Home Destaque Entre debates acalorados, o Legislativo perde o foco em Flores da Cunha

Entre debates acalorados, o Legislativo perde o foco em Flores da Cunha

O que era para ser uma noite de homenagens virou um duelo de críticas pouco construtivas
(Foto: Júnior Port de Oliveira/Câmara de Vereadores)

No início do ano, o presidente do Legislativo de Flores da Cunha, Marcelo Golin (PL), reuniu os vereadores e reforçou a importância do respeito e da cordialidade entre os colegas. Ao longo das sessões de 2026, no entanto, o ambiente tem sido marcado por embates frequentes, que por vezes desviam a atenção de pautas relevantes para o município.

A sessão ordinária da última segunda-feira (16) exemplifica esse cenário. O que seria uma noite de homenagem aos aniversários de 40 anos do restaurante Casa Nostra e de 25 anos do Banana Pink — inclusive com a presença do prefeito César Ulian — acabou sendo acompanhado por trocas de críticas repetitivas e pouco construtivas entre os parlamentares — algumas beirando a quebra de decoro.

“O senhor não foi lá ver a obra”

A divergência recorrente entre os vereadores Claudimir Kremer Alemão (MDB) e Diego Tonet (PP) teve mais um capítulo. Ao subir à tribuna no grande expediente, o emedebista apresentou fotos do andamento da reforma na Escola Estadual Professor Targa, que chegou a ter 40% de sua estrutura interditada após danos causados por temporais.

— A obra está acontecendo. Está lenta, mas está fluindo. Por fora, talvez não se veja nada. Mas quem vai lá dentro, como eu, que assinei um contrato para acompanhar essa obra, vê que está acontecendo — declarou.

O tema, de evidente interesse público, acabou sendo associado a manifestações anteriores do vereador Tonet, que havia cobrado posicionamento de parlamentares do MDB sobre a obra — que é responsabilidade do Governo do Estado — após registros da assinatura do início da reforma. Na tribuna, o emedebista se dirigiu diretamente ao colega:

— Quero dar resposta ao meu colega, vereador Diego, que até me mencionou nas redes sociais. O senhor não foi lá ver essa obra e questionou este vereador, então quero lhe dizer que estou, sim, ciente (do andamento lento da obra) e fazendo o meu trabalho — repetiu Alemão.

Comparação com a Tiradentes

Na sequência, o vereador Alemão abordou a reforma na Escola Municipal Tiradentes, também integrante da pauta educacional do município.

— A reforma está sendo feita, mas há reclamações de que está lenta e de que, quando chove, há água entrando nas salas de aula. Em cima, no telhado, é visível um buraco. E só há pessoal trabalhando para fazer o piso; esta parte do telhado está parada.

Integrante da Comissão de Educação do Legislativo, junto com o vereador Diego Tonet, Alemão afirmou que a obra, iniciada em julho do ano passado, estaria em atraso. Contudo, pela insistência em comparar com a reforma da escola Targa, a plateia presente ficou em dúvida se a preocupação com o educandário municipal era um esforço real ou apenas uma resposta.

As referências entre parlamentares contribuem para que a discussão se afaste do foco técnico de temas importantes, como a continuação da sessão demonstrou…

Rotativo em debate

A tão esperada votação do Projeto de Lei para implementação do estacionamento rotativo — etapa importante dentro do cronograma municipal — foi desvirtuada por manifestações que retomaram gestões anteriores.

Os dois primeiros vereadores a pedirem a palavra, Oscar Francescatto (PL) e Diego Tonet (PP), seguiram uma linha semelhante de citar os ex-prefeitos.
— Como o Oscar disse, desde que ele era pequeno se falava do estacionamento rotativo — declarou Tonet.

O vereador Francescatto irá completar 73 anos no próximo mês de julho. Há 50 anos, você conseguia estacionar no Centro de Flores da Cunha?

Hipérbole beira o etarismo

Diante das manifestações, o vereador Valdecir Paulus (MDB) defendeu a centralidade da pauta em votação:

— Achei que iríamos discutir o projeto, mas parece que o foco importante é falar de ex-prefeitos. As coisas que estão sendo feitas hoje são graças às coisas que os outros prefeitos fizeram e não precisam mais ser feitas. Cada prefeito trabalhou conforme as necessidades da época.

Contudo, na sequência, o parlamentar também fez uma observação em tom de comparação geracional:

— O vereador Diego falou que o rotativo é falado desde que o Oscar é pequeno. Quando o Oscar era pequeno, não havia nem carro em Flores. Por favor, vamos ser justos e discutir o projeto. Nós fomos eleitos agora, vamos focar no agora. Nenhum de nós era vereador há 20 anos, talvez o Oscar lá nos anos 1950.

A vereadora Silvana De Carli (PP) buscou retomar o foco da sessão para o projeto em análise:

“Discussões políticas nos desanimam”

— Estas discussões políticas nos desanimam um pouco, né? Mas acho que precisamos olhar para frente, para um município que se desenvolve e quer o melhor.

Na sequência, o projeto do estacionamento rotativo foi aprovado por unanimidade.

“Quando a casa está cheia…”

Durante a retomada da palavra, o vereador Diego Tonet voltou a se dirigir ao público presente:

— Quando a casa está cheia, parece que os vereadores falam um pouco mais. Que bom seria que vocês estivessem sempre aqui.

Em seguida, fez referência ao vereador Alemão:

— Como eu fui citado na tribuna, não gostaria de responder, mas, se eu fosse um jurado hoje, talvez eu te desse um Oscar… Hoje, vou falar da homenagem ao Casa Nostra e ao Banana Pink; acho que eles vieram aqui para ver isso…

Vereador acusa o rival errado

O vereador Oscar Francescatto também se manifestou, mas atribuiu a fala a um colega diferente daquele que havia feito a referência:

— Muito obrigado, vereador Alemão, por me chamar de velho. Na próxima campanha, não invente de ir pedir votos na casa de idosos, porque irei atrás.

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