Se comunicação é construir pontes, podemos chamar Maurício Saraiva de um engenheiro de mão cheia. Com a maestria de quem há 40 anos faz parte da rotina dos gaúchos, o jornalista transformou uma palestra em uma conversa. Seus sorrisos, tom de voz e brincadeiras sobre as espinhas na adolescência e o cabelo branco da maturidade aproximaram a todos para falar do que mais importa: viver e ser feliz.
A analogia das pontes, claro, foi apresentada pelo próprio Maurício:
— Viver é comunicar ao outro a sua existência. Se você não se comunicar, a vida vem e dá uma pancada para que você se comunique. Comunicação nada mais é do que uma ponte entre você e o outro.
Para construir essa ponte, não basta apenas falar. A expressão corporal precisa acompanhar o discurso.
— A comunicação perfeita acontece quando a linguagem do corpo casa com a linguagem verbal.
Um ensinamento que Maurício demonstrava na prática. Como o prefeito César Ulian destacou em sua interação com o comentarista esportivo, ao escutar e assistir na rádio e televisão todos os dias, o sentimento é “que a gente já se conhece”.
Maurício sabia disso e faz sua comunicação ser tão próxima quanto as pessoas esperam. Seu sorriso é constante, sua fala, mesmo quando profunda, é descontraída. Uma transparência da felicidade que o jornalista tem em se comunicar.
— A felicidade só existe quando você tem noção de valor do que está vivendo. E, eu, aos 5 anos, falei para o meu pai: Eu não quero ser o cara que faz o gol. Eu quero ser o cara que narra o gol.
Assim, ouvindo futebol no rádio, Maurício descobriu sua vocação. E teve anos de persistência para fazer uma carreira que completa 40 anos em 2026. Mesmo com seis Copas do Mundo no currículo, Maurício demonstrou ansiedade pela “convocação” para a cobertura da Copa do Mundo pela RBS TV e Rádio Gaúcha.
— Eu estabeleci uma ponte quando pedi uma chance no microfone. E, cada vez que eu abro o microfone da RBS TV ou da Rádio Gaúcha, eu tenho a oportunidade de cumprir aquilo que era a minha missão aos 5 anos de idade, e, de novo, tenho a percepção da felicidade. Então, tudo aquilo que tem graça, que eu gosto, eu quero mais! Eu quero a minha sétima Copa e quero tudo que vier. Eu tenho 61 anos e pretendo parar lá com 105 anos.
Futebol como metáfora da vida
Com exemplo da história de jogadores de futebol, Maurício Saraiva ilustrou comportamentos, momentos e a comunicação com os demais.
A começar por Dunga, que foi estigmatizado após a derrota Copa do Mundo de 1990, mas teve a sua superação pelo trabalho e, quatro anos depois, colocou seu nome na história como o capitão do Brasil tetracampeão.
— Na vida, como no futebol, você não controla a crítica. Você controla a resposta — apontou Maurício.
Depois, o exemplo contrário. O meio-campista Luan alcançou o sucesso pelo Grêmio e chegou à Seleção Brasileira, mas perdeu motivação e não conseguiu mais desempenhar seu futebol.
— Às vezes, a felicidade parece pesada demais para algumas pessoas — considerou Maurício.
Diferente de Cristiano Ronaldo, um exemplo de obsessão pela excelência. Mesmo bilionário, o craque português mantém a mentalidade de continuar disputando e alcançando objetivos. Aos 41 anos, disputará mais uma Copa do Mundo e segue em busca do gol 1.000.
— A excelência não é um momento, é um comportamento repetido.
Como história de redenção e oportunidade, o autor do maior gol da história do Internacional: Gabiru. Maurício relembrou que o jogador era alvo de muitas críticas e não estava cotado para viajar ao Japão. Mas, o treinador Abel Braga acreditou nele, construiu uma ponte que levou ao gol que colocou o Inter no topo do mundo em 2006.
— Na vida, uma oportunidade bem aproveitada pode redefinir toda a trajetória.
Estes relatos do esporte ilustram lições de vida. Afinal, para Maurício Saraiva, o futebol é uma metáfora prática da vida e demonstrou que os mesmos princípios que valem dentro de campo — comunicação, atitude, disciplina e leitura de contexto — se aplicam às trajetórias pessoais e profissionais.
— A vida, como o futebol, é cheia de imprevistos e reviravoltas. Mas, preparação e comunicação aumentam as chances de sucesso.
Para Saraiva, comunicar-se bem é o que sustenta as pontes — dentro e fora de campo.
















