Home Destaque Criação de associação é o próximo passo para a certificação do vinho de mesa

Criação de associação é o próximo passo para a certificação do vinho de mesa

Contatos para integrar o grupo devem ser retomados após a finalização da safra da uva deste ano
Comitiva procurou a Embrapa para criar um selo florense (Foto: Eduarda Albani da Silva, Divulgação)

Foi em um dos encontros do Trade Turístico de Flores da Cunha que o agrônomo e sommelier Lucas Antonio Molon, e o gerente comercial da Vinícola Vilena, Ademar Dotti, sentiram a falta de um vinho de mesa. O sentimento é que as uvas americanas, tão importantes para o desenvolvimento local, estão sendo esquecidas. Assim, surgiu a ideia de estruturar uma Indicação Geográfica (IG) ou Denominação de Origem (DO) para o vinho bordô.

Dotti explica que a certificação seria uma forma de reconhecer a importância que as uvas americanas têm na região, uma vez que são a base da agricultura florense e produzem a maior parte dos vinhos do Rio Grande do Sul e do Brasil:

— Pretendemos buscar uma maior visibilidade e valorização para os nossos produtores rurais. Consequentemente, chamando a atenção para a qualidade dos vinhos e sucos que são produzidos — aponta.

Em janeiro, Molon participou de uma reunião junto à Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves. Acompanhado do presidente da Câmara de Vereadores de Flores da Cunha, Marcelo Golin (PL), eles buscaram uma orientação técnica.

Na oportunidade foi definido que o próximo passo no caminho da certificação é criar uma associação para mostrar o diferencial do vinho de mesa elaborado a partir das uvas Bordô e Isabel do município.

— Esse tipo de pleito junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) deve ser feito sempre a partir de uma associação. A Embrapa apenas colabora no aspecto técnico do processo. A partir da formalização da associação, voltaremos a conversar — explica o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Henrique Pessoa dos Santos.

Formalização de associação

Molon revela que a Embrapa definiu a ideia como inédita e “inusitada” e se colocou à disposição para auxiliar nos próximos passos.

— Tem todo um estudo, a parte do território, a parte da pesquisa para ver se o vinho realmente tem diferença no nosso município e também maneiras para se elaborar os produtos. Vamos criar um padrão para se encaixar, não é simplesmente colocar o nome. São diversas coisas que acabam tomando bastante tempo para que se consiga algo — explica.

Molon acredita que o ideal seria a criação de um selo com IP ou DO dos vinhos de mesa, no entanto tem consciência de que isso só começará a ser definido após uma nova conversa com a Embrapa em que mais vinícolas e produtores possam criar a associação.

— Nós até já iniciamos uma lista de algumas vinícolas que gostariam de participar, que já entramos em contato, e vamos em busca de outras — salienta Molon, que deve retomar os contatos após a finalização da safra da uva deste ano.

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