Marcada pela fé e pelo sentimento de união após o incêndio que atingiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, a 36ª Romaria Vocacional Frei Salvador reuniu centenas de fiéis na tarde desta quinta-feira (4) em Flores da Cunha. A peregrinação da Praça da Bandeira até o Eremitério integra as celebrações de Corpus Christi e reforça a fé da comunidade ao Venerável.
Na caminhada, os romeiros passaram pelo Mosteiro Nossa Senhora do Brasil, onde receberam a bênção das Irmãs Clarissas Capuchinhas, e pelo Cemitério Público Municipal, onde ocorreu um momento de oração pelos entes queridos já falecidos. No Eremitério Frei Salvador, os participantes acompanharam a missa campal e foram acolhidos pelos freis presentes.
O coordenador do local e auxiliar na causa de beatificação do religioso, Frei Irineu Trentin, 65 anos, destacou o significado da celebração de Corpus Christi e a importância da Eucaristia para os cristãos.
— Vale a pena seguir Jesus neste dia de Corpus Christi, celebrando e se alimentando da Eucaristia, que para nós cristãos é alimento e força na caminhada de vida e de fé — afirma.
Trentin também agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas após o incêndio que atingiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes.
— A paróquia agradece muito toda a solidariedade recebida. Com união, dedicação e a disponibilidade de tantas pessoas solidárias, iremos reconstruir nossa igreja em breve.
Durante a celebração, o provincial dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Haiti, frei Álvaro Morés, ressaltou a união da comunidade diante das dificuldades e reforçou a confiança na reconstrução da Matriz.
— O que eu desejo à comunidade de Flores da Cunha? Continuem caminhando. Se em 1904 quem vivia aqui sonhou e construiu aquela igreja, com menos recursos e menos condições, hoje nós, aqui de Flores da Cunha, nesta terra tão rica e com gente tão trabalhadora e tão boa, vamos reconstruir. Tenham essa certeza — acredita.
Após a missa, os fiéis receberam bênçãos dos freis e puderam visitar o espaço dedicado a Frei Salvador, cuja causa de beatificação segue em andamento.
Devoção que atravessa gerações
Entre os participantes da romaria estava Márcia Regina Schiavenin, 58 anos. Ela reforçou o sentimento de emoção e busca de força que marcaram a caminhada neste ano.
— É uma caminhada diferente. Temos essa dor pela perda da nossa igreja, mas estamos indo em busca de fé e de força para que possamos nos motivar a reerguê-la. Precisamos estar unidos, rezar muito e não podemos perder a fé — percebe.
Márcia revela que a devoção a Frei Salvador atravessa gerações em sua família.
— Essa devoção vem desde o meu pai. Ele passou isso para nós, para mim e para os meus irmãos. Carregamos isso de geração em geração, e esse amor e essa devoção só aumentam — ressalta.
A estudante Joana Salvador, 18 anos, também participou da romaria e destacou a importância de manter viva a tradição religiosa entre os jovens.
— É muito bonito ver essa união e participar desde cedo. É algo que faz parte da nossa história e da nossa fé, e que a gente precisa levar adiante.
Ao longo do percurso, os romeiros renovaram pedidos, agradeceram graças alcançadas e reafirmaram a confiança na intercessão de Frei Salvador.

