Flores da Cunha respira a sétima arte. Depois de os 15 curtas-metragens produzidos por estudantes do Ensino Médio da Escola São Rafael terem sido exibidos para toda a comunidade, a expectativa é para a grande noite de premiação, neste sábado (26), no Clube Independente.
Os filmes foram avaliados por oito profissionais ligados ao cinema e à realização audiovisual: Amália Brandolff, Ana Paula Marcante, Camila Stuani Pauletti, Cassiane Boff, Gustavo Dutra, Juliano Carpeggiani, Polliana Abreu Camargo e Robinson Cabral.
O júri se reuniu na escola, no dia 5 deste mês, para deliberar sobre a premiação das 20 categorias. Ficaram de fora da avaliação apenas o Filme POP, escolhido pelo público, e a categoria Melhor Organização, concedida pela coordenação.
Uma das juradas que estreou nesta edição foi a servidora pública Camila Stuani Pauletti, 42. Ex-aluna do São Rafael, ela já participou do Astro e integrou o Grêmio Estudantil.
— É um privilégio! Como jurada, consegui desfrutar dos filmes de forma mais efetiva. E posso dizer que todos foram filmes muito bons! Uns acabam se destacando mais do que outros, mas todos eles me provocaram reações, desde o riso até o choro — destacou.
Também egresso da Escola São Rafael, o cineasta Juliano Carpeggiani, 43, atua como jurado pela segunda vez, a primeira foi em 2003. Ele aponta que o rigor das avaliações tem aumentado em função de dois fatores.
— O primeiro é a própria qualidade dos produtos e o amadurecimento dos estudantes quanto à linguagem cinematográfica, resultado das oficinas. Quando a régua sobe, os critérios tornam-se mais refinados e o olhar passa a buscar detalhes, quase como em uma produção profissional. O segundo reside na própria comissão julgadora, predominantemente composta por realizadores do audiovisual e produtores culturais — destaca Carpeggiani, que presidiu o Grêmio Estudantil do São Rafael e foi um dos criadores do Astro, em 1999 e 2000.

Jurados se reuniram no início deste mês (Foto: Escola São Rafael/ Divulgação)
“É preciso ter sensibilidade”
Os jurados precisam ter em mente muitos critérios na hora de avaliar os curtas. Nesse sentido, Camila frisa que o maior desafio é tentar ser o mais justo possível.
— Penso que devemos levar em consideração, principalmente, a dedicação dos alunos aos detalhes, se o filme gera emoções e sensações reais ao espectador e se conseguiu atingir naturalidade no resultado final — defende.
Ela explica que a seleção começa muito antes da reunião dos avaliadores. Primeiramente, os jurados recebem as produções para assistir em casa, onde podem avaliar com mais tempo e calma.
— Todos os jurados recebem uma planilha de cada filme. Nesta planilha existem várias categorias que avaliam e atribuem notas. No final, as notas são somadas e os filmes que recebem maior pontuação são premiados.
Carpeggiani acrescenta que cada membro segue o regulamento por categoria, mas possui autonomia para analisar as obras segundo sua sensibilidade técnica e artística.
— Avalia-se se o filme alcançou a proposta pretendida. Em termos pessoais, entendo que uma obra se destaca quando gera conexão genuína e envolvimento constante. O curta supera as expectativas quando faz esquecer que assistimos a uma produção escolar e nos transporta para dentro da narrativa, sustentando envolvimento, tensão e interesse até o desfecho — defende.
Para o cineasta, o maior desafio é equilibrar o olhar técnico com a dimensão pedagógica, já que os filmes nascem em um ambiente escolar.
— É preciso ter sensibilidade, tanto com obras que apresentam acabamento menos cinematográfico, naturais para quem está tendo o primeiro contato com a linguagem, mas principalmente com o devido reconhecimento daqueles estudantes que se destacaram em funções específicas e merecem incentivo para seguir criando — sinaliza Carpeggiani, finalizando que as indicações não figuram apenas para “cumprir tabela”, elas atestam que os objetivos artísticos e pedagógicos foram plenamente atingidos.
Noite de premiação
A entrega dos troféus temáticos do Astro, os Astritos, será neste sábado (26), às 20h, no Clube Independente. A programação terá início com a apresentação da Banda Florentina.
O evento também terá a votação do Filme POP, que reunirá os curtas-metragens produzidos por ex-alunos na Mostra Paralela, ampliando a participação do público.
Outro momento especial será a entrega do Troféu Honoris Astro, homenagem destinada, nesta edição, ao ex-professor da Escola São Rafael, Gilnei Nardi, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição com o surgimento do Astro.
Interessados em acompanhar a grande noite devem entrar em contato com a escola, pelo WhatsApp (54) 99154-4065. O valor do ingresso é R$ 60 por pessoa.

