No câmbio, a disputa acontece sobre a rede, mas a vitória nem sempre aparece no placar. Para quem participa dos cinco núcleos da modalidade em Flores da Cunha, cada partida também significa movimento, convivência e a oportunidade de estar entre pessoas. Foi assim que Diana Nery, 74 anos, encontrou no esporte uma nova rotina depois de um período em que preferia ficar em casa.
Quando recebeu o convite da sobrinha para conhecer o câmbio, Diana havia perdido a mãe, uma irmã e um irmão. Ela conta que estava “meio deprimida” e sem vontade de sair, mas a sobrinha insistiu para que experimentasse a atividade. Diana foi uma vez, gostou e não parou mais.
— Eu achava que não fosse mais sair de casa. Se não fosse pela minha sobrinha me incentivar, eu acho que eu não teria vindo mais — lembra.
Quatro anos depois, dificilmente perde uma atividade. O esporte trouxe movimento e uma rotina de encontros.
— Aqui a gente se sente muito bem, porque é uma família — resume.
Um convite para sair de casa
A história de Diana se repete, em diferentes versões, entre os participantes. Criado no município em 2019, o câmbio é uma modalidade adaptada do voleibol. Promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, com apoio do Conselho Municipal do Idoso (CMI), o projeto reúne grupos nas localidades de União, Linha 100, São Gotardo, Otávio Rocha e Vindima.
A dinâmica é simples: colocar a bola em movimento, trabalhar em equipe e marcar pontos. Fora da quadra, o esporte movimenta relações.
É o que Maria Ignês Tafarel Toscan, 65 anos, percebe desde que começou a participar, há três anos. Convidada pela professora Eduarda Salles Toscan, encontrou no esporte uma nova forma de movimentar a rotina.
Maria Ignês passa boa parte do tempo em casa, cuidando de crianças. O câmbio virou um dos momentos da semana em que sai da rotina, se movimenta e encontra as amigas. A disposição também chamou a atenção dos filhos.
— Mãe, tu tá bem mais ligeira, mais ativa — diziam.
Mais do que o exercício, foi a convivência que fez Maria Ignês permanecer. Dentro da quadra, as jogadoras torcem umas pelas outras, ajudam-se durante as partidas e compartilham a vontade de vencer. É esse espírito de grupo que, para ela, faz diferença.
— A gente torce uma para outra, sabe? Pra gente não perder, se ajuda — relata.
A atleta Diana resume o sentimento em uma palavra: família. Mesma definição escolhida por Maria Ignês:
— É uma família, sabe? Ali a gente se vê, se cumprimenta e conversa — exalta.
O prazer de estar em grupo
Para a professora de Educação Física Eduarda Salles Toscan, que acompanha os grupos há cinco anos, é justamente essa combinação entre esporte e convivência que explica a força do projeto.
O entedimento é que muitos idosos chegam pelo exercício, mas permanecem pelo prazer de estar em grupo. Com o tempo, os participantes mais tímidos ou retraídos passam a conversar, participar e se sentir parte da atividade.
— A gente ensina, mas também aprende muito com eles — conta a professora.
Eduarda destaca como o câmbio reúne saúde, amizade, diversão e pertencimento. E os vínculos construídos durante as partidas não ficam restritos à quadra. Os grupos também organizam confraternizações, jantares e outros encontros.
Em outubro, mês dedicado à valorização da pessoa idosa, a Secretaria de Desenvolvimento Social divulga ações que estimulam saúde, autonomia, convivência e envelhecimento ativo. O câmbio é um exemplo que mostra, na prática, como o esporte pode continuar fazendo parte da rotina ao longo de toda a vida.
Como parte da programação do Mês do Idoso, no sábado (10), os grupos irão participar de um torneio de câmbio no Ginásio Poliesportivo Marcos João Pivoto, a partir das 13h. Para quem quiser conhecer, a entrada é gratuita.

