Antes mesmo de entrar em operação, o estacionamento rotativo de Flores da Cunha já movimenta a economia local. As pinturas ainda estão sendo finalizadas e logo deve iniciar o período de 30 dias de adaptação antes da cobrança. Mas a expectativa pela chegada da Zona Azul já transformou a dificuldade de encontrar vagas no Centro em oportunidade, antecipando o surgimento de novos empreendimentos privados na cidade.
Um exemplo é o da farmacêutica aposentada Madalena Cardoso Boscato, 69 anos, que decidiu transformar o terreno herdado do falecido pai, Hildebrando Cardoso Pereira, em um estacionamento. Ela conta que a antiga casa, na esquina da Rua Severo Ravizzoni, foi demolida neste ano, por isso o terreno estava à disposição.
— O imóvel continua à venda, mas até que se concretize essa venda, surgiu a ideia de alugar. E por que alugar? Porque como vai ter um estacionamento pago na Avenida 25 de Julho, eu acho que ele favorece com que apareça um estacionamento pago por um preço menor ou diário, para quem quiser. Abriu esse espaço de negociação no mercado — contextualiza Madalena.
A expectativa é que a área de 560 metros quadrados esteja finalizada até dezembro. Com o estacionamento pronto para ser alugado, a intenção é que se façam parcerias com as empresas próximas, para que os clientes tenham mais facilidade em encontrar vagas.
É o que já faz o casal de aposentados Rosinha Brochetto Marzarotto, 76, e Gabriel Marzarotto, 79, que estão à frente de um estacionamento privado na Rua Ernesto Alves.
— Devagarinho fizemos parceria com a Panificadora San Marino, com a Fruteira Schiavon e com a Farmácia São João aqui da esquina; e não podemos reclamar — explica Rosinha, esclarecendo que a fruteira deixou de oferecer vagas próprias para clientes, que o espaço foi destinado aos carros dos proprietários e funcionários.
Conforme o casal, cada empresa disponibiliza gratuitamente meia hora para o cliente ficar no pátio, se esse tempo for ultrapassado ele deverá pagar uma diferença. O custo para estacionar vai de R$ 5 pelo período de meia-hora até R$ 40 por sete horas. A diária fica pelo valor de R$ 50.
Motivação para um novo negócio
Rosinha conta que o esposo e ela eram proprietários de uma loja de calçados, mas optaram por vender o empreendimento devido a problemas de saúde de Gabriel. Um tempo depois, o fato de o marido queixar-se de estar ocioso e almejar um passatempo serviu como motivador para o casal investir em um novo negócio.
— Ficamos em casa dois anos e em uma bela tarde de 2025 nós passamos por aqui e eu vi que tinha escrito “Aluga-se”. Aí eu falei para ele (Gabriel) para nós tentarmos conversar com o proprietário e montar um estacionamento aqui, porque Flores precisa. No dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, nós abrimos — conta.
Outra motivação do casal foi o surgimento do estacionamento rotativo em Flores da Cunha.
— A princípio, o comentário era que ia ser tudo por aplicativo os pagamentos. Eu vou ser sincera: tenho celular, tenho redes sociais, mas eu não sei trabalhar com os aplicativos — revela a idosa, contextualizando uma realidade que fará parte do dia a dia de muitos florenses em breve.
Com a ampliação das formas de pagamento do rotativo da Zona Azul, o casal aposta em diferenciais como área coberta para proteger os veículos das intempéries e o serviço oferecido para mensalistas.

Vermelhão inaugurou espaço em frente ao mercado, na Av. 25 de Julho (Foto: Karine Bergozza)
Estacionamento para clientes
Na última sexta-feira (30), o Multimercado Vermelhão inaugurou um novo estacionamento para seus clientes na Avenida 25 de Julho. A diretora financeira, Milene Zamboni Andrighetti, 55, revela que a ideia surgiu da falta de vagas na área central do município.
— A implantação do rotativo foi um estímulo para a nossa decisão final, mas a ideia surgiu a partir do momento em que percebemos como um estacionamento com uma boa estrutura e organização seria um diferencial e garantiria maior comodidade para os nossos clientes.
O espaço próprio de 1.240 metros quadrados possui capacidade para 52 carros e vagas destinadas à motos. Milene frisa que o estacionamento será gratuito durante o tempo de permanência do cliente em compras no mercado.
— O nosso objetivo é o estacionamento para os nossos clientes, enquanto estiverem em compras no Vermelhão. Em nenhum momento pensamos em fazer um estacionamento rotativo para ganhar dinheiro (com o aluguel de vagas) — explica a diretora.
Haverá a possibilidade de um não cliente estacionar no local, entretanto, este terá que adentrar ao mercado para que a cobrança e validação do ticket sejam realizadas. Milene prefere não divulgar estes valores.
Em relação ao antigo estacionamento, com capacidade para 28 carros, na Rua Ernesto Alves, a diretora informa que ele será desativado para clientes.
Regularização
A secretária da Fazenda, Flávia Bombardelli, informa que atualmente o município possui registro de três alvarás cujo CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) principal é o de estacionamento de veículos. Contudo, além desses, existem diversos estabelecimentos comerciais que oferecem estacionamento como atividade secundária, vinculada à sua atividade principal.
— Um movimento que pode ser observado de forma relevante é o das transações de ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) relacionadas à compra e venda de boxes de garagem — explica Flávia.
Caracterizada como prestação de serviços, a atividade de estacionamento está abrangida pelo Código Tributário Municipal, estando sujeita às disposições municipais aplicáveis, por isso deve constar entre as atividades econômicas da empresa.
— O interessado (em abrir um estacionamento) deverá seguir os procedimentos exigidos para a abertura e o funcionamento de um prestador de serviços, incluindo o registro da atividade econômica correspondente e a obtenção do alvará de licença e funcionamento, conforme as exigências legais.

