Depois de um ciclo marcado por expectativas moderadas, os parreirais gaúchos começam a desenhar um cenário mais promissor do que o inicialmente projetado. À medida que a colheita avança no Rio Grande do Sul, os números observados no campo indicam que a safra de uva 2025/26 deve surpreender positivamente o setor vitivinícola, tanto em volume quanto em perspectiva de qualidade.
A nova leitura do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) aponta para uma produção que pode se aproximar de 900 milhões de quilos de uva em todo o estado. O volume revisado supera com folga as estimativas divulgadas no final de 2025, quando o setor trabalhava com a projeção de cerca de 800 milhões de quilos de uva destinada à indústria, com crescimento entre 5% e 10% em relação ao ciclo anterior.
Segundo o presidente do Consevitis-RS, Luciano Rebellatto, o avanço da colheita trouxe dados mais consistentes e animadores.
— A colheita está mostrando um volume maior. Hoje acreditamos em um crescimento próximo de 15%, chegando a cerca de 850 milhões de quilos de uva indústria. Somando também a uva destinada ao consumo in natura e ao vinho artesanal, podemos alcançar aproximadamente 900 milhões de quilos. Considerando produções que não entram nas estatísticas oficiais, esse volume pode ser ainda maior — destaca.
Além da quantidade, a atenção do setor se volta para o comportamento da qualidade ao longo da safra. As primeiras variedades colhidas apresentaram variações, reflexo direto das condições climáticas enfrentadas no início do ciclo. No entanto, esse cenário começou a mudar nas últimas semanas.
De acordo com Rebellatto, as uvas colhidas a partir da segunda quinzena de janeiro já demonstraram evolução significativa.
— Hoje temos uma qualidade considerada mediana, e a tendência é que melhore com mais insolação e com o avanço da maturação. Para o período de fevereiro, a expectativa é de uma qualidade superior à colhida até o momento — considera.
Outro aspecto observado nesta safra é o atraso no início da colheita, estimado entre 15 e 20 dias em comparação ao ano anterior. Apesar disso, o Consevitis-RS descarta qualquer preocupação. Conforme lembra o presidente da entidade, cada safra responde às particularidades climáticas de seu ano, e historicamente o pico da colheita no estado sempre se concentra entre fevereiro e março.

