Home Destaque Com alta de 5,05% em 2025, vinhos gaúchos atingem 246 milhões de litros e enfrentam novo cenário em 2026

Com alta de 5,05% em 2025, vinhos gaúchos atingem 246 milhões de litros e enfrentam novo cenário em 2026

Crescimento foi puxado pelos espumantes, enquanto queda no mosto concentrado e possível safra recorde no Rio Grande do Sul pressionam estoques, preços e ampliam desafios tributários e de mercado para o setor vitivinícola
(Foto: Divulgação)

A comercialização de vinhos gaúchos teve um crescimento de 5,05% em 2025, atingindo um volume de 246 milhões de litros. Nesta soma estão incluídos os vinhos de mesa, finos, espumantes, licorosos, frisantes e outros produzidos no Rio Grande do Sul. Um crescimento até surpreendente pelo modo como a comercialização se apresentou no ano de 2025, cujas percepções eram de um ano com dificuldade de manter volumes comercializados em anos anteriores.

Abrindo os dados para os diferentes tipos de vinhos, veremos que os espumantes apresentaram o maior crescimento: 11,45%, atingindo 19,3 milhões de litros, demonstrando ser este o produto gaúcho de maior reconhecimento e competitividade em função da excelente relação qualidade/preço. Os espumantes moscateis também alcançaram um bom resultado: 9,98% de crescimento, atingindo mais de 14 milhões de litros. Os vinhos de mesa e finos apresentaram crescimento menor, de 1,86% e 0,39% respectivamente. Veja mais dados na tabela ao lado.

O ano também foi de crescimento de quase 12% para o suco de uva integral, atingindo 112 milhões de litros.

Em contrapartida, o segmento – de importância estratégica para a cadeia produtiva, pelos volumes de uvas processadas – que mais perdeu mercado em 2025 foi o mosto concentrado. A queda de vendas foi de -23,9%, caindo de 36 milhões de kg para 27,5 milhões de kg. Esta queda, calculada em kg de uvas, representa uma diminuição de mais de 60 milhões de kg.

Não há estatísticas para a comercialização dos vinhos e derivados das demais unidades da Federação. Com produção de uvas e vinhos em quantidades consideradas significativas em pelo menos 13 estados brasileiros, o Brasil carece de um sistema confiável. Isto se agrava ainda mais quando vemos que somente na região Sudeste algumas centenas de novas vinícolas iniciaram sua produção de uvas e vinhos na última década.

Desafios para 2026

O primeiro desafio para 2026 está sendo a safra em curso, cujos prognósticos apontam para uma elevação de até 20% no volume de uvas produzidas, podendo ultrapassar os 900 milhões de kg de uvas para industrialização. Até o momento, a maior safra foi em 2021, com 869 milhões de kg de uvas colhidas e destinadas à elaboração de sucos e vinhos. Em 2025, foram processados no Rio Grande do Sul 769 milhões de kg.

Neste sentido, a comercialização de 2025 de produtos vitivinícolas, não atingiu os volumes para que os estoques de passagem se mantivessem normais, resultando um pouco acima da média. Portanto, para 2026, os volumes em estoques, somados ao que está sendo produzido, deverão pressionar o mercado para um ajuste de preço nos produtos.

Outro desafio para o setor é a questão da tributação. Excluir o vinho da lista de produtos que terão incidência no chamado ‘imposto do pecado’, ou amenizar o efeito deste imposto, é a meta para 2026.

Se não bastasse os fatores internos relativos à produção, mercado e tributação, há o tema da abertura de mercado que, por enquanto, está em stand by com a decisão do parlamento europeu de encaminhar para o tribunal de justiça do bloco avaliar a legalidade e conformidade dos termos do acordo assinado entre Mercosul e União Europeia.

Em termos de importação, o maior crescimento foi de vinhos: 3,53% atingindo 158 milhões de litros. Por outro lado, as exportações tanto de vinhos como de espumantes também cresceram, atingindo juntos mais de 7,2 milhões de litros. Grande parte deste volume é produzido pela Fante, que consolidou exportações para o mercado latino-americano.Com base nos dados de comercialização das vinícolas do Rio Grande do Sul e das importações, o consumo per capita em 2025 manteve-se estável em 1,9 litros, ainda abaixo dos valores alcançados durante a pandemia de Covid-19, quando o consumo anual atingiu 2,3 litros por pessoa.

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