Flores da Cunha abriu oficialmente, na terça-feira (20), o período de colheita da uva no Brasil ao sediar a 1ª Abertura Nacional da Colheita da Uva, no Centro de Eventos da Vinícola Luiz Argenta. Com produtores, entidades e autoridades, o ato colocou a vitivinicultura no centro do debate local, em um momento em que o município busca reconhecimento nacional e cobra condições para manter competitividade e renda no campo.
O prefeito César Ulian afirmou que a cadeia produtiva da uva sustenta famílias, movimenta indústria, serviços e turismo, com impactos diretos também em municípios vizinhos, como Nova Pádua.
– Quando a gente eleva o valor da nossa gente, da nossa produção, todos ganham – disse, ao destacar a dimensão social e econômica da vindima e o papel das comunidades rurais na identidade regional.
Ulian lembrou que o município reúne cerca de 1.500 famílias ligadas diretamente à produção e citou a estimativa de mais de 100 milhões de quilos de uva colhidos na safra, “caixinho por caixinho”. Para o prefeito, o volume e a constância da atividade justificam a estratégia de posicionar Flores da Cunha como referência nacional, sem disputar espaço com outros polos vitivinícolas do Estado.
Representando o governador no ato, o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, ressaltou a relevância do agro para a economia gaúcha e o papel da viticultura na composição de renda, emprego e permanência do produtor no campo. Ao saudar lideranças e produtores, reforçou que o setor demanda respostas públicas permanentes, tanto para a reconstrução de áreas quanto para a sustentação do sistema produtivo.
O secretário também destacou o esforço local de recuperação após o tornado que, no fim do ano passado, atingiu mais de 70 hectares de parreirais no município. No evento, a reconstrução foi apresentada como exemplo de mobilização regional.
Na sequência, o presidente da Câmara de Vereadores de Flores da Cunha, Marcelo Golin, vinculou a colheita ao equilíbrio entre tradição e modernização do campo. Ele afirmou que a vitivinicultura se fortalece quando há alinhamento entre produtores, poder público e indústria, e citou a necessidade de união para atravessar adversidades climáticas e manter a atividade como eixo econômico local.
121 milhões de quilos
O tema do reconhecimento institucional apareceu com destaque. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4.469/2025, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, que propõe o título de Capital Nacional da Vindima para Flores da Cunha. O argumento central é o volume colhido e processado em uma única safra, além do papel histórico do município na vitivinicultura brasileira.
Os dados apresentados durante a programação dimensionam a cadeia local. Em 2025, foram 121 milhões de quilos de uva produzidos para industrialização e cerca de 260 milhões de quilos processados pelas indústrias instaladas em Flores da Cunha (incluindo recebimento de outras regiões). O município registrou ainda mais de 85 milhões de litros de derivados, com reflexos no enoturismo e na renda de serviços associados.
O anfitrião Deunir Argenta defendeu que a abertura nacional reconhece um protagonismo já construído no campo e na indústria.
– Somos o maior produtor de vinho do Brasil. Somos o maior produtor de uvas do Brasil – afirmou, ao sustentar que o município reúne atributos para ser referência nacional. Para ele, o encontro deve se repetir como espaço de avaliação do setor, e não apenas de celebração.
Argenta também alertou para o cenário externo e a necessidade de coordenação política do setor:
– Precisamos nos reunir mais porque os desafios vão ser muito grandes de agora em diante – destacou, ao citar pressões de mercado e a busca por condições mais equilibradas para competir.
Representando entidades do setor, Daniel Panizzi reforçou que a vitivinicultura brasileira entra em um ciclo de decisões estratégicas, com pautas como reforma tributária e acordo Mercosul–União Europeia. Também defendeu que o vinho seja compreendido como produto de cultura e desenvolvimento.
– Não somente um produto alcoólico, mas um produto que traz cultura, desenvolvimento social e econômico – disse, citando o enoturismo como vetor regional.
A cerimônia reuniu representantes de entidades como ABS-RS, organismos ligados à OIV, ACIU, sindicatos, Fecovinho, Uvibra, Sindivinho-RS, Consevitis-RS e AGAVI, além de produtores, prefeitos da Serra gáucha, vereadores, deputados estaduais e federais, e o senador Luis Carlos Heinze.











