As contas de energia elétrica se transformaram em motivo de preocupação para consumidores de Flores da Cunha. Entre julho e agosto, o Procon municipal registrou 114 atendimentos relacionados a faturas consideradas fora do padrão pelos consumidores, incluindo casos em que o valor cobrado disparou centenas ou até milhares de por cento. Em alguns casos, os valores dispararam muito acima do reajuste autorizado para a tarifa de 14,97%.
O assunto também chegou ao plenário da Câmara de Vereadores, no dia 17, quando o vereador Valdecir Paulus (MDB) relatou as reclamações recebidas de moradores.
— São casos assustadores que vêm acontecendo nas faturas da luz das pessoas. No início achei que fosse somente em Flores da Cunha, mas é no Estado inteiro — afirmou Paulus, que citou casos de faturas que saltaram de R$ 380 para quase R$ 1 mil.
No Procon de Flores da Cunha, mais de 114 atendimentos relacionados às contas de energia foram registrados entre julho e agosto. A responsável, Diennifer Lagemann, afirma que os casos analisados têm um ponto em comum: a RGE atribui a elevação ao aumento do consumo indicado pelos medidores.
O reajuste tarifário aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a RGE foi de 14,97% para consumidores residenciais e entrou em vigor em 19 de junho. Segundo o Procon, a concessionária também atribui o maior consumo no inverno e a bandeira tarifária para os aumentos.
Para o Procon, contudo, há situações que fogem desse padrão. Um dos casos recebidos registrou aumento de 2.472% no valor da conta. Trata-se de um estabelecimento comercial que não possui equipamentos que justificariam um salto dessa dimensão. Em outro caso, residencial, o aumento chegou a 573%. Há outros registros de altas acima dos 500%.
— Esses são os casos que realmente nos preocupam. São aumentos muito significativos, em que o valor de consumo foi muito elevado — detalha Diennifer.
Busca por respostas
Apesar da dimensão dos aumentos, o Procon evita afirmar que exista uma falha generalizada. A dificuldade está em comprovar o que ocorreu; a fatura é emitida com base na leitura registrada pelo medidor, enquanto o consumidor afirma não ter utilizado a quantidade de energia indicada.
O Procon analisa o histórico de consumo dos últimos 12 meses e compara os dados com o mesmo período do ano anterior. Os casos mais graves são encaminhados à Aneel por meio do Procon de Caxias do Sul, que reuniu reclamações de municípios vizinhos.
Procurada pela reportagem, a CPFL RGE não comentou especificamente os números apresentados pelo Procon. Em nota, informou que está à disposição para colaborar com os órgãos competentes e orientou os consumidores a utilizarem seus canais de atendimento: WhatsApp (51) 9 9955-0002, aplicativo CPFL Energia e call center 0800 970 0900.
Como registrar uma reclamação
- Documento de identificação do titular da unidade consumidora;
- Protocolo de atendimento junto à RGE/CPFL, se houver;
- Cópias das últimas três faturas de energia elétrica;
- Fotografia do medidor, se possível.

