Home Destaque Comunidade da Linha 80 se mobiliza para limpar estragos da forte chuva em Flores da Cunha

Comunidade da Linha 80 se mobiliza para limpar estragos da forte chuva em Flores da Cunha

Após os transtornos, moradores e voluntários iniciaram a limpeza das casas e do Esporte Cube Rui Barbosa
Vitor Hugo Zenatto e Christian Manfron auxiliam na limpeza do Esporte Clube Rui Barbosa (Foto: Karine Bergozza)

A comunidade da Linha 80 foi uma das mais afetadas pela intensa chuva que atinge Flores da Cunha desde a madrugada desta segunda-feira (21), provocando alagamentos pontuais e transtornos no município.

A partir da metade da tarde, quando a chuva diminuiu, os moradores começaram a se mobilizar para limpar os locais e contabilizar as perdas. A Prefeitura Municipal iniciou a desobstrução das vias.

O integrante da diretoria do Esporte Clube Rui Barbosa, Christian Manfron, 28 anos, explicou que os alagamentos ocorreram por volta das 8h, quando a água do Arroio Curuzu transbordou e invadiu o clube pelas portas de vidro da parte da frente, derrubando o que encontrou pelo caminho.

– A água estourou as portas de vidro, entrou pela grade também e estourou as grades. Todo o clube foi afetado. Tinha as mesas, ontem teve festa de Menino Jesus de Praga e estava tudo arrumado, as mesas ainda estavam ajeitadas no salão – relatou o agricultor autônomo.

Manfron contou que quando os moradores perceberam que a água estava entrando no clube, tentaram impedir, mas infelizmente não conseguiram. Mesmo assim, logo que a água baixou, por volta das 13h, cerca de 20 pessoas já começaram a colaborar.

– O pessoal da diretoria, da igreja, enfim, está ajudando a fazer uma pré-limpeza, ajeitando as coisas para amanhã pegar os lava jatos e tratores com pulverizador para fazer a limpeza. Depois a gente vai ver o que é que vai precisar porque o bar aqui também foi desmanchado, tem várias coisas que foram perdidas – lamentou.

“Vamos precisar de obras maiores do que as que foram feitas”

O presidente da entidade, Vitor Hugo Zenatto, 61, cobrou melhorias na infraestrutura da comunidade.

– Sem dúvida nenhuma, se a gente quiser manter as estruturas que estão aí, vai ser preciso algumas obras um pouco mais importantes, maiores, porque se em três ou quatro anos nós já tivemos duas vezes o transbordamento, nós vamos precisar de obras muito maiores do que as que foram feitas. Infelizmente a realidade é essa – opinou Zenatto.

O advogado lembrou que a entidade existe há sete décadas, mas os problemas com as chuvas começaram nos últimos quatro anos.

– Questão de que quatro, cinco horas de chuva, já transbordou tudo! Toda a limpeza que foi feita se mostrou que não funciona. Vai ter que ampliar, dragar, não sei. Aí é uma questão mais técnica.

Solange Sonda é auxiliada pela irmã Sandra Sonda Gazzi (Foto: Karine Bergozza)

“A gente agradece a Deus que ninguém se machucou”

Solange Sonda, 61, mora na Linha 80 há 25 anos e relata que foi a primeira vez que a água invadiu sua casa.

– Esta foi a segunda vez que a água chegou até na porta da casa, só que hoje, infelizmente, ela entrou em alguns cômodos. Hoje a chuva foi maior! Em 2024, ela chegou até na porta, mas não entrou – lamentou Solange, emocionada.

Ao começar os trabalhos de limpeza na tarde desta segunda-feira (21), ela acredita que as perdas não tenham sido muito grandes, mas descreve que o emocional está bastante abalado e revela que a sensação foi desesperadora.

– A gente reza para que a chuva acalme um pouco. Temos que esperar, não tem muita coisa pra fazer. Mas, ao mesmo tempo, a gente agradece a Deus que ninguém se machucou, que está todo mundo bem e também não se perdeu muita coisa.

Moradora do Travessão Alfredo Chaves, Sandra Sonda Gazzi, 57, estava ajudando, juntamente com outras oito pessoas, na limpeza na casa da irmã.

– A gente lavou dentro, conseguiu limpar um pouco, mas agora não tem mais água. Nós estamos limpando aqui a sujeira mais grossa, mas vamos ter que esperar vir a água amanhã para continuar – contou Sandra, acrescentando que o carro de seu sobrinho também foi atingido pelas águas.

Cleusa Maria Moreira Medeiros foi resgatar seu pai, Gotardo Bonfilho Moreira (Foto: Nadine Dilkin)

“Teu pai está no meio da água”.

Cleusa Maria Moreira Medeiros, 59, mora em Caxias do Sul e foi até a Linha 80 resgatar seu pai, o aposentado Gotardo Bonfilho Moreira, 83, que mora sozinho na comunidade.

– Os vizinhos começaram a me ligar, eles diziam: “Vem para cá que teu pai está no meio da água”. Cheguei aqui e já tinham tirado o pai de dentro. Deixaram ele em outra casa, até eu chegar – contou Cleusa.

A filha revela que, como não dava para atravessar a ponte da Linha 80, teve que dar a  volta pela Linha 60, por São Gotardo, para chegar até o pai.

– Esta é a quarta vez que entra água aqui. As últimas quatro enchentes que deu, todas as vezes entrou água – lamentou, cobrando soluções por parte da Prefeitura.

Moradores e voluntários se mobilizam para limpar as casas (Foto: Nadine Dilkin)
Moradores e voluntários se mobilizam para limpar as casas (Foto: Nadine Dilkin)
As perdas ainda estão sendo contabilizadas (Foto: Nadine Dilkin)
As perdas ainda estão sendo contabilizadas (Foto: Nadine Dilkin)
Vias obstruídas, o asfalto cedeu (Foto: Nadine Dilkin)
Vias obstruídas, o asfalto cedeu (Foto: Nadine Dilkin)
Vias obstruídas, o asfalto cedeu (Foto: Nadine Dilkin)
Arroio Curuzu transbordou e atingiu a comunidade (Foto: Nadine Dilkin)
Arroio Curuzu transbordou e atingiu a comunidade (Foto: Nadine Dilkin)

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