Em cargos de liderança, mães, empreendedoras e responsáveis por uma rotina intensa, três mulheres de Flores da Cunha mostram que conciliar trabalho, família e vida pessoal ainda é um dos maiores desafios da vida moderna. Histórias como as de Paula Garibaldi, Gabriele Borges e Cristiane Tomé Moré revelam como organização, rede de apoio e resiliência fazem parte do cotidiano feminino.
São exemplos de protagonismo que estão muito próximos e fazem parte da convivência em Flores da Cunha. Em homenagem a este 8 de março, Dia Internacional da Mulher, elas compartilham suas trajetórias e reflexões sobre o que significa ser mulher hoje.
Afinal, no último século, as mulheres conquistaram muitos espaços e quebraram diversas barreiras, desde a luta pelo direito ao voto até a liderança em setores antes dominados por homens. Mas, apesar dos avanços, ser mulher ainda significa enfrentar obstáculos diários, como a desigualdade salarial, a dupla jornada e a pressão por padrões de beleza inalcançáveis.
Neste cenário, é bom ouvir conselhos de outras mulheres que também perseguem seus sonhos e podem servir de inspiração. Mais do que morar em Flores da Cunha, Paula, Gabriele e Cristiane compartilham trajetórias que as levaram a cargos de liderança e a precisarem de muita rotina para dar conta de tudo que envolve ser mulher.
Para a gerente geral da agência Agro da Sicredi em Flores da Cunha, Paula Garibaldi, ser mulher é conseguir pedir ajuda e não se cobrar tanto.
— Ser mulher é ser frágil, é a gente pedir ajuda. A gente tem que reconhecer que a gente não é Mulher Maravilha, porque vai chegar uma hora em que vamos estourar, seja com doença, seja com família. Temos que ter esta noção.
Paula cita que as meninas são criadas para dar conta de tudo, mas que é fundamental olhar para si e saber os seus limites:
— Temos que saber que somos seres humanos tanto quanto qualquer outro e que somos frágeis, sim. Temos que pedir ajuda, sim. Mas, acima de tudo, por que a gente precisa pedir essa ajuda? Porque a gente precisa se olhar de verdade e parar de se cobrar tanto.
A proprietária da Viva Vida Academia Feminina, Gabriele Borges, destaca que, mesmo em 2026, as mulheres ainda precisam provar que são capazes de exercer cargos de liderança:
— A gente sempre tem que estar dando o nosso máximo para mostrar que realmente conseguimos fazer tudo, porque a gente ainda vive em um país machista. Precisamos sempre estar mostrando que a gente consegue, que podemos, que também temos o direito e o poder de estar ali, de estar à frente das coisas, de ter e conquistar o que a gente tem — desabafa.
Gabriele considera que ser mulher é ser “a base de tudo”, pois parece que tudo gira em torno da mulher, tanto no trabalho quanto em casa. Sentimento compartilhado pela sócia-proprietária da Nova Auto Mecânica, Cristiane Tomé Moré. Ela enfatiza que cada mulher tem suas limitações e que é praticamente impossível dar conta de tudo sozinha:
— A gente dá conta, de certa forma, mas precisamos de uma segunda mão, uma segunda proteção porque senão não consegue. Por isso eu digo que: “ser mulher não é para homem”!
“Faz a gente se enxergar como mulheres”
Ela é pura inspiração. Aos 42 anos, Paula Garibaldi é conhecida por seu trabalho como gerente geral da agência Agro da Sicredi em Flores da Cunha, um cargo de liderança que exerce com exímio, mas nem sempre foi assim.
A florense começou lavando cabelos em um salão de beleza e foi olhando para as mulheres que iam se arrumar e para seus empregos que ela se inspirou para suas escolhas profissionais, como a formação em Direito. Há 18 anos, trabalha na Sicredi e destaca que o estereótipo das pessoas que atuam em instituições financeiras vem se modificando ao longo do tempo.
A gerente geral acredita que a imagem dos profissionais com terno e salto alto ainda prevaleça, mas ressalta que a prioridade é se adaptar ao que o associado demanda:
— A gente acaba tendo um empoderamento e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. Mas a vida não é esse glamour todo. Principalmente nós, hoje, que trabalhamos com o Agro, eu acho que a gente está muito numa questão de estar parecido com as pessoas que a gente atende, para que realmente as pessoas se sintam bem e acolhidas. Eu não tenho como ir para uma visita no interior, por exemplo, com salto alto. A gente sempre brinca que usa o salto aqui dentro da agência, mas se formos no meu carro, vai ter a bota para a gente ir visitar as propriedades.
A versatilidade exigida dos profissionais é a mesma que a florense precisa ter diariamente para conseguir conciliar todas as suas atividades. Afinal a Paula que é gerente da Sicredi é a mesma que é mãe do João Afonso Garibaldi Corso, 6; esposa do empresário Marcelo Corso, 46; filha da Susana Bebber Garibaldi, 67, e do Luiz Paulo Garibaldi, 70; e irmã gêmea do Istael Garibaldi.
— O que é o segredo disso tudo? A gente tem que ter rotina. Se a gente não tem rotina, a rotina vai consumindo a gente e a gente vai ficar doente. E eu precisei ter horários, ter uma organização. Eu abri mão de algumas coisas, por cinco anos eu não olhei para mim como mulher. Eu não fiz academia, eu não me cuidava — revela a florense ao contar sobre o período do nascimento de seu filho, em meio à pandemia de Covid-19.
Cinco anos depois, com seu pequeno frequentando escola, futebol e inglês, ela observa que o casal conseguiu se adaptar melhor à rotina, e passou a cuidar mais de si mesma. Hoje ela faz atividades como Bungee Fit, eletroestimulação com pilates, massagem e mantém a unha sempre em dia.
— Se eu pudesse deixar um recado para outras mulheres eu diria que eu precisei abrir mão (do autocuidado) por conta deste momento (da maternidade), mas a gente não deveria abrir mão. Eu acredito que a gente tem, sim, desde o início, que tentar conciliar isso tudo. E não é só pela questão estética, é principalmente pela questão mental. Acho que isso nos ajuda, faz a gente se enxergar como mulheres.

