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Palavra Viva: Nossas crianças

Confira a crônica escrita por Maria de Lourdes Rech na edição Nº 1893 do jornal O Florense

Perdemos a infância da criança quando:
Esquecemos de cuidar de suas emoções.
Não escutamos suas curiosidades olhando em seus olhos.
Somos ausentes, mesmo com a presença física.
Superprotegemos, evitando o desenvolvimento necessário para a idade.
Não incentivamos bons hábitos, desde os mais simples, como os de higiene.
Causamos medo e pânico por meio de constantes abusos psicológicos.
Há constantes discussões em um ambiente de atritos e acusações entre adultos.
Deixamos de acompanhar de perto as tarefas e o desempenho escolar.
A tornamos um anjo de asas quebradas, vítima de violência física.
O celular ocupa o tempo que deveria ser destinado ao contato familiar.
Perdemos a oportunidade de contar histórias infantis e de compartilhar as memórias da própria família.
Permitimos o consumo de alimentos industrializados, repletos de corantes e outros produtos químicos.
Deixamos de dar bonecas, bolas, carrinhos e jogos educativos para distrair e enriquecer a alma infantil.
A sobrecarregamos com o excesso de compromissos extracurriculares.
Esquecemos de juntar as mãos, pedindo proteção divina, em um coro de duas ou mais vozes.
Desistimos de dar o colo e o abraço tão esperados a cada amanhecer e anoitecer.
Adultecemos a criança com vestimentas e atributos inadequados para sua idade.
Criticamos a professora e a escola, contribuindo para o desestímulo e o desprazer de estudar.
Deixamos de contatar a instituição de ensino diante de dúvidas ou desavenças no ambiente escolar.
Não proporcionamos momentos de lazer e experiências significativas junto à natureza.
Ignoramos a presença do sol, das águas, das estrelas, das noites de luar, da neblina e dos dias de chuva, com suas belezas.
Minimizamos a importância delas dentro de casa, em detrimento de tarefas e pessoas do lado de fora.
Há evidências de meninos e meninas sendo abusados sexualmente, sem que sejam tomadas, de imediato, as providências cabíveis.
Nossas crianças são vidas em desenvolvimento. Por elas, temos responsabilidades individuais, coletivas e intransferíveis de protegê-las e educá-las com empatia, dedicação e competência.

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