No Ensino Médio, participar da Mostra Científico-Cultural significa ir além da escolha de um tema e da busca por respostas. Os estudantes precisam aprender a organizar uma investigação, encontrar referências, analisar resultados e defender aquilo que descobriram diante de outras pessoas. Na turma 101 da Escola Estadual de Ensino Médio São Rafael, esse processo levou as estudantes Ariela Lorenzet, 15, Manuelly Mendes, 15, e Natália Calgaro, 16, a investigar a relação entre memória, cérebro e comportamento.
Orientadas pela professora de química Paula Bergozza, elas desenvolveram o projeto “Neurociência: processos cerebrais e precisão das memórias, uma abordagem neurocognitiva”. Ao longo de cinco meses, o grupo fez levantamento de artigos, buscou contato com profissionais da área e aplicou atividades com outros estudantes. Mais do que chegar a uma resposta sobre o funcionamento da memória, porém, a pesquisa também ensinou as meninas a lidar com os caminhos e obstáculos próprios de uma investigação científica.
— A gente tentou contato com vários neurologistas e não conseguiu. Então fomos atrás de outras pessoas e conseguimos uma psicóloga que ajudou bastante. Acho que pesquisar é isso também: se não dá pelo plano A, vamos para o B — conta Manuelly.
Durante o processo, as estudantes também compreenderam que a memória não funciona simplesmente como um arquivo que guarda informações de maneira permanente.
— A nossa memória é uma reconstrução. Tudo depende da atenção e da emoção que a gente deposita em cima de uma determinada ação — explica Natália.
A pesquisa das estudantes é uma das 154 selecionadas para integrar a sexta edição da Mostra Científico-Cultural de Flores da Cunha. Os trabalhos serão apresentados à comunidade neste sábado (15), a partir das 13h15min, durante a Etapa Municipal, no Parque da Vindima Eloy Kunz.
Ao todo, mais de 4,5 mil estudantes participaram da iniciativa nas escolas, com o envolvimento de aproximadamente 500 professores. Os projetos reúnem diferentes temas e áreas do conhecimento e mostram como a pesquisa pode assumir formatos diversos de acordo com a etapa escolar.
Para Ariela, Manuelly e Natália, chegar à Etapa Municipal representa a oportunidade de apresentar o resultado de meses de investigação e colocar em prática tudo o que foi construído durante o projeto.
— A gente está bem confiante para a próxima etapa. Queremos conseguir mostrar o nosso trabalho da melhor maneira. Depois de todo o esforço, dá vontade de ir cada vez mais longe — afirma Natália.
E ir mais longe é, de fato, uma das expectativas do grupo. A Etapa Municipal pode abrir caminho para outras feiras e oportunidades de divulgação das pesquisas. Entre os objetivos das estudantes está chegar à Mostratec, em Novo Hamburgo, uma das principais feiras de ciência e tecnologia voltadas à pesquisa estudantil, que reúne projetos de diferentes estados brasileiros e também de outros países.
— Seria uma experiência muito grande. É um objetivo que faz a gente querer melhorar cada vez mais a nossa apresentação — destaca Ariela.
O processo é acompanhado pela professora Paula Bergozza, que vê na Mostra uma oportunidade para que os estudantes desenvolvam autonomia, criatividade e capacidade de argumentação. Para ela, a pesquisa também amplia as possibilidades de aprendizagem para além do espaço da sala de aula.
— Muitas habilidades e competências são desenvolvidas, como a criatividade, fazer perguntas, levantar hipóteses, criar novas soluções e ideias. Ela vai muito além das paredes da sala de aula — conclui.

