Texto: Shamilla Carpegiani
Claudette King carrega a soberania não só no sobrenome. Filha do Rei de Blues, o guitarrista B.B. King, ela está em turnê pelo Brasil comemorando o centenário do pai e mostra que assume o trono de Rainha do Blues, não só pelo legado, mas pelo seu talento, carisma, simplicidade e força. Por mérito da APAC – Associação dos Produtores de Arte e Cultura de Flores da Cunha, a Terra da Fenavindima teve o privilégio de receber um show inesquecível na última sexta-feira (12), no Cheers Eventos.
Desde sua chegada, Claudette encantou. Simpática, receptiva e atenta, mostrou generosidade nos bastidores e uma parceria afetuosa com a banda Hard Blues Trio e a pianista Mari Kerber, que a acompanharam. Na passagem de som, fez uma promessa:
— Meu show será completamente diferente dos shows de blues que vocês estão acostumados a ver.
E cumpriu. Diferente do tom melancólico que marca o estilo, entregou uma apresentação vibrante, interativa e cheia de vida.
Claudette se aproximava da plateia com intensidade
— É sempre maravilhoso. Toda vez que eu me apresento, não importa aonde estou, eu interajo com o público para que eles possam ver e sentir o que eu carrego”, contou à produção.
O centenário de B.B. King foi celebrado em cada acorde. Claudette fez da memória do pai um presente coletivo, especialmente em “The Thrill Is Gone”, que teve a participação do guitarrista e organizador do evento, Felipe Corso.
— A coisa mais importante em celebrar os 100 anos do meu pai é mantê-lo vivo, manter a memória das pessoas sobre ele, deixar que sintam a linhagem e o espírito lançados sobre eles.
Fica evidente que Claudette não é apenas herdeira do legado, foi também mensageira de uma causa. Em sintonia com o tema do Flores Blues Jazz Festival 2026, “Look At Her”, destacou a força das mulheres na música.
— Eu vejo mulheres fortes, independentes, que fazem o que querem, colocam estrutura e ainda são lindas — afirmou.
Essa visão tomou forma quando, em gesto memorável, chamou diversas mulheres ao palco, destacando a história da Cássia, funcionária do bar que trabalhava no banheiro. Claudette narrou sua história e enalteceu sua luta para sustentar os filhos mantendo quatro empregos. O público aplaudiu de pé.
Foi nesses gestos que a rainha mostrou o brilho real da sua coroa: a humildade. Ela não apenas cantou, mas dividiu o palco, a atenção e a luz com outras mulheres. E, naquela noite, todos foram súditos de uma rainha do blues. Porque, afinal, se for pra ser princesa, que seja de uma rainha dessas.

