A florense Marilei Francescatto teve destaque na Ultramaratona Caminhos de Caravaggio (UMCC) 2026 no último final de semana. Competindo na exigente prova de 75 quilômetros, Marilei conquistou o primeiro lugar na categoria de 57 a 64 anos, colocando o nome de Flores da Cunha no topo do pódio em uma das competições de trail running mais desafiadoras do país.
A edição deste ano consolidou a relevância internacional do evento ao reunir atletas de sete países, além de representantes de 18 estados brasileiros e mais de 100 cidades. Inspirada no místico Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, a UMCC conecta esporte, história e espiritualidade, percorrendo trilhas e cenários marcantes da Serra Gaúcha, com largada e chegada no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha.Para Marilei, foram mais de 11 horas de corrida sob sol intenso para completar o percurso, que desafiou os participantes com um ganho de elevação acumulado de 2.292 metros. Para se ter uma ideia, a altimetria equivale a subir o campanário da Igreja Matriz de Flores da Cunha cerca de 42 vezes consecutivas.
Para suportar tamanha exigência, Marilei manteve uma rotina rigorosa de preparação:
— Me preparei com muito treino de corrida, vários “longões” e algumas maratonas como parte do processo. Também cuidei da alimentação e incluí exercícios de academia, sempre com a orientação da minha professora Gilceia da Silva — relata a atleta, destacando que a disciplina e a constância foram os pilares para chegar bem ao dia da prova.
Apesar da distância e do calor desgastante, a ultramaratonista descreve a experiência com uma leveza surpreendente. Ela explica que, por não estar focada estritamente no cronômetro, conseguiu respeitar seu próprio ritmo e aproveitar a jornada.
— Não tive uma parte mais difícil. Como eu só queria chegar bem, consegui fazer a prova de forma mais tranquila e constante. Em nenhum momento pensei em desistir; desde a largada eu já me via cruzando a linha de chegada, e essa visualização me deu força para seguir firme do começo ao fim — revela Marilei.
Essa mentalidade resiliente foi acompanhada de perto pela amiga Juliana Ferrigo, que atuou no carro de apoio durante todo o trajeto, oferecendo o suporte logístico e emocional necessário para enfrentar as variações do terreno.
Ao completar os 75 km, a sensação descrita pela florense foi de pura plenitude. Devota de Nossa Senhora de Caravaggio e de Aparecida, Marilei ressalta que a conexão espiritual tornou o esforço físico ainda mais significativo, unindo a beleza da natureza à sua fé pessoal.
— A sensação na linha de chegada foi indescritível. Eu só queria chegar, me ajoelhar e agradecer. Estava muito feliz por conseguir concluir bem, sem dor, e sentir que Nossa Senhora esteve comigo em cada passo — celebra.
Para a maratonista florense, o fato de já estar habituada a correr em trilhas e montanhas tornou o percurso mais familiar, permitindo que ela desfrutasse do momento de forma conectada. Com a vitória garantida e o troféu em mãos, Marilei já projeta o próximo desafio com ousadia: para 2027, o plano é subir o sarrafo e encarar a prova de 100 quilômetros da UMCC.

