Home Destaque Encontro “Meninas do Martinho” reúne mulheres de todas as idades para celebrar

Encontro “Meninas do Martinho” reúne mulheres de todas as idades para celebrar

Fundadora, Doralice Galiotto não imaginava que o evento continuaria acontecendo 17 anos depois
Liderado por Doralice Galiotto, o grupo fez questão de registrar o primeiro encontro, em 2008, em frente à Igreja do Travessão Martins (Foto: Acervo pessoal, Divulgação)

Mesmo morando há mais de quatro décadas no município vizinho, em Caxias do Sul, Doralice Galiotto, 72 anos, não esquece suas origens: ela nasceu no Travessão Martins, interior de Flores da Cunha.

Foi o desejo de continuar mantendo contato com as meninas que eram suas amigas de infância e adolescência, da época da escola e catequese, que levou a aposentada a organizar o encontro chamado carinhosamente de “Meninas do Martinho”. O que ela não imaginava é que 17 anos depois o evento continuaria envolvendo as mulheres da comunidade anualmente.

Doralice lembra que a ideia surgiu enquanto cuidava de sua falecida mãe, Maria Alice Tronco Galiotto, que estava acamada e sofria de Alzheimer.

— Um dia quando estava sentada, do lado de fora do quarto, porque a mãe estava em cama hospitalar, fiquei perto da janela e comecei a pensar. Ela já tinha me pedido como queria que fosse o enterro e o velório na igreja de São Martinho. Isso me fez pensar comigo mesma: “No dia em que a mãe se for, eu vou encontrar todas as minhas amigas lá”. Só que esse pensamento levou a outro: “Que coisa mais chata ir se encontrar no velório”. Foi nesse momento que decidi que depois que a mãe se fosse eu iria fazer um encontro com as meninas da minha época — detalha a florense.

E assim ela fez. No dia 8 de junho de 2008 foi realizado o primeiro encontro “Meninas do Martinho”. O evento ocorreu na casa do irmão de Doralice, Pedro “Pedrinho” Galiotto, que adorava cozinhar e aceitou fazer o almoço para um grupo de 35 mulheres. A reunião teve a temática dos anos 1970 e as jovens senhoras vestiram roupas daquela década.

— Mas foi tão bom. Tinha gente que fazia 30 anos ou mais que a gente não via. E assim surgiu a ideia, daí nós resolvemos fazer de novo, não vamos deixar morrer, estamos fazendo até hoje, já vamos para o 17º encontro — conta Doralice

“Toda vez é uma surpresa”

Além da aposentada, quem trabalhou na linha de frente do evento de estreia foi sua cunhada, Aparecida Molon Galiotto (in memoriam), além de Claire Stuani e Terezinha Demoliner Boniatti. As 35 participantes gostaram tanto do evento que continuaram colaborando para que ele se perpetuasse.

— No dia da festa a gente já elege quem vai organizar a próxima. Então elas têm um ano inteiro para decidir onde e como vai ser. Se querem trajes (temáticos) ou não. Quando cada uma assume, ela vai decidir o que ela vai fazer, onde fazer, o que vai ter para comer e se vai ser almoço ou jantar — explica Doralice, acrescentando que a coordenação do evento costuma ser formada por um grupo de três ou quatro mulheres.

A aposentada enaltece que um dos pontos positivos do evento é justamente o fator surpresa, afinal as linhas de frente de cada encontro têm liberdade para escolher o que vai ser feito:

— Toda vez é uma surpresa! Elas não contam o que vão fazer. A gente recebe o convite e vamos descobrir lá no dia o que vamos comer, tudo é surpresa. Por isso, quanto mais segredo, mais gostoso. Se a gente já sabe tudo o que vai ter perde até a graça.

A dedicação e a união das mulheres em torno do encontro ganhou até um hino, que teve como base a tradicional música “Querência Amada”, de Teixeirinha. O hino da amizade das “Meninas do Martinho” foi criado há cerca de oito anos pela integrante Fátima Caldart Galiotto, que também é natural do Travessão Martins.

“Uma forma de a gente não se encontrar só em velório”

Pouco mais de 10 anos após a realização do primeiro evento algumas mudanças começaram a ocorrer. Uma delas foi a decisão de incluir as gerações mais jovens para assegurar a continuidade do encontro, fato que ocorreu após a pandemia de Covid-19.

— Começamos incluindo primeiro aquelas que já tinham 16 e 17 anos nascidas lá. Agora, começaram a trazer as pequeninhas (de 6 anos) que são nascidas no Travessão Martins e elas acabam vindo com as mães, que não são de lá. Então hoje acaba não sendo apenas meninas nascidas no Martinho que participam, mas continuamos chamando de “Meninas do Martinho” — explica Doralice, que brinca:

— É uma forma de a gente não se encontrar só em velório e se encontrar em festa!

Outra mudança foi em relação à data do encontro. Inicialmente realizado em junho, nos últimos anos ele está ocorrendo em outubro, por ser um mês mais quente e possibilitar às participantes usarem vestimentas típicas definidas pela coordenação. O grupo já fez festas com temática junina, farroupilha, cores específicas, décadas e muito mais.

O evento que inicialmente teve como cenário o salão comunitário do Travessão Martins, com o tempo passou a ser realizado em diferente locais, como a Associação dos Motoristas, o Salão Paroquial e o antigo Clube São Luís. Ano passado, o encontro foi no Restaurante Família Pagno, em Nossa Senhora do Carmo. O local é uma das escolhas da coordenadora que, neste ano, será Mônica Caldart.

“Ela levanta e vai de novo”

Com o passar dos anos o evento foi tomando uma proporção maior, característica que Doralice atribui à persistência das mulheres:

— Nós somos fortes, nós decidimos as coisas. A mulher, quando ela diz que vai fazer alguma coisa, ela vai lá e faz. A mulher faz quatro, cinco serviços juntos e se tu pedir alguma coisa, ela vai te responder mesmo quando está cuidando da cozinha, do fogão, da pia, da máquina lavar e da criança. Ela não tem medo do tombo, ela levanta e vai de novo.

Por outro lado, a aposentada destaca que a reunião anual das meninas tem provocado “ciúmes” nos homens, mas que eles “não se organizam” para fazer um encontro deles.

— A gente deu mil ideias para eles fazerem (um encontro) dos meninos. Mas o homem não é que nem nós. Que nem minha nonna dizia, a mulher é as três colunas da casa, o homem é uma só.

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