Há casas que parecem nunca ficar vazias. A de Leonilda Boldrin é uma delas. Aos 100 anos, completados no último sábado (11), a centenária paduense continua fazendo o que mais gosta: receber visitas, conversar e observar o movimento da rua da sacada, onde passa boa parte das tardes.
Ao refletir sobre este um século de vida, Leonilda não fala de grandes fórmulas. Prefere lembrar das origens e da família reunida.
— Eu cresci na colônia, e esse é um dos segredos para chegar aos cem anos. Cresci, casei e é uma alegria ter meus filhos por perto. Ver todo mundo reunido para comemorar o meu aniversário foi muito bonito — exalta, em uma fala que resume o que mais valoriza.
A comemoração do centenário reuniu filhos, netos e amigos em uma missa na Igreja Matriz. Ao redor dela estavam as pessoas que ajudam a contar a história construída ao longo de um século. A filha Anita Gelain resume a mãe em poucas palavras, mas sem deixar dúvidas sobre a marca que ela construiu ao longo do tempo.
— Ela é uma mulher forte, muito simpática, com um coração muito grande. Sempre rezou por todas as pessoas e foi muito trabalhadora — ressalta.
Esse jeito acolhedor fez com que a centenária também ajudasse a cuidar de um menino que, anos mais tarde, se tornaria prefeito de Nova Pádua. Enquanto a mãe de Itamar Bernardi, o Kiko, cuidava de um bebê recém-nascido, Leonilda dividia a rotina da família.
— Ele gostava tanto da mãe que ficava revezando entre a casa dela e a da mãe dele. Para nós, ele sempre foi como um irmão — conta Anita.
Rotina tranquila
Há 25 anos, Leonilda deixou o Travessão Bonito para morar no Centro. A mudança atendeu a um desejo de ficar mais perto da igreja, do banco e do posto de saúde. Os dias agora seguem em outro ritmo. Leonilda dorme bastante, como orientaram os médicos, gosta de passar um tempo na sacada observando o movimento da rua, bebe bastante água e costuma comer de três a quatro ovos por dia.
As visitas continuam fazendo parte da rotina, e a casa permanece de portas abertas. E há outra tradição que permanece intacta no fim das tardes.
— Ela ama jogar cartas. A gente senta para jogar e ela não cansa. Sempre estimulamos que conte os resultados das partidas — conta a filha Carmesita Gelain.
As lembranças também rendem boas risadas. Carmesita recorda que a mãe e uma de suas melhores amigas passavam horas conversando na cozinha. Em uma dessas tardes, esqueceram a torneira do tanque aberta e só perceberam quando a água já havia invadido a casa.

