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Otávio Rocha oferece o seu “coração” para o Brasil

De um descampado à uma Praça Regional
(Foto: Divulgação)

A história das comunidades também se constrói por meio dos símbolos que elas escolhem cultivar. Em Otávio Rocha, um desses símbolos nasceu de forma concreta e visível quando um descampado foi transformado na Praça Regional da Uva, inaugurada em 1980. Mais do que um espaço urbanizado, tratava-se de uma afirmação cultural enraizada na tradição vitivinícola que moldou a região. Adaptando essa ideia à realidade local, propôs-se que municípios produtores trouxessem mudas de parreira para compor o espaço. Cada videira plantada não era apenas ornamental: representava famílias agricultoras, trabalho coletivo e a identidade econômica e cultural da região.

Mesmo sem status administrativo de município, o distrito traz uma história ligada a uva e o vinho desde a chegada dos imigrantes italianos.

Monumentos, arborização e parreiras compunham uma paisagem que não apenas embelezava o local, mas comunicava pertencimento histórico. Com o passar do tempo, novas visões estratégicas passaram a orientar o planejamento urbano e turístico. A reformulação do espaço e a projeção de um alcance nacional, inseridas em iniciativas mais amplas de valorização institucional da vitivinicultura, introduzem um novo capítulo nessa narrativa.

A praça que nasceu para integrar municípios vizinhos torna-se espaço de representação ampliada, mantendo no solo a memória de sua concepção original. Tal processo lembra a própria prática vitícola: o enxerto que permite crescimento e adaptação, preservando a raiz que sustenta a planta.

Assim, a trajetória da praça ultrapassa a materialidade de suas estruturas. Ela representa a capacidade comunitária de imaginar, construir e reinterpretar símbolos ao longo do tempo. Entre raízes regionais e projeções nacionais, permanece viva a memória que sustenta o sentido mais profundo desse espaço: a ligação permanente entre terra, cultura e trabalho humano.

Argumentos históricos de em centro vitivinícola

Nos anos de 1882 e 1883, chegaram à região da atual Otávio Rocha, imigrantes todos da Província de Vicenza. Com os mesmos falares, alimentação, culturas agrícolas, aqui implantaram vinhedos e começaram a fazer vinho.

A presença do imigrante Felice Veronese estimulou a produção de uvas. Quando o filho Luiz foi estudar e se formou químico, aproveitava da bora e ajudava na qualidade dos vinhos do entorno. Por essa razão, Felice Veronese, e o empresário maior de Caxias, Abramo Eberle, que eram conterrâneos, montaram via o transporte por muares, a primeira Exportação (assim se dizia ao sair do estado para outro) com vinhos, garantidos na origem local.
A riqueza que vinha da uva e vinho permitiu que a comunidade, chamada Capela São Marcos, avança-se em: 1905 – construção de uma das primeiras igrejas de alvenaria, em estilo romano; 1907 — compram três sinos na cidade de Bassano Del Grapa/Vicenza; 1921 — constroem a mais alta torre regional, tendo os moradores participado financeiramente com uma taxa sobre a sua produção de vinho. Nos leva a crer que os 32 associados, tinham vinícolas.

A região de Otávio Rocha, se considerava uma das mais progressistas. Ainda sobram diversos casarões, uma vez que todas as famílias construíram a vinícola em pedra, dormitórios com a utilização da madeira local, no segundo andar e ainda o sótão.

1929 – Foi criada a Cooperativa Vinícola Otávio Rocha, devido a grande união, em poucos anos, já estavam elaborando vinhos. A cooperativa é considerada a 4ª da América Latina (1. Forqueta, 2.Nova Milano, 3.São Vitor/Caxias e 4. Otávio Rocha/Nova Trento.

1931 – Publicidade de uma página inteira, no jornal de Porto Alegre, enaltece que a Cooperativa é instalado no coração da Região Colonial Italiana.

1958 – Fundada a Granja São Mateus no Travessão Carvalho, tinha enólogos, um francês e outro grego. Premiações de uvas, nas Festas da Uva de Caxias do Sul:1937, 1954, 1958, 1961 e outros. Bem como moradores de Otávio Rocha.

1953 – Vinho de missa da Slaviero foi utilizado no Congresso Eucarístico Internacional no Rio de Janeiro e também no Congresso de Caxias do Sul.

1956 – Slaviero contrói um hotel na Granja. É criado o ENOTURISMO no Brasil. Buscava donos de restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo, e os trazia para Otávio Rocha, para ver os vinhedos e a origem dos vinhos que frequentavam os melhores restaurantes.

1958 – Transfere o hotel para Otávio Rocha.

1961 – Slaviero inaugura engarrafamento em Otávio Rocha.

1966 – Otávio Rocha realiza a 1ª Festa Paroquial da Uva, considerada a segunda festa mais antiga do estado, filha maior de Caxias.

1971 – Folheto “Roteiro dos Parreirais” é considerado o primeiro folheto na região.

1973 – Otávio Rocha realiza as primeiras festas do Colono e Motorista e chega a 51 vezes como Festa da Colônia.

1975 – Ruas com nomes de uvas; inaugurada a Pracinha da Vinuva junto ao Cruzeiro.

1977 – 2ª FESTA COLONIAL DA UVA – inauguração do Monumento do Leão Alado”

1980 – Inaugurada a Praça Regional da Uva, homenageando os municípios maiores produtores de uvas e vinhos da região

1980 – Abertura festiva da safra de vinho e degustação pública.

1997- Início da devoção à Nossa Senhora da Uva e inauguração do Túnel da Uva.

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