Foi em um dos encontros do Trade Turístico de Flores da Cunha que o agrônomo e sommelier Lucas Antonio Molon, e o gerente comercial da Vinícola Vilena, Ademar Dotti, sentiram a falta de um vinho de mesa. O sentimento é que as uvas americanas, tão importantes para o desenvolvimento local, estão sendo esquecidas. Assim, surgiu a ideia de estruturar uma Indicação Geográfica (IG) ou Denominação de Origem (DO) para o vinho bordô.
Dotti explica que a certificação seria uma forma de reconhecer a importância que as uvas americanas têm na região, uma vez que são a base da agricultura florense e produzem a maior parte dos vinhos do Rio Grande do Sul e do Brasil:
— Pretendemos buscar uma maior visibilidade e valorização para os nossos produtores rurais. Consequentemente, chamando a atenção para a qualidade dos vinhos e sucos que são produzidos — aponta.
Em janeiro, Molon participou de uma reunião junto à Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves. Acompanhado do presidente da Câmara de Vereadores de Flores da Cunha, Marcelo Golin (PL), eles buscaram uma orientação técnica.
Na oportunidade foi definido que o próximo passo no caminho da certificação é criar uma associação para mostrar o diferencial do vinho de mesa elaborado a partir das uvas Bordô e Isabel do município.
— Esse tipo de pleito junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) deve ser feito sempre a partir de uma associação. A Embrapa apenas colabora no aspecto técnico do processo. A partir da formalização da associação, voltaremos a conversar — explica o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Henrique Pessoa dos Santos.
Formalização de associação
Molon revela que a Embrapa definiu a ideia como inédita e “inusitada” e se colocou à disposição para auxiliar nos próximos passos.
— Tem todo um estudo, a parte do território, a parte da pesquisa para ver se o vinho realmente tem diferença no nosso município e também maneiras para se elaborar os produtos. Vamos criar um padrão para se encaixar, não é simplesmente colocar o nome. São diversas coisas que acabam tomando bastante tempo para que se consiga algo — explica.
Molon acredita que o ideal seria a criação de um selo com IP ou DO dos vinhos de mesa, no entanto tem consciência de que isso só começará a ser definido após uma nova conversa com a Embrapa em que mais vinícolas e produtores possam criar a associação.
— Nós até já iniciamos uma lista de algumas vinícolas que gostariam de participar, que já entramos em contato, e vamos em busca de outras — salienta Molon, que deve retomar os contatos após a finalização da safra da uva deste ano.

