Há um mês Flores da Cunha lamentava a perda de um de seus principais símbolos religiosos, históricos e culturais: a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes. Rapidamente, o tema ganhou repercussão nacional e trouxe à tona a importância dos seguros contra incêndios.
O proprietário da Piccoli Corretora de Seguros, Renato Piccoli, 65 anos, conta que o templo florense só contratou seguro há dois anos e que a apólice previa a cobertura de vendaval, incêndio e danos elétricos.
— Quando aconteceu essa tragédia (em 25 e maio), nós comunicamos a seguradora parceira, a HDI Seguros. Mas, como tinha o pessoal trabalhando em cima do telhado (que estava em reforma), nós também optamos, para descartar todas as possibilidades, por chamar a Polícia Civil para fazer a perícia do IGP (Instituto-Geral de Perícias) — conta.
A corretora está encaminhando toda a documentação solicitada pela HDI. O que está faltando para dar sequência a análise, segundo Piccoli, são as informações da perícia. Com estes dados poderão ser calculados os valores e a porcentagem que deverá ser paga pela apólice da Igreja Matriz.
Seguros residenciais e empresariais
Com o sinistro do templo, não foram apenas os seguros contra incêndio em espaços comunitários que ganharam importância: os residenciais e empresariais também passaram a ser mais procurados.
O sócio-proprietário da Vega Corretora de Seguros, Lucas Lusa Viapiana, 40, deixa claro que, apesar das semelhanças entre os seguros, é importante analisar cada caso individualmente para identificar a cobertura mais adequada, tanto para empresas quanto para residências.
— Além da cobertura de incêndio, normalmente recomendamos proteção contra vendaval, danos elétricos, responsabilidade civil e lucros cessantes, pois muitas vezes o prejuízo não fica restrito à estrutura do imóvel.
Nesse sentido, Viapiana explica que as coberturas básicas indenizam danos causados por incêndio, queda de raio e explosão. Já as coberturas adicionais podem incluir danos elétricos, vendaval, granizo, quebra de vidros, roubo, vazamento de tubulações e outras situações específicas.
Custo “pequeno” perto da tranquilidade
No momento da contratação de um seguro empresarial algumas características são levadas em consideração pelas corretoras:
— A seguradora avalia as medidas de prevenção existentes, como brigada de incêndio, extintores, hidrantes, alarmes e outros sistemas de proteção. Em riscos de maior porte, algumas atividades exigem obrigatoriamente a existência desses sistemas — explica o também sócio-proprietário da Vega Corretora de Seguros, Leandro Picoli, 40.
O empresário e economista da Solaris Corretora de Seguros, Laureano Antônio Fortuna, 73, destaca que algumas características são fundamentais na hora de contratar uma cobertura contra incêndios.
— Verificar o tipo da construção (se madeira ou alvenaria), qual a ocupação (veraneio, habitual, ou desocupada) e o tipo de cobertura da residência. A contratação do seguro também indefere do período do ano. Para as cotações e preços não devem fazer a diferença as estações do ano. Por exemplo, inverno se usa muito a estufa, lareiras, fogo a lenha, mas isso não acresce no valor — aponta.
Baixa procura
O linha de frente da Solaris relata que a procura por seguro residencial ainda é baixa na região — mesmo que o custo seja até mais acessível do que o seguro de automóvel.
— O custo do seguro residencial entre o capital médio de R$ 300 mil a R$ 500 mil tem importância segurada em torno de R$ 500 por ano. Isso significa menos de R$ 2 por dia, o que convenhamos, é barato — argumenta.
Leandro Picoli complementa que muitas pessoas consideram que incêndios e outros sinistros são eventos raros, contudo lembra que, quando acontecem, normalmente geram prejuízos significativos. É só neste momento de perda que as pessoas lembram da importância de um seguro.
— O seguro patrimonial tem a função de minimizar os impactos financeiros e permitir a recuperação do patrimônio após uma ocorrência. O custo do seguro costuma ser pequeno quando comparado ao valor que está sendo protegido — reflete, opinando que a tranquilidade de saber que o patrimônio está seguro vale mais do que o custo de sua proteção.

