Que história vale a pena contar? É a partir dessa pergunta que os estudantes da Escola Estadual São Rafael, de Flores da Cunha, dão início, todos os anos, ao processo criativo do Festival de Cinema Estudantil Astro. Antes das gravações, o festival começa no papel.
Na última semana, iniciaram oficialmente a organização para a 27ª edição do Astro. As turmas do Ensino Médio começaram a desenvolver os roteiros que poderão se transformar nos curtas-metragens exibidos no festival deste ano. Ao todo, 25 turmas podem apresentar suas histórias, mas apenas 15 filmes avançarão para a etapa de produção.
Neste primeiro momento, os alunos estão concentrados na fase de escrita. Os roteiros completos devem ser entregues até o dia 30 de março, quando se encerra o prazo de inscrição das propostas.
— Nós já realizamos a oficina de roteiro técnico e agora os alunos estão trabalhando na construção das suas histórias Depois disso, fazemos a avaliação e selecionamos os filmes que avançam para a fase de produção — explica a coordenadora do projeto Taísa Verdi.
Por onde começar
A primeira atividade da edição ocorreu na semana passada, com a realização da oficina de roteiro técnico ministrada pelo jornalista Pedro Henrique dos Santos, 29 anos. Durante o encontro, os estudantes receberam orientações sobre estrutura narrativa, construção de cenas e organização do roteiro cinematográfico.
— É sempre muito legal estar com os alunos. A proposta é abordar como tirar a ideia do papel e transformá-la em uma história coerente, envolvente e original. O trabalho com os alunos é este: tentar ensiná-los como transportar o que eles sonharam para uma tela de cinema. Pude sentir a cabecinha deles borbulhando de ideias— afirma Pedro.
Ex-aluno da escola, ele conhece de perto o impacto do festival na trajetória dos estudantes. Ao longo de todo o seu Ensino Médio, participou da produção de filmes que foram, inclusive, premiados, e hoje retorna ao projeto com um outro olhar.
— O Astro nunca saiu de mim. Depois da escola continuei participando, avaliando roteiros, sendo jurado e ministrando oficinas. É um projeto que marca muito quem passa por ele — acredita.
Após a entrega dos roteiros, a equipe do projeto fará a avaliação das propostas até o dia 15 de abril. Os 15 filmes selecionados serão anunciados no dia seguinte, marcando o início da fase de produção dos curtas. As exibições da 27ª edição do festival estão previstas para os dias 9, 10 e 11 de setembro.
Incentivo aos estreantes
Entre as novidades da edição de 2026 está a criação da categoria Melhor Filme de Estreia, destinada às turmas de primeiro ano do Ensino Médio. A proposta busca incentivar os estudantes que estão participando do festival pela primeira vez.
— A gente percebeu a necessidade de trabalhar mais com as turmas iniciantes. Essa premiação é uma forma de valorizá-los e também de dar mais segurança para que se sintam preparados para fazer o filme — destaca Taísa.
No total, os curtas-metragens continuam concorrendo em 22 categorias, incluindo premiações mais tradicionais como a de Melhor Filme.
Mostra de ex-alunos retorna ao festival
Outra iniciativa retomada nesta edição é a mostra paralela destinada a ex-alunos da escola. A proposta foi realizada em 2024, quando o Astro completou 25 anos, e retorna agora após pedidos da própria comunidade. A ideia é abrir espaço para que antigos participantes do festival produzam novos curtas e voltem a exibi-los durante a semana do evento.
Entre os que já viveram essa experiência está o produtor de eventos Samuel da Silva, 24, que participou da mostra em 2024 como diretor de um curta ambientado na década de 1950. A história retratava um romance proibido entre duas mulheres, desenvolvido a partir da troca de cartas entre as personagens.
— A gente volta com outra cabeça, com outras vivências e com técnicas que aprende na faculdade e no trabalho. Mas a base de tudo começou lá no ensino médio, quando tivemos a primeira experiência com o audiovisual — observa.
“Devolveu a capacidade de sonhar”
Outro ex-aluno que também participou da mostra de 2024 foi o jornalista Pedro Henrique dos Santos — o mesmo que conduziu, neste ano, a oficina de roteiro técnico para os estudantes. Na edição especial de 25 anos, ele integrou a programação com o curta “Às Nove em Ponto”.
— Fazer novamente um filme, vê-lo exibido no telão e reunir uma galera talentosa foi uma experiência incrível. De certa forma, nos devolveu um pouco daquela capacidade de sonhar que a gente tinha na adolescência e que o Astro sempre despertou — relata.
O filme acompanhava a história de três casais cujas trajetórias se cruzavam naquele espaço, revelando encontros inesperados e relações construídas ao acaso.
— Não foi exatamente voltar ao Astro, porque dele eu nunca saí. Foi revisitar uma fase muito especial da minha vida e também uma forma de devolver à escola um pouco do que ela me proporcionou — afirma.
Pedro também pretende participar novamente da mostra nesta edição. Para os alunos que estão escrevendo seus primeiros roteiros, ele deixa um conselho:
— Ousem. Dediquem-se. E, principalmente, divirtam-se. A união entre originalidade, dedicação e diversão no Astro é imbatível e, certamente, vai produzir um resultado que ficará na memória por ano — orienta.
Ex-alunos interessados em participar da mostra paralela de curtas podem entrar em contato diretamente com a coordenação do projeto para obter informações sobre o regulamento e o processo de inscrição. O contato deve ser feito com a coordenadora Taísa Verdi, pelo telefone (54) 99925-8662.

