Quando criança, lembro de um parreiral de glicínias bem na frente de casa, famosas por suas longas cascatas lilases e por um perfume delicado que atravessava todos os cômodos, anunciando, com suavidade, o fim da primavera.
As flores têm um silêncio que nos ensina sobre o tempo. A gente compra flores mesmo sabendo que elas vão murchar, mesmo sabendo que sua presença é breve. E, ainda assim, escolhe levá-las para casa, cuidar delas por alguns dias… porque existe algo de profundamente bonito nisso. Talvez seja justamente isso que elas nos lembram: que o tempo não precisa ser longo para ser significativo. Que aquilo que passa também pode marcar.
Nós também estamos de passagem. Temos um tempo breve neste corpo, ainda que, por vezes, vivamos como se fôssemos infinitos. Adiamos palavras, guardamos gestos, deixamos para depois aquilo que poderia ser oferecido agora. Mas as flores não fazem isso: florescem no tempo certo, entregam-se por inteiro ao instante.
A nossa cidade, Flores da Cunha, carrega no nome a delicadeza das flores, romântica entre montanhas, vales e vinhedos. No mundo da arte, as flores aparecem como símbolos de formas, cores e emoções, pintando paisagens e sentimentos. Oferecem beleza, delicadeza e presença… simplesmente estão ali, sendo.
E talvez exista um convite nisso tudo: usar o nosso tempo para perfumar a vida das pessoas. Amar com presença, cuidar com atenção, ser gentil enquanto ainda podemos tocar o outro com aquilo que somos.
Assim também florescem os gestos que cultivamos no mundo. Nós, do Instituto Flávio Luis Ferrarini, acreditamos na delicadeza de pequenas ações que, como flores, deixam marcas que permanecem.
Porque, mesmo quando algumas flores desaparecem, suas essências permanecem. E talvez a gente também possa ser assim… passar, mas deixar algo que fique. Um gesto, uma lembrança boa. Quase como um perfume invisível que alguém guarda com carinho, sem saber explicar.