A maior parte da força de trabalho (16,43%) de Flores da Cunha é composta por pessoas de 35 a 44 anos. O dado foi apresentado na palestra de Stefan Ligocki, profissional multicarreira que se especializou no “Mercado da Longevidade”. O evento no Centro Empresarial na última segunda-feira (23) reuniu dezenas de profissionais de Recursos Humanos (RH) e deixou um recado: as empresas precisam se adequar a terem equipes multigeracionais.
— Sabe aquela história do Brasil ser um país jovem? Já era! O Brasil não é um país de jovens, mas é um país de pessoas maduras. Até 2040, quatro em cada 10 brasileiros serão 50 mais. Em 2040, 57% da força de trabalho vai ser de pessoas 45 ou mais — apontou.
A projeção do futuro impacta, contudo Ligocki ressalta que o mercado de trabalho já está diferente. Os jovens ingressam no mercado de trabalho cada vez mais tarde, enquanto as pessoas maduras continuam por mais tempo.
A pirâmide etária do Brasil demonstra esta longevidade, e Flores da Cunha aparece acima da média nacional. Conforme o último censo, a maioria dos florenses tem entre 35 a 39 anos (8,23%) e 40 a 44 anos (8,20%). Quem tem entre 50 e 59 anos representa outros 13,8% da população. Ou seja, um em cada quatro florenses tem de 35 a 59 anos — o que se reflete na força de trabalho.
— Pela primeira vez, cinco gerações convivem simultaneamente nas empresas. Até os anos 2000, havia no máximo três gerações nas organizações. Isso gera conflitos, desafios de gestão e necessidade de adaptação empresarial — reforça.
Para a economia local, isso significa escassez de jovens e permanência de profissionais maduros. Contudo, Ligoski aponta que ainda há muito preconceito — o que amplia a dificuldade das empresas em preencherem suas vagas.
— Se grande parte da população brasileira tem mais de 40 anos, por que as empresas não refletem essa realidade em seus quadros? — questionou o palestrante, para instigar a revisão nos recrutamentos:
— 70% dos episódios de etarismo acontecem no processo seletivo. Temos que questionar o porquê de colocar um limite de idade em uma vaga. Precisamos parar de pensar que o profissional 40+ ou 50+ é cansado, é desatualizado e é caro. Há muitos profissionais que se reiventaram — afirma.
Inteligência multigeracional
Inteligência multigeracional é a habilidade de liderar e colaborar entre diferentes idades, transformando diversidade etária em vantagem competitiva. Em exemplos práticos, Ligoski cita que é preciso entender como cada geração pensa e trabalha, pois o que motiva um profissional jovem pode ser diferente do que motiva um profissional 50+.
O palestrante defende que as equipes precisam ser multigeracionais, tanto pela necessidade da realidade do mercado quanto para desenvolver cultura e bons ambientes de trabalho. Para isso, os líderes precisam exercitar a “empatia ativa”, que é colocar-se no lugar do outro considerando seu momento de vida. Para evitar a alta rotatividade e manter bons profissionais em suas equipes, a gestão precisa compreender contextos como maternidade, cuidado com pais idosos, início de carreira e transição profissional.
Para Ligoski, as empresas precisam promover trocas estruturadas entre gerações. Um exemplo apresentado é a chamada mentoria reversa, com os jovens ensinando tecnologia. Já os profissionais experientes podem ajudar o desenvolvimento das soft skills (habilidades socioemocionais) dos mais jovens.
Impacto direto
- Stefan Ligocki acredita que empresas que remodelarem sua estratégia de RH e investirem em diversidade geracional tendem a ter:
- Melhor ambiente de trabalho e cooperação
- Mais inovação
- Maior produtividade
- Menor rotatividade
- Aumento de faturamento e lucro
Tendências no mercado de trabalho:
- Ambientes mais multigeracionais
- Combate ao etarismo
- Carreiras mais longas
- Maior flexibilidade
- Lifelong learning (aprendizado contínuo)
- Líderes mais jovens comandando equipes diversas
Mercado da Longevidade
Ligoski também chamou atenção para o outro lado da moeda, que este aumento da idade média da população também precisa estar na mira das estratégias de venda. Segundo o palestrante, o chamado “mercado da longevidade” movimenta R$ 2 trilhões por ano no Brasil. Mundialmente, são US$ 22 trilhões.

