O governador Eduardo Leite participou nesta quinta-feira (19) da reunião-almoço (R.A) da CIC Caxias, em Caxias do Sul. Convidado do encontro, ele apresentou o tema “Um Rio Grande diferente: transformação, competitividade e desenvolvimento”, destacando ações do governo e pontos ligados à gestão do Estado. O prefeito César Ulian acompanhou a agenda.
Ao abordar a condução das contas públicas, Leite enfatizou a manutenção de uma postura rigorosa na gestão fiscal do Estado. Segundo o governador, o controle de despesas tem sido tratado como condição essencial para garantir sustentabilidade financeira e evitar impactos negativos sobre o funcionalismo público.
— Estamos muito rigorosos, com muito critério e controle, para não haver desequilíbrio fiscal. O desequilíbrio puniria inclusive os nossos próprios servidores — afirmou.
Dentro desse contexto, Leite também ressaltou “mudanças estruturais” promovidas ao longo da gestão, associando-as ao aumento da capacidade de investimento do Estado. Segundo o Governador, o Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de investimentos sem recorrer a mecanismos extraordinários.
— Elevamos os investimentos para cerca de 10,9% da receita corrente líquida, sem sacar do caixa único, sem utilizar depósitos judiciais e sem atrasar salários — disse.
O líder do Executivo comparou o cenário atual com o início de seu primeiro mandato em 2019, destacando a reversão do quadro financeiro. De acordo com ele, quando assumiu o governo, o Estado acumulava um passivo bilionário em contas vinculadas.
— O Estado devia R$ 11 bilhões às contas da chamada Caixa Única (mecanismo que concentra em uma única conta os recursos do governo, usados para pagamentos e despesas públicas.) Vamos encerrar o governo com aproximadamente R$ 12 bilhões em caixa — afirmou.
Na área de investimentos, o governador destacou o volume de recursos mobilizados por meio de concessões, privatizações e projetos estruturados com a iniciativa privada. Segundo Leite, os empreendimentos já concluídos representam uma projeção de R$ 46 bilhões em investimentos, enquanto outras iniciativas em fase final de estruturação somam R$ 24 bilhões.
— Somos líderes em privatizações e estamos entre os três estados com maior volume de concessões. Estamos falando de projetos em rodovias, educação, mobilidade urbana e saúde — declarou.
R$ 850 milhões em rodovias
Ao tratar da infraestrutura rodoviária, o governador traçou um paralelo entre períodos anteriores e o atual volume de investimentos. Conforme Leite, o Estado atravessou décadas de restrições fiscais que comprometeram a manutenção e ampliação da malha viária.
— Em anos anteriores, o Estado investiu cerca de R$ 150 milhões em rodovias. De 2021 para cá, estamos investindo, em média, R$ 850 milhões por ano no DAER. Foram décadas de problemas de investimento público — disse.
Leite observou que a recuperação da infraestrutura demanda continuidade e planejamento de longo prazo.
— É evidente que não se recupera toda essa estrutura de uma hora para outra — acrescentou.
Ainda em relação à gestão pública, o governador mencionou medidas adotadas para regularizar passivos financeiros acumulados em áreas compartilhadas com os municípios, especialmente na saúde.
— Pagamos dívidas que não estavam sendo honradas e não deixamos mais atrasar. Regularizamos compromissos com municípios, fornecedores e servidores — afirmou.
Na educação, dados apresentados durante o encontro destacaram a expansão do ensino médio em tempo integral (EMTI) e da educação profissional tecnológica na rede estadual. Conforme as informações projetadas, o número de escolas estaduais com ensino médio em tempo integral passou de 18 unidades, em 2018, para 432. No mesmo período, o total de alunos beneficiados avançou de cerca de 5 mil para mais de 50 mil estudantes.
Criminalidade em queda
Na área da segurança pública, os indicadores exibidos apontaram redução significativa nos índices criminais do Estado. A comparação entre 2017 e 2025 indica queda de 60% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Os dados também registram retração de 78% nas vítimas de latrocínio e de 65% nas vítimas de homicídio. Nos crimes patrimoniais, os roubos de veículos reduziram 90%, enquanto os roubos a comércio e a pedestres apresentaram quedas de 83% e 81%, respectivamente.
Ao longo da palestra, Leite defendeu que as decisões de governo seguem critérios técnicos e planejamento estratégico, afastando motivações pontuais ou pressões políticas circunstanciais.
— Não é por espasmos ou porque surge uma demanda isolada. As ações do governo estão inseridas em uma agenda estratégica de desenvolvimento — concluiu.

