Os florenses Ryan Barcaro, 21 anos, e Arthur Pontel, 20, escolheram um desafio fora do país para a sua primeira experiência em uma maratona. No último domingo (26), eles completaram os 42,195 quilômetros da Maratón de Santiago, no Chile, uma das provas mais conceituadas da América do Sul. Após cruzarem a linha de chegada, eles puderam, finalmente, se chamar de maratonistas.
A dupla completou o percurso em 3h50min, mantendo um pace médio de 5min29s por quilômetro, em uma prova com cerca de 190 metros de altimetria acumulada — o equivalente a subir aproximadamente um prédio de 60 andares ao longo do trajeto. Para uma estreia, um desempenho acima da média, que reflete consistência e uma preparação bem executada.
Enquanto muitos corredores acumulam experiência em provas locais antes de buscar desafios internacionais, os florenses inverteram o caminho e começaram grande.
A escolha pelo Chile foi pensada desde o início: encontrar uma prova que exigisse comprometimento total durante toda a preparação.
— Queríamos algo que realmente nos tirasse da zona de conforto e nos mantivesse motivados todos os dias — explica Barcaro.
A medalha conquistada em Santiago começou a ser construída no ano passado, com cerca de cinco meses de preparação e mais de 800 quilômetros acumulados — muitos deles nas ruas de Flores da Cunha. Foram treinos que exigiram disciplina, constância e adaptação à rotina, conciliando trabalho e cansaço.
Pontel destaca que a motivação nem sempre estava presente, mas o compromisso falou mais alto.
— Teve dia em que não dava vontade nenhuma, mas a gente sabia o que precisava ser feito — relata.
“Um novo sentido pra prova”
Mais do que o desafio físico, a prova também proporcionou uma experiência cultural. Ao longo do percurso, os atletas dividiram espaço com corredores de diferentes países, em um ambiente que misturava idiomas, histórias e diferentes formas de viver o esporte.
— Tinha gente do mundo todo. Isso deixa tudo ainda mais especial — relembra Barcaro.
O apoio do público foi outro diferencial. Em diversos pontos do trajeto, moradores incentivavam os corredores, criando uma atmosfera que ajudava a manter o ritmo mesmo nos momentos mais exigentes.
Entre as cenas que marcaram a estreia, a presença de atletas cadeirantes chamou a atenção da dupla.
— Ver aquela demonstração de força ali, lado a lado com a gente, deu um novo sentido pra prova — destaca Pontel.
Mais do que completar uma prova, a experiência marcou o início de uma nova etapa no esporte para eles. Agora, o objetivo é seguir evoluindo, buscar novos desafios e, principalmente, mostrar, a cada novo desafio, que sempre é possível ir além.

