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Sicredi financiará instalação do Sistema Antigranizo na Serra Gaúcha

Com aporte superior a R$ 6 milhões, cooperativa viabiliza avanço do projeto regional de prevenção ao granizo
Comitiva gaúcha em visita técnica para conhecer sistema antigranizo em Santa Catarina, em janeiro. (Foto: Cassiane Osório/ Ascom Seapi)

A Sicredi irá financiar a implantação do Sistema Antigranizo na Serra Gaúcha, projeto discutido há três anos por municípios da região para reduzir prejuízos causados por tempestades de granizo. O investimento deverá passar de R$ 6 milhões e há expectativa pela implementação ainda para a próxima safra de uva.

O projeto ainda depende de questões burocráticas pelo Governo do Estado que será seguida da adesão formal dos municípios — 15 Prefeituras já estão comprometidas ao projeto, incluindo Flores da Cunha e Nova Pádua, mas há a possibilidade de ampliar para 30 integrantes.

A entrada da cooperativa para financiar a infraestrutura climática regional é confirmada pelo diretor de Negócios da Sicredi Serrana, Odair Dalagasperina. A procura por uma solução coletiva é um objetivo da Sicredi desde 2020, quando milhares de propriedades rurais sofreram prejuízos severos com chuvas de granizo na Serra.

— A gente percebeu que não podia mais ser assim. Começamos a mobilizar lideranças, entidades e municípios para construir possibilidades. Não existia uma solução pronta — aponta.

Dalagasperina salienta que o impacto das chuvas de granizo vai além da perda de uma única safra. Embora o seguro agrícola minimize parte das perdas dos produtores, estes eventos climáticos causam impactos que ultrapassam as propriedades rurais e atingem toda a cadeia econômica da Serra Gaúcha — da produção de uva ao turismo e à arrecadação dos municípios.

— O agricultor não tem duas safras no ano. O seguro ajuda, mas ele não garante toda a renda do produtor. Se não tem uva, não tem vinho e diminui o turismo. Toda uma cadeia deixa de girar. Por mais que sejamos uma instituição financeira que vende seguro, entendemos que esse não é o caminho — salienta.

Modelo catarinense é referência

A iniciativa é inspirada no estado vizinho, onde a empresa AGF Antigranizo Fraiburgo opera há três décadas na proteção da colheita de maçã. As estações climáticas detectam a aproximação de nuvens de granizo e acionam geradores em solo, que queimam iodeto de prata. Este vapor químico sobe até as nuvens e diminui a formação de granizo, eliminando as pedras antes que toquem o solo.

— Lá houve mobilização da associação comercial, das prefeituras e depois do próprio Governo Estadual. Foi aí que entendemos que aqui também precisava existir esta união.

A proposta, que vem sendo discutida em gabinetes de prefeituras da Serra há três anos, prevê uma divisão de responsabilidades para garantir a continuidade do projeto. A Sicredi irá custear a implantação dos equipamentos — um valor estimado em R$ 6 milhões com os atuais 15 municípios, mas que pode passar dos R$ 10 milhões se todas as prefeituras aderirem.

— O mais difícil é dar a largada, por isso é onde a Sicredi entra. A nossa contribuição será fazer a implantação do sistema. Depois, é importante que exista uma estrutura permanente de manutenção — salienta o diretor de Negócios.

A decisão faz parte do propósito institucional da Sicredi. Atualmente, a cooperativa financia quase 70% do custeio e dos investimentos do agronegócio regional. Uma rede que cresce coletivamente.

— Isso faz parte do nosso DNA cooperativo. Os negócios gerados pelos associados retornam para a comunidade. Estamos falando de um investimento em algo que entendemos ser relevante para toda a região — conclui.

Secretário fala em “boas notícias nos próximos dias”

(Foto: Luizzinho Bebber, divulgação)

A necessidade de tirar do papel o projeto do Sistema Antigranizo foi reforçada durante a 8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã, realizada em Nova Pádua, na última sexta-feira (8). No palco, os prefeitos de Flores da Cunha, César Ulian, e Nova Pádua, Itamar Bernardi, questionaram o secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, que respondeu ao público que “boas notícias” estão por vir.

Na sequência, em entrevista ao jornal O Florense, Madalena afirmou que o Estado está na fase final de ajustes e a expectativa é de que, nas próximas semanas, o governo apresente oficialmente os detalhes de como funcionará o processo.

O desejo é que a implementação ocorra antes da próxima safra da uva. Madalena considera que apesar da complexidade do projeto e da necessidade de instalação de diversos equipamentos, as tratativas vêm sendo conduzidas de forma alinhada desde o início do ano entre a Secretaria da Agricultura, municípios da Serra e o Sicredi.

— Acredito que nós chegamos num grau de maturidade interessante para colocar esse processo na rua nos próximos dias — afirma.

Em suas manifestações, o secretário estadual pareceu evitar ser definitivo, pois este é um projeto que agrega mais setores. Segundo Madalena, o processo começou a partir de demandas do setor vitivinícola, mas se ampliou e beneficiará os municípios da Serra Gaúcha como um todo.

— É importante ressaltar que essa não é uma pauta só do setor produtivo, é uma pauta também da cidade — destaca.

Próximos passos

Ainda que o Governo do Estado não tenha divulgado oficialmente os detalhes, a união em prol da prevenção climática está alinhada. A Sicredi fará o aporte necessário para a instalação e a manutenção caberá ao Estado e aos municípios envolvidos.

Este valor gira em torno de R$ 10 milhões por ano e o Governo do Estado subsidiará pelo menos 20% (até R$ 300 mil por município) via fundo do Consevitis-RS. Para isso, o próximo passo é o lançamento de um edital para os municípios confirmarem participação formalmente.

Para aderir, as Prefeituras deverão aprovar legislações específicas, que serão debatidas em cada Câmara de Vereadores, para garantir a participação financeira contínua no programa.

A Sicredi afirma já ter este compromisso do Estado e Municípios para a instituição deste plano estadual de incentivo à manutenção da estrutura.

— Não adianta fazer um investimento pesado agora e daqui a pouco o sistema parar. Por isso precisamos de um compromisso coletivo — reforça o diretor Odair Dalagasperina.

Atualmente, 15 municípios da Serra já confirmaram adesão ao projeto, mas o número pode chegar a 30 cidades. O plano inicial prevê a instalação de 90 geradores — número que pode ser maior com a adesão de mais prefeituras. Os equipamentos funcionarão de forma integrada e criarão uma espécie de “domo de proteção” regional.

— Quanto maior a adesão dos municípios, mais eficiente o sistema se torna. Não adianta uma cidade fazer sozinha. Quando os municípios vizinhos participam, a proteção fica muito mais estruturada — explica o diretor da Sicredi.

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