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Monte Reale conquista dois Gran Bacos no Melhores Vinhos de Flores da Cunha

Vinícola teve 20 produtos entre os 152 selecionados na 24ª edição do concurso, com premiações em diferentes categorias
(Foto: Klisman Oliveira)

O resultado da 24ª edição do concurso Melhores Vinhos de Flores da Cunha chegou à Monte Reale em forma de números. Foram 20 produtos entre os 152 selecionados para o guia oficial e dois Troféus Gran Baco, distinção máxima dentro das categorias.

Mais do que a quantidade de medalhas, porém, o resultado chamou a atenção pela distribuição. A Monte Reale foi premiada em praticamente todas as categorias de vinhos finos, além de aparecer entre os destaques dos espumantes e do suco de uva. Para o enólogo Giovani Giotto, a amplitude do desempenho é mais significativa do que um prêmio isolado e serve como retorno sobre um trabalho que vem sendo desenvolvido nos últimos anos.

— Hoje temos um portfólio grande e bem diversificado, mas o foco principal é qualidade. Para nós, isso é um feedback do trabalho que está sendo feito — destaca Giotto.

Fundada em 1973, atualmente comandada pela família Mioranza, descendente de imigrantes de Sospirolo, na Itália, a Monte Reale construiu sua trajetória em uma localização que também se tornou uma de suas marcas: a entrada sul de Flores da Cunha, junto ao pórtico. Ao longo de mais de cinco décadas, ampliou a atuação e passou a trabalhar com diferentes estilos e faixas de produtos, dos vinhos de entrada aos rótulos de maior complexidade.

Para Giotto, três fatores ajudam a explicar o momento atual: matéria-prima, tecnologia e conhecimento técnico. São investimento e detalhes que foram aperfeiçoados nos últimos anos.

— A gente está trabalhando com uma combinação de três fatores que geram qualquer grande vinho: matéria-prima de altíssima qualidade, tecnologia e conhecimento técnico. Esse tripé vem sendo aperfeiçoado há alguns anos e agora os resultados começam a aparecer — afirma.

As estrelas da safra

Entre os produtos reconhecidos, dois chegaram ao topo de suas categorias. O Valdemiz Moscatel Rosé foi o vencedor entre os vinhos Moscatel Espumante Rosé. Já o Monte Reale Brut Branco Tradicional conquistou o Gran Baco na categoria Espumante Branco.

No Moscatel, Giotto atribui parte importante do resultado à qualidade da matéria-prima disponível nesta safra. O corte-base utilizado na elaboração apresentou características que, na avaliação do enólogo, fizeram diferença no produto final.

Já o Brut Branco Tradicional combina a qualidade do vinho-base com um período de maturação que ultrapassa o tempo indicado no rótulo. Embora seja comercializado com a indicação de 12 meses, o espumante permanece mais tempo em processo de envelhecimento, o que contribui para a complexidade sem retirar a jovialidade.

— No Brut Branco Tradicional, a gente concilia a matéria-prima com a questão do envelhecimento. Isso agrega bastante complexidade, mas, ao mesmo tempo, ele se mantém bastante jovial por causa da característica do vinho-base — explica.

A busca por resultados, no entanto, não se resume aos produtos que chegam ao topo. Giotto participa há anos das degustações de seleção do concurso e diz que também presta atenção às notas dos vinhos que ficam fora da relação dos premiados.

— Teve produto que não ganhou medalha, mas fez 90 pontos e ficou fora. Eu vou olhar principalmente para essas notas mais baixas. É aí que vou entender no que ainda tenho que melhorar — afirma.

Padrão local elevado faz vinícolas evoluírem

A experiência acumulada nas degustações ampliou a percepção do enólogo sobre a produção de Flores da Cunha. Depois de quase uma década acompanhando a avaliação dos produtos, Giotto percebe uma evolução consistente na qualidade dos vinhos elaborados na Terra do Galo.

— O padrão dos vinhos de Flores da Cunha está muito alto. Talvez exista uma discussão sobre reconhecimento, mas, tecnicamente, isso já está consolidado há anos — avalia Giovani Giotto.

A mudança aparece na diversidade de estilos que chegam às etapas finais do concurso. Não se trata apenas de encontrar bons vinhos em uma determinada categoria, mas de perceber que diferentes propostas conseguem alcançar um nível elevado de elaboração. É uma característica que também se reflete no trabalho desenvolvido pela Monte Reale.

Os dois Gran Bacos conquistados nesta edição vieram de produtos com características distintas. O Brut Branco Tradicional representa a produção de espumantes da vinícola, enquanto o Moscatel Rosé está inserido em uma categoria marcada pela presença de diferentes produtores e estilos.

O resultado coloca em evidência a capacidade de trabalhar propostas distintas sem perder o cuidado com a elaboração. A mesma lógica vale para os demais produtos premiados. Há diferentes faixas de preço, estilos e categorias entre os vinhos reconhecidos.

Para quem acompanha a elaboração desde a escolha da uva até a avaliação final, como Giotto, esse equilíbrio entre produtos distintos é um indicador mais relevante do que uma premiação isolada.

— Para mim, como técnico, é mais importante perceber que, independentemente da categoria ou do estilo, se é o vinho mais caro, o mais barato ou o intermediário, os produtos estão ganhando medalha. Isso significa que a linha de pensamento está correta dentro do que a gente vem trabalhando — resume o enólogo.

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