Para muitos pais, ver o filho seguir seus passos já é motivo de orgulho. Em Nova Pádua, Luis Carlos Skovronski, o Polaco, foi além. Aos 42 anos, divide com o filho Natan Henrique, 22, não apenas a profissão de encanador, mas também o mesmo clube, o mesmo vestiário e a paixão pelo futebol.
Conhecidos como Polaco e Polaquinho, os dois construíram uma parceria que começou ainda na infância de Natan e culminou no título da Série Prata do Futebol 7 de Nova Pádua com a camisa do Libertad.
O futebol sempre foi o ponto de encontro entre Polaco e Polaquinho. Desde pequeno, Natan acompanhava o pai em praticamente todos os jogos. Aos poucos, deixou de ser apenas um espectador para fazer parte daquele ambiente.
— Ele sempre ia junto em todos os jogos. Conforme foi crescendo, comecei a colocá-lo como gandula nos times em que eu jogava, para que já fosse pegando o espírito do futebol, da resenha e das amizades que se criam em cada clube — relembra Polaco.
O momento mais esperado chegou quando Natan completou 14 anos. Pai e filho foram inscritos juntos no Guarani, de Nova Pádua, para disputar o Campeonato de Futebol 7. Era a primeira vez que vestiam oficialmente a mesma camisa.
A parceria iniciada naquele momento já dura mais de oito anos. Para Natan, vestir a mesma camisa do pai representa um sonho de infância.
— Cresci vendo meu pai jogar bola e erguer taças. Sempre que ia assistir aos jogos dele, me perguntava se um dia jogaria ao seu lado ou se até seríamos campeões juntos.
Inspirado pelo exemplo dentro de casa, Natan passou a se dedicar ainda mais ao esporte.
— Ele sempre me incentivou. Lembro claramente de quando me inscreveu na escolinha de futebol. Foi ali que percebi meu verdadeiro potencial e me dediquei para chegar ao nível dele.
“O primeiro nome que chamei para a equipe foi o dele”
A história ganhou um novo capítulo há quatro anos, quando Natan fundou o Libertad. Inicialmente voltado para a categoria de juniores de Nova Pádua, o projeto conquistou três títulos consecutivos e teve em Polaco um dos principais incentivadores.
Com a expansão do clube para as categorias principais de futsal e Futebol 7, o primeiro convite feito por Natan teve um destino certo.
— O primeiro nome que chamei para a equipe foi o dele, o cara que me inspirou a ser quem sou hoje — exalta o filho, orgulhoso.
A parceria também se transformou em conquista. Em 2025, pai e filho levantaram juntos a taça da Série Prata do Futebol 7 de Nova Pádua, o primeiro título defendendo a mesma equipe principal.
Para Natan, porém, a lembrança mais marcante daquele dia ficou antes mesmo de a bola rolar.
— No calor do momento, a gente mal consegue processar o que está sentindo. Mas a tensão e a união no vestiário antes da decisão carregavam uma carga emocional muito mais profunda do que a própria conquista do título. É uma sensação muito diferente do normal.
Depois do apito final, veio a realização de um sonho alimentado desde a infância. Pai e filho comemoravam, enfim, o primeiro título dividindo a mesma equipe principal.
Hoje, além da rotina de trabalho como encanadores, pai e filho defendem juntos o Libertad. A convivência diária faz com que o futebol continue sendo assunto mesmo longe dos gramados, e as conversas inevitavelmente voltam para as partidas.
Nem mesmo o fato de serem pai e filho muda a relação quando o assunto é futebol. As partidas seguem rendendo conversas, análises e até cobranças no dia a dia.
— Passamos a maior parte do tempo falando sobre os jogos. Tudo depende de como foi o resultado. Quando perdemos, vêm as críticas pelos erros durante a partida, mas nada fora do normal — conta Natan.
Do trabalho às partidas do Libertad, Polaco e Polaquinho seguem dividindo a rotina quase todos os dias. Neste Dia dos Pais, o título conquistado juntos ajuda a contar uma história que começou muito antes da primeira medalha: a de um pai que ensinou o filho a gostar de futebol e de um filho que, anos depois, fez questão de levá-lo para jogar ao seu lado.

