A premiação da Escola São José no Alfabetiza Tchê é vista como um reconhecimento ao trabalho de toda a rede escolar municipal pela Secretaria de Educação e Desporto de Flores da Cunha. Afinal, as mesmas metodologias e qualificações de professores são oferecidas às 11 escolas do município — o que faz com que o destaque de uma unidade represente, na prática, um esforço coletivo.
A secretária-adjunta de Educação, Grazielle Dall Acua, aponta que o resultado está inserido em uma política pública mais ampla de alfabetização, que envolve ações articuladas entre União, Estado e município. Na prática, isso se traduz em um conjunto de ações contínuas que culminam em avaliações periódicas.
— Quando uma escola é reconhecida, é como se todas fossem, porque o trabalho é feito em rede de verdade. É um trabalho muito conjunto de fortalecer o município em prol da alfabetização — aponta.
Um dos eixos centrais é a formação de professores. Uma vez por mês, todos os educadores do 1º e 2º ano participam de encontros promovidos pela Secretaria, com quatro horas de capacitação voltadas à alfabetização. Nessas formações, são compartilhadas práticas, discutidos desafios e alinhadas metodologias que depois são levadas para a sala de aula.
— A mesma formação que o nosso professor do município está recebendo, o professor do Estado também está recebendo em conjunto — reforça Grazielle sobre a padronização na educação.
Sobre o recente reconhecimento do Alfabetiza Tchê, conquistado pela Escola São José, a secretária-adjunta aponta que há critérios específicos. Mais do que a nota em si, o que define as escolas premiadas é a evolução ao longo dos anos.
— Às vezes, uma escola que já tem índices altos não é premiada, porque o prêmio valoriza o crescimento. Já outras que avançam mais acabam se destacando — explica Grazielle, lembrando que a Escola Benjamin Constant foi premiada no ano passado.
A Escola São José obteve índice de 77,20 no Índice de Qualidade de Alfabetização da Escola (IQAe), descrito como muito bom pela Secretaria Municipal. Sobre os demais educandários, Grazielle garante que tiveram índices em um patamar semelhante.
— As nossas escolas ficaram muito bem colocadas. Talvez não tenham chegado nas 200 (premiadas pelo Alfabetiza Tchê), mas ficaram muito próximas em questão de proficiência — exalta.
Município foi reconhecido com Selo Prata em avaliação nacional
O programa estadual Alfabetiza Tchê está vinculado ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação, que certifica estados e municípios pelo fortalecimento de políticas públicas. Nas últimas duas avaliações, Flores da Cunha foi reconhecida com o selo nível prata.
De acordo com Grazielle, a iniciativa federal está em evolução constante e, no último ano, considerou mais de 50 critérios, incluindo alguns aspectos que fazem sentido no contexto de Brasil, mas que não são uma realidade em Flores da Cunha.
— Tem critérios ligados a quilombolas e educação do campo. Nós temos escolas na zona rural, mas não com esta “educação do campo” que envolve o trabalho em casa. São dois critérios de realidades que Flores da Cunha não possui — exemplifica.
Estes critérios limitam a pontuação de municípios da Serra, mesmo com bons indicadores educacionais — e tornam improvável a conquista de um selo Ouro, no entendimento da secretária-adjunta. Ainda assim, a avaliação interna é positiva e o reconhecimento da Escola São José reforça um trabalho integrado que tem na alfabetização uma de suas principais prioridades.

