A escola mais antiga de Flores da Cunha prospera resistindo contra problemas em sua estrutura física. A Escola Estadual Frei Caneca, que comemorou seu centenário no ano passado, atende diariamente 330 alunos, ainda que recursos para a devida manutenção estejam em falta. Algumas reformas chamam a atenção por estarem em pauta desde 2024, quando a reportagem do jornal O Florense listou as principais demandas da escola.
Na ocasião, entre as maiores necessidades estavam (e ainda estão) a substituição da rede elétrica, a restauração das janelas, a pintura interna e a troca de pisos quebrados. A diretora da escola, Josiele Brogliatto Colleoni, evidencia que a prioridade é refazer a rede elétrica, pois, a partir disso, poderão ser feitos mais investimentos em equipamentos para salas de aula e refeitório, sem “sobrecarregar” a rede elétrica.
— O meu maior caso de urgência é a minha rede elétrica. Hoje eu não posso ligar um ventilador nas salas, eu não tenho estrutura elétrica — desabafa, acrescentando que a falta de estrutura para climatização faz com que os alunos passem calor no verão e frio no inverno.
Josiele lembra que no ano passado recebeu uma equipe da Coordenadoria Regional de Obras Públicas (CROP) para avaliar a rede elétrica e, informalmente, ficou estabelecido que o início das obras seria realizado até setembro deste ano.
— Já foi feito um pré-projeto e nele consta que vai ser feito uma rede trifásica nova (hoje ela é monofásica), para poder instalar ar condicionado. Hoje eu não tenho nem ventilador, nem nada na sala. Até tinha ventilador quando foram feitas algumas trocas, em 2012, mas quando ligavam “caía a geral” da sala.
A melhora na rede elétrica também contribuiria com a instalação de uma nova iluminação, de LED, no pátio da escola, afinal a fiação antiga não é compatível aos novos produtos.
— Tem que trocar toda a fiação, mas fiação quem mexe é a Seduc (Secretaria de Educação do Estado), porque é o engenheiro da Seduc que avalia. É ele que olha o quadro de disjuntores e ele que assina o projeto. Isso acontece porque se houver qualquer risco de curto, incêndio, a responsável é a Seduc. Então, a direção não pode mexer em rede elétrica — explica Josiele.
“Sem cronograma”
Procurada pera reportagem, a CROP informa que não há um cronograma definido para obras na Frei Caneca.
— As demandas de infraestrutura da escola estão sendo acompanhadas pela 4ª Coordenadoria Regional de Educação e serão avaliadas conforme os fluxos técnicos e administrativos da Secretaria da Educação.
As solicitações apresentadas para adequação da rede elétrica, pintura, manutenção de janelas e substituição de pisos são de conhecimento da 4ª CRE:
— As demandas integram o levantamento contínuo das necessidades de infraestrutura das instituições da rede estadual — informa a nota.
Pedidos por pintura, janelas e troca de piso
A diretora Josiele destaca que o Governo do Estado envia recursos, mas a escola tem um limite de gastos. Neste cenário, a direção até conseguiu realizar algumas pinturas parciais, mas pelo fato de as paredes serem velhas e o reboco estar deteriorado seria necessário ir além.
— Vejo que a pintura é uma coisa que, sim, a Seduc precisa avaliar, em especial a interna. Porque só foi feito um trabalho de “tapa-furo” em alguns lugares.
Em relação ao restauro das janelas, a diretora explica que com limite baixo de gastos não teria como lixar, pintar, retocar a madeira que está estragada e trocar o filete. O recurso destinado pelo Governo do Estado (o teto máximo de gasto por item sem fazer licitação é de até R$ 13.095,00), não seria suficiente.
Pelo fato de o Frei Caneca ser um prédio antigo e o restauro das janelas incluir alterações na fachada, Josiele acredita que a melhor alternativa seria a Seduc assumir essa parte.
— Se eu for arrumar uma janela, cada vez que estiver terminando teremos que começar de novo. Porque eu não vou achar prestador. É difícil de mexer com isso.
Outro investimento significativo seria a substituição do piso da quadra de esportes, que ainda é de madeira e não segue o manual de obras públicas implementado pelo Governo atual.
— Hoje se encaixaria em uma obra bem grande, que a Seduc teria que vir e fazer uma obra grande. Porque hoje o processo é esse: é a Seduc que contrata uma empresa terceirizada, eles vêm, olham toda a escola e dizem o que precisa fazer — detalha.
Outras manutenções necessárias incluem o reparo e a troca de portas quebradas, a substituição de calhas com apodrecimento, o isolamento da caixa d’água, a construção de um novo espaço para o refeitório e melhorias de acessibilidade na entrada e segundo piso.
Relembre
A falta de recursos do Governo do Estado para reformas não é uma exclusividade do Frei Caneca. Há demandas reprimidas nos outros dois educandários que foram matérias recentes do jornal O Florense. A Escola Professor Targa ficou quase dois anos com 40% da estrutura interditada até o início da obra em andamento. Já o São Rafael anseia pela recuperação da quadra esportiva e do auditório, mas também necessita de intervenções menores consideradas urgentes, como novos banheiros e acessibilidade.

