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Morte de jovem durante rodeio cancela comemorações e comove Nova Pádua

Bernardo Sonda, 25 anos, era presença ativa na comunidade; caso mobilizou homenagens e reacendeu debate sobre saúde mental
(Foto: CTG Recanto Gaúcho/Divulgação)

Nova Pádua vivia o principal momento das comemorações dos seus 34 anos de emancipação política no último fim de semana. O V Rodeio Estadual reunia centenas de competidores, público e famílias no Parque de Eventos Alceu Maróstica em um ambiente marcado pela celebração e pelo encontro da comunidade. Infelizmente, os festejos viraram luto.

Na tarde de domingo (22), a morte de Bernardo Sonda, 25 anos, integrante do CTG Recanto Gaúcho, deixou o município em choque. A notícia se espalhou rapidamente entre as pessoas que estavam no local e, nas horas seguintes, passou a repercutir também fora do parque.

Presença constante na comunidade, Bernardo passou a ser lembrado nas redes sociais ainda na manhã de segunda-feira (23). Amigos compartilharam mensagens de despedida e relatos que destacavam sua proximidade com as pessoas e a disposição em ajudar.

— Uma riqueza de pessoa, ajudou muito a gente na época da enchente aqui em Roca Sales — lembrava uma amiga.

Primo de Bernardo e patrão do CTG Recanto Gaúcho, Marcos Sonda foi às redes sociais para expressar a dificuldade de lidar com a perda.

— Está difícil de acreditar. Mesmo com o coração já calejado de tantas perdas, hoje dói. As lágrimas caem só de pensar que um dos meus melhores amigos não voltará — escreveu.

“Me acostumei com a existência dele”

Em sinal de luto, a sessão da Câmara de Vereadores, tradicionalmente realizada às segundas-feiras, foi transferida para terça-feira (24).

Durante a sessão atípica, o vereador Cristhian Rancan (PP), um dos melhores amigos de Bernardo, não segurou as lágrimas ao relembrar da convivência entre os dois.

— Subo nessa tribuna com o coração profundamente abalado. Desde que nasci, sempre estivemos juntos. É uma amizade que levamos para a vida inteira. Uma pessoa ímpar, extraordinária. Ele foi meu parceiro de muita coisa — declarou.

Rancan relembrou uma reunião decisiva entre ele e Bernardo, quando discutiram a candidatura a vereador.

— Hoje eu sou vereador também por uma conversa que tivemos. Ele me disse: “vai tu porque, se formos nós dois, vamos dividir votos”. Eu ainda teimei para tentarmos juntos. Desde que nasci, me acostumei com a existência dele — continuou.

Tio de Bernardo, o vereador Lino Peccati (PP) lembrou da relação próxima.

— Ele fazia muitas brincadeiras comigo, que eu gostava demais. Por mais que tivéssemos uma diferença grande de idade, a gente conseguia se entender e diminuir essa distância de idade. Eu parecia ser o jovem e ele o adulto.
A despedida ocorreu na segunda-feira (23) na Igreja Matriz.

“A tentativa é de cessar uma dor psíquica”

O V Rodeio Estadual, que movimentava o segundo final de semana das comemorações dos 34 anos de Nova Pádua, foi oficialmente cancelado e não terá continuidade. A organização informou que já está em contato com os participantes classificados para as finais para realizar a devolução dos valores, encerrando de forma definitiva a competição.

A paralisação do Rodeio ocorreu após a notícia do falecimento de Bernardo Sonda. O caso traz à tona a necessidade de atenção à saúde mental, especialmente entre os jovens. A morte do laçador durante a programação de aniversário de Nova Pádua causou comoção no município, reacendendo a discussão sobre sinais de alerta e formas de prevenção.
Para especialistas, a abordagem deve ser feita com sensibilidade, evitando julgamentos precipitados sobre o que aconteceu e priorizando o acolhimento das pessoas próximas.

— Na psicologia, a gente sempre trata esses casos como um acidente, até que se prove o contrário de que foi um suicídio. Nas conversas do dia a dia o importante é buscar uma compreensão, porque muitas pessoas querem saber como aconteceu, mas precisamos evitar o julgamento da ação, pensando sempre na família, aqueles que ainda estão sofrendo pela perda do ente querido — explica o psicólogo clínico Christian Fontana.

O profissional alerta que sinais sutis, mas consistentes, podem indicar sofrimento emocional. Mudança de hábitos, comportamento mais ansioso ou agitado, afastamento de amigos e familiares, perda de interesse em atividades antes prazerosas ou queda no rendimento escolar e profissional são pontos que merecem atenção.

— Podemos destacar também uma mudança no padrão de sono e, principalmente, comentários negativos em relação ao futuro. Uma desesperança muito grande. A pessoa começa muitas vezes a se interessar por temáticas que envolvem a morte. Esses são pontos de alerta — afirma.

No início da vida adulta, o psicólogo Fontana lembra que a impulsividade é mais frequente, e situações que envolvem rejeição podem ser difíceis de lidar. A combinação de frustração com descrença em relação ao futuro aumenta a vulnerabilidade dos jovens.

Atenção aos sinais de alerta

Em municípios menores, como Nova Pádua, a proximidade entre moradores intensifica a comoção, mas também cria oportunidades de apoio mútuo. Fontana destaca que, embora o senso comum associe suicídio a grandes centros urbanos, as taxas vêm crescendo em municípios pequenos e regiões rurais.

— É importante compreender a tentativa de suicídio não como um desejo de morrer, mas como uma forma de cessar uma dor psíquica muito forte. Não ter receio de falar sobre suicídio é essencial — opina.

Além disso, o especialista lembra que familiares, amigos e a própria comunidade têm papel importante na identificação de sinais de sofrimento e no incentivo à busca por ajuda.

Entre as medidas de prevenção, Fontana reforça a importância do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma organização sem fins lucrativos que oferece escuta, acolhimento e orientação para pessoas que estão passando por momentos de sofrimento emocional ou pensando em suicídio. O atendimento é feito por telefone, pelo número 188, e é gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por dia.

Além disso, é fundamental o acompanhamento com profissionais capacitados, como psicólogos e psiquiatras. O foco deve ser sempre valorizar a pessoa, lembrando suas qualidades, habilidades e alternativas para lidar com a dor emocional.

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