Responsável por importar cerca de 7 milhões de hectolitros de vinho ao ano, a França também tem espaço para novos olhares e propostas que fujam do óbvio. É assim que a vinícola Bebber, de Flores da Cunha, passa a figurar em uma iniciativa que busca inserir o vinho brasileiro nesse mercado altamente competitivo, valorizando identidade, origem e experiência.
A vinícola integra o projeto Vin du Brésil, uma iniciativa voltada à curadoria e promoção de rótulos brasileiros no exterior, com foco inicial no mercado francês. Mais do que exportar, a proposta aposta na construção de valor cultural, aproximando o produto do consumidor europeu por meio da gastronomia e de experiências sensoriais.
O projeto é liderado pelo chef francês Benoit Mathurin, pelo empresário italiano Giovanni Montoneri, pelo jornalista francês Xavier Vankerrebrouck e pelo empresário brasileiro Guilherme França. A atuação do grupo se baseia na seleção criteriosa de vinhos com identidade, capazes de dialogar com o paladar europeu sem perder suas características de origem.
Novos territórios no radar
Diferente dos modelos tradicionais, o Vin du Brésil não trabalha com inscrições. A escolha das vinícolas ocorre de forma contínua, a partir de degustações, visitas técnicas, participação em eventos e viagens às regiões produtoras.
Na fase inicial, seis vinícolas brasileiras foram selecionadas, reunindo um portfólio de 12 rótulos posicionados entre 15 e 50 euros no varejo europeu. Do Rio Grande do Sul, além da Bebber, integram o grupo a ArteViva, de Bento Gonçalves, a La Grande Bellezza, de Pinto Bandeira, e a Manus, também sediada em Bento Gonçalves. Minas Gerais está representado pelas vinícolas Bárbara Eliodora e Estrada Real.
A iniciativa já mira novos mercados no continente europeu, com avanços previstos para países como Bélgica, Suíça e Itália, ao mesmo tempo em que amplia o olhar dentro do próprio Brasil. Regiões como o Paraná passam a ganhar atenção, assim como novas fronteiras da vitivinicultura nacional, caso de Goiás e da Chapada Diamantina.
