorda que o primeiro trimestre foi bom, mas o mês de abril já aponta para queda nas vendas.
— Ainda é cedo para ter uma ideia de como será o ano. O comprador do supermercado sabe que tem estoque, mas não enxerga os custos em alta e por isso pressiona por preços menores — argumenta.
Copa do Mundo e final do ano
A Copa do Mundo poderá ser um grande momento para os espumantes. É o que espera o dirigente Franco Perini.
— O espumante tem ganhado força neste tipo de evento e as janelas dos jogos são em horários favoráveis para as pessoas se reunirem, o que pode estimular a venda de vinhos — afirma.
Para ele, mesmo que historicamente o futebol esteja conectado à cerveja, que fará fortes investimentos em marketing, o fato de a Copa ser realizada durante o inverno brasileiro pode agregar ao crescimento do espumante no país e ter um reflexo positivo também para as vinícolas gaúchas e brasileiras.
Se a Copa pode ter impacto positivo, há outros fatores que preocupam as lideranças do setor vitivinícola. Há um cenário que indica o acirramento dos efeitos do ‘El Niño’ no segundo semestre, com chuvas acima da média, o resultado das eleições e, principalmente, o impacto que a reforma tributária trará no preço dos vinhos, a partir do ano que vem.
— A reforma tributária é uma incógnita, pela carga real que será aplicada aos produtos — explica Franco Perini.

