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Quatro pessoas procuraram a Polícia Civil sobre “lista de petistas” em Flores da Cunha

Um deles é o vereador Diego Tonet (PP) que alega que a imagem compartilhada é falsa e nega ser o autor de qualquer lista
(Foto: Leonardo Lopes)

Pelo menos quatro pessoas procuraram a Polícia Civil sobre a “lista de petistas” divulgada em Flores da Cunha. Um deles foi o vereador Diego Tonet (PP) que nega ser o autor da lista e quer a responsabilização de quem compartilhou a imagem falsa com seu nome. Contudo, como a Delegacia de Flores da Cunha estava sem internet e acesso ao sistema interno, as vítimas foram orientadas a fazer os boletins de ocorrência pela Delegacia Online. A expectativa é que a Polícia Civil florense recebesse um serviço de internet  via satélite nesta quarta-feira (4) e retome a normalidade dos atendimentos.

A lista de incentivo a boicote aos negócios de supostos eleitores de esquerda se espalhou pelas redes sociais após o segundo turno das eleições para presidente e ganhou repercussão com três publicações do vereador Tonet. Em seu Instagram, ele negou ser o autor da lista ou de qualquer movimento semelhante, relatou ter recebido diversas ofensas pessoais e que tomará medidas judiciais.

— Meu respeito pelas pessoas não depende de partido. Divergência política é democracia. Atribuir falsamente a alguém aquilo que não fez é outra história — declarou.

Para esclarecer os fatos, Tonet registrou o boletim de ocorrência. As outras três vítimas que procuraram a Polícia Civil são pessoas que se sentiram prejudicadas por seus nomes estarem na lista.  A delegada Carla Zanetti explica que os fatos estão sendo registrados, mas que ainda não está definido o crime em questão.

— Dependendo dos fatos pode ser configurado uma ameaça, perseguição, ofensa ou até concorrência desleal. Por isso, é importante que quem registrar ocorrência inclua os prints e imagens que mostrem quem compartilhou a lista e as ofensas recebidas — explica.

Este registro de ocorrência pode ser feito tanto na Delegacia Online quanto presencialmente. Além da questão criminal, estes registros podem ser utilizados em ações judiciais na esfera cível contra quem compartilhou as listas.

Imagem foi compartilhada em grupo de WhatsApp

O vereador Tonet relata que a falsa imagem foi divulgada no “Vozes de Flores”, um grupo de WhatsApp criado para reclamar e debater sobre situações no municípios e que inclui vários vereadores. A tal lista foi enviada por uma terceira pessoa no dia 22 de outubro, por volta das 23h20min. A moderadora do grupo teria apagado a mensagem três minutos depois e excluído o autor do grupo — que estaria identificado e encaminhado para Polícia Civil.

Contudo, a imagem desta lista teria sido mesclada a uma outra mensagem do vereador Tonet no grupo, que explicava uma ação da Agesan em Flores da Cunha. A imagem alterada dava a entender que o vereador era o autor da lista — o que ele nega categoricamente. A imagem ainda mostrava o “vereador Ale”, o originalmente era uma referência ao verador Claudimir Kremer Alemão (MDB), que acompanhou Tonet na ação da Agesan.

— Não me envolvi sobre este fato, esta fake news que usou uma parte da foto da nossa fiscalização sobre a Agesan e a falta de água.  Neste print falso aparece apenas “Ale”, então não cheguei a ser mencionado, por isso não quis me envolver. Me coloquei a disposição como testemunha caso o vereador Diego Tonet precise. Está na mão na investigação policial — afirma Alemão.

Tonet afirma ter repassado todas as informações para a Polícia Civil poder “punir os responsáveis e cobrar quem de fato é o responsável”. O vereador afirma ter recebido diversas ofensas pessoais em razão da falsa imagem e que tomará medidas judiciais.

— As pessoas que me ofenderam terão que responder judicialmente pelos seus atos — manifesta.

Orientação do PT é registrar e denunciar

Estas listas de boicote a petistas após as eleições também foram espalhadas em outros municípios, como Caxias do Sul, São Marcos e Gramado. Por isso, a deputada federal Denise Pessôa (PT) acionou o Ministério Público Federal (MPF), ao Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul (MPRS) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) alegando serem casos de perseguição política. As denúncias são encaminhadas aos órgãos conforme a natureza de cada caso.

O presidente municipal do PT, André Darci da Silva, o Araponga, afirma que a lista é maliciosa e maldosa, além de estar incorreta. Ele lembra que o presidente Lula fez 3.494 votos no município, ou seja 16,57% dos eleitores, que a eleição já terminou e que o resultado deve ser aceito em uma democracia.

— A lista incomoda em vários fatores. A intenção é prejudicar as pessoas. Fomos orientados pelo diretório estadual a identificar quem enviou esta lista, qual finalidade, e denunciar no Ministério Público. É o que orientamos aos simpatizantes e correligionários. Vivemos todos na mesma cidade, é normal ter opiniões diferentes, e não há porque fazer uma lista assim com intuito de coagir ou intimidar. Ainda mais em uma lista que está incorreta. Todos pregam democracia, liberdade de expressão e um país livre, mas aí surge isso. Não bate o que falam com as atitudes — declarou.

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